Comentários Homiléticos

DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE Por 16/06/2019 - Atualizado em 13/05/2019 09h46

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1ª LEITURA – Pr 8,22-31

Temos aqui uma personificação literária da sabedoria. Outros textos semelhantes vemos em Jó 28; Br 3,9-4,4; Pr 8-9; Eclo 24; Sb 7-8,etc. O corpo do livro dos Provérbios que vai do capítulo 10 ao 29 são coleções de sentenças anteriores ao exílio Babilônico (séc. VI a.C.). São resultados das experiências dos antepassados, escritas para servirem de orientação para a geração presente. Estas experiências foram colecionadas no pós-exílio, quando o povo vivia sem a orientação de um rei. Quem deveria orientá-los agora? O bom senso, o senso da vida fruto da experiência do povo em ligação íntima com Deus. É essa sabedoria que iria orientar o povo. Os capítulos 1 a 9 são uma espécie de introdução ao livro dos Provérbios. Essa longa introdução parece provir do mesmo colecionador dos provérbios no pós-exílio.

No nosso trecho a sabedoria está intimamente ligada a Deus e à criação. Sua importância está em ser o primeiro fruto da obra de Deus. Ela foi estabelecida desde a eternidade, antes que a terra começasse a existir, antes do oceano, das fontes, das montanhas e colinas (vv. 22-26). Um outro papel importante da sabedoria é ser o mestre de obras, ou arquiteto na criação de todas as coisas. Ela colaborava com Deus, quando Deus fixava o céu, condensava as nuvens, fixava as fontes do oceano, punha limites para o mar e quando assentava os fundamentos da terra (vv. 27-29). Os vv. 30-31 consideram a criação como um jogo divertido, onde a sabedoria brincava com a presença de Deus. Ela era o encanto de Deus, sua inspiração, sua alegria. Os Padres da Igreja serviam-se deste texto para elaborar a teologia sobre o Verbo de Deus e sobre o Espírito Santo. Paulo chama Jesus de poder de Deus e sabedoria de Deus (1 Cor 1,24). Para João, Jesus é a sabedoria de Deus que se fez carne (cf. Jo 1,1ss.14; Ap 3,14) para conduzir os homens à plenitude de vida (Jo 10,10; 20,31).

2ª LEITURA – Rm 5,1-5

Nossa salvação vem pela fé em Jesus Cristo. A garantia de nossa salvação está no amor de Deus e no dom do espírito (v. 5), ou seja, na obra da Trindade Santíssima.

Quais são os frutos da fé ou os bens possuídos por aquele que foi justificado pela fé em Cristo? São:
- A paz com Deus, ou seja, a vida vivida segundo a vontade de Deus;
- O acesso à graça de Deus, quer dizer, o benefício da amizade de Deus; agora, podemos nos aproximar dele;
- A esperança da glória de Deus. Nosso desespero de uma vida condenada se transformou na esperança e um dia viver a salvação definitiva com Deus.

Quais são as consequências de uma fé comprometida?
São as tribulações. Essa palavra se refere às repressões sofridas pelo povo diante de um sistema injusto e anti-cristão. Mas essas tribulações, próprias de quem quer seguir os passos de Jesus, não levam ao desânimo, mas à perseverança, à fidelidade e à esperança. E essa esperança não engana. Por quê? Porque através do dom do Espírito Santo o amor de Deus foi derramado em nossos corações (v. 5). O importante para nós é a certeza da caminhada. A dúvida perturba, desorienta e mata, mas a certeza abre caminhos e gera vida. Antes, no pecado, vivíamos sem chance de vida e salvação. Agora, através da fé na salvação trazida por Jesus caminhamos seguros enfrentando com amor e garra todo tipo de problema numa esperança firme, pois a Trindade caminha conosco. A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estão conosco (cf. 2Cor 13,13). Precisamos de mais alguma coisa?

EVANGELHO – Jo 16,12-15

A função do Espírito Santo
Estamos dentro dos “Discursos de Despedida” que ocupam os capítulos 13-17 do evangelho de João. Nosso trecho fala da função do Espírito Santo. É um trecho todo trinitário, ou seja, fala do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Nos discursos de despedida, Jesus vai completando os ensinamentos aos seus discípulos. Ele ensina tudo o que ouviu do Pai (cf. 15,15), mas muita coisa os discípulos não conseguem captar em todo o seu alcance (v. 12). Assim Jesus encarrega o Espírito Santo para interpretar o alcance de seus ensinamentos ao longo da história. A função do Espírito é, portanto, conduzir os discípulos à verdade completa e ao sentido profundo dos acontecimentos futuros (v. 13).

O Espírito da Verdade
Jesus é o caminho, verdade e vida. Aqui no v. 14, o Espírito Santo é chamado de Espírito da Verdade”, pois o Pai e o Filho são uma só coisa (17,11); cf. 10,30). O termo verdade em João está associado à Aliança de amor que o Pai fez com seu povo, aliança que se torna perfeita e definitiva através da revelação total do Pai através do Filho que dá sua vida por amor. O Espírito da verdade é o intérprete das palavras de Jesus e a garantia para os discípulos da fidelidade de sua Igreja ao projeto do Pai revelado no Filho. Cada vez que o espírito ajudar os cristãs a iluminar as trevas do erro, transformando-as em caminho de luz, cada vez que o Espírito encorajar os cristãos a testemunhar a verdade através da Palavra, do testemunho e até mesmo do martírio; cada vez que o espírito eliminar divisões e provocar a comunhão, ele está manifestando a glória do Filho, na qual também o Pai é glorificado.

A Trindade comunhão-perfeita
Há uma comunhão profunda entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Um não age independente do outro. Tudo que pertence ao Pai pertence também ao Filho (v. 15). O Espírito por sua vez, recebe aquilo que também pertence ao Filho e ele não fala em seu próprio nome, mas em nome do Pai e do Filho. Cada um é uma pessoa distinta com funções diversas. Aqui a comunhão é total. Cada pessoa é divina, mas as três pessoas são um só Deus. Nós, Igreja, somos o Corpo de Cristo, cada cristão é Templo do Espírito Santo. O que dizer das divisões entre nós?

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