Comentários Homiléticos

DOMINGO DE PENTECOSTES Por 09/06/2019 - Atualizado em 13/05/2019 09h43

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1ª LEITURA – At 2,1-11

Como a “Páscoa” recordava a libertação da opressão egípcia e a “passagem” do povo de Deus para uma nova terra, onde corre leite e mel, também “Pentecostes” relembrava o dia em que Moisés, no monte Sinai, recebeu a Lei – 50 dias depois da Páscoa. O Pentecostes cristão também acontece 50 dias depois da Páscoa de Jesus. É o nascimento da Igreja. Descrevendo o Pentecostes cristão, Lucas quer mostrar que o evangelho, graças a força do Espírito Santo, chegou a todos os povos, alcançou todas as línguas, pois quando ele escreve, o evangelho já tinha realmente se espalhado por todo o mundo. Para indicar a universalidade do anúncio evangélico, Lucas usa a expressão “todas as nações do mundo” (v. 5) e enumera 12 povos (vv. 9-11): o número 12 simboliza totalidade.

Ex 19 apresenta a aliança do Sinai e entrega da Lei acompanhada de fenômenos da natureza. São Lucas descreve o Pentecostes cristão do mesmo jeito (vv. 2 e 3). Ele quer mostrar que com o Pentecostes cristão está acontecendo uma Nova Aliança, está surgindo o Novo Povo de Deus regido não por uma nova Lei, mas pelo próprio Espírito de Deus.

Nm 11,10-30 apresenta Deus repartindo do Espírito dado a Moisés aos 70 anciãos para que pudessem organizar o povo. E Moisés exprime seu desejo de que todo o povo recebesse o Espírito de Javé (Nm 11,29). Lucas, aqui, no Pentecostes, mostra este desejo de Moisés se realizando, pois o Espírito Santo desce sobre todos os presentes.

Gn 11 descreve o episódio da torre de Babel, onde Deus confunde as línguas para mostrar que a ambição e o orgulho prejudicam a comunicação e a comunhão. Lá, todos falavam a mesma língua e ninguém se entendia; aqui, todas as línguas diferentes conseguem se entender (v. 11). Lá a linguagem do orgulho e da ambição, aqui a linguagem do amor. Com a linguagem do amor a Igreja é capaz de falar a todos os povos da terra. O que é mais importante: falar muitas línguas, falar em línguas ou falar a linguagem do amor?

2ª LEITURA – 1Cor 12,3b-7.12-13

A comunidade de Corinto, rica em dons espirituais chamados carismas, experimentou também divisões internas, vaidades, ambições, orgulho, exclusões. São Paulo exorta seus fiéis à unidade e comunhão de vida. Podemos dizer que ele dá aqui dois exemplos:

O exemplo da Trindade
Existem dons diferentes, mas o Espírito é o mesmo.
Existem serviços diferentes, mas o Senhor é o mesmo.
Existem diferentes modos de agir, mas Deus é o mesmo.
Temos aqui uma formação trinitária. Pai, Filho e Espírito Santo vivem uma profunda unidade, na comunhão de três pessoas e um só Deus. Nenhuma divisão. Absoluta harmonia. Perfeita comunicação. Infinito amor. Assim deve a comunidade cristã. Todos os dons do Espírito se destinam não à vaidade pessoal, mas para o bem da comunidade, para a utilidade de todos, para a edificação do Corpo de Cristo.


O exemplo de Cristo
Como um corpo tem muitos membros e não perde sua unidade e harmonia, assim também o corpo social da Igreja, que forma o corpo de Cristo. Se não há divisões na vida trinitária, também não poderá haver divisões na vida da Igreja – Corpo de Cristo. Nós fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo. Todos os povos, através do batismo, se tornam irmãos, formam uma unidade, ficam fazendo parte de um só corpo, a Igreja, que é o Corpo de Cristo. E todos bebem de um só Espírito. Tem sentido na comunidade cristã o espírito de divisão, de violência, de ambição, de exclusão? O corpo não é uma unidade maravilhosa, uma harmonia exemplar? A Trindade não é a comunhão perfeita? Pense em você, no seu grupo, na sua comunidade. O que está faltando?

EVANGELHO – Jo 20,19-23

Jesus traz paz e alegria
São João fala do Pentecostes – vinda do Espírito Santo – não 50 dias depois da Páscoa como Lucas, mas no próprio dia da ressurreição de Jesus, na tarde do Domingo da Páscoa. Os discípulos tinham se fechado numa sala, mortos de medo das autoridades judaicas, que ligadas a uma sociedade injusta e opressora, haviam matado Jesus. Jesus ressuscitado entra na sala, pois não há barreiras após a ressurreição. Jesus é o mesmo (“mostrou-lhes as mãos e o lado”), mas o seu corpo é espiritualizado. Jesus deseja a paz messiânica para seus discípulos, transformando o medo deles em alegria.

Jesus traz o Espírito Santo e envia seus discípulos para a missão
Jesus repete a saudação de paz e envia seus discípulos em missão. O Pai enviou o Filho, assim também o Filho envia seus discípulos. Através dos discípulos Jesus continua o projeto do Pai. Quem vai garantir a missão dos discípulos? O mesmo Espírito que garantiu a missão do Filho. Por isso Jesus sopra sobre os discípulos dizendo: “recebam o Espírito Santo”. É o sopro de Deus. Acontece aqui uma nova criação mais perfeita que a primeira acontecida no paraíso (cf. Gn 2,7). Com este sopro de vida nova surge a comunidade messiânica, guiada não através da Lei, mas através do próprio Espírito de Deus. Os discípulos estão agora capacitados para serem missionários, para formarem a nova comunidade messiânica.

O perdão é formador de comunidade
Como os discípulos vão formar comunidades messiânicas? Através do perdão. João distingue entre pecado no singular, que é participar de uma sociedade injusta e exploradora, que exclui e mata e pecados no plural, que são atos concretos daqueles que fizeram esta opção contra a vida. Quem estiver disposto a uma nova opção receberá o perdão dos seus pecados. Quem quiser continuar na injustiça e exploração permanecerá no pecado.

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