Comentários Homiléticos

DOMINGO DA ASCENSÃO DO SENHOR Por 08/06/2019 - Atualizado em 13/05/2019 09h41

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1ª LEITURA – At 1,1-11

A obra de Lucas: Evangelho e Atos (vv. 1-5)
São Lucas escreve uma obra em dois volumes. O primeiro é o seu evangelho, ou seja, a atividade e ensinamentos de Jesus, sob a força do Espírito Santo. O segundo é a atividade e ensinamento dos apóstolos sob a força do mesmo Espírito – os Atos dos Apóstolos. Ele inicia o 2o volume relembrando o primeiro que também foi destinado a Teófilo – o amigo de Deus – ou a todos nós que somos amigos de Deus. Nos primeiros versículos ele faz referência à obra de Jesus e sua instrução aos discípulos, após a Páscoa, durante quarenta dias. Este número quer indicar a plenitude dos ensinamentos de Jesus. Depois Jesus pede que aguardem a promessa do Pai de enviar-lhes o Espírito Santo.

Não se preocupar com o tempo, mas com o testemunho (vv. 6-8)
Os discípulos ainda estão presos às ideias de um messianismo político de restauração da realeza em Israel, e querem saber se já chegou a hora. Jesus responde que isto compete ao Pai. A eles cabe o testemunho em Jerusalém, na Judéia toda, na Samaria e até os confins da terra. É esse, aliás, o programa de atividade traçado por Lucas nos Atos dos Apóstolos. Para testemunhar a verdade sobre Jesus os discípulos receberão a força do Espírito Santo no Pentecostes. Assim como o Espírito atuou em Jesus, atua também na sua Igreja.

A ascensão e a missão
O v. 9 descreve a ascensão: Jesus é elevado e uma nuvem o oculta aos olhos dos apóstolos. Oculto pela nuvem, Jesus pertence agora à esfera divina. Cabe agora aos discípulos continuar a missão de Jesus. Para isso Jesus vai enviar junto com o Pai o Espírito Santo. É isso que os dois anjos querem anunciar. Eles não devem ficar olhando para o céu. Agora começa a missão deles, a missão da Igreja. Jesus não estará mais fisicamentecom eles, mas sua presença continua através do Espírito Santo.

2ª LEITURA – Ef 1,17-23

Agradecimento e súplica
Nas comunidades de Éfeso o amor estava presente e a esperança, sem dúvida, animava a caminhada das comunidades. Podemos falar também da firmeza da sua fé, mas havia ameaças perigosas para a fé. Apareceram alguns ensinando um Deus distante das comunidades, atuando apenas através de entidades intermediárias como soberanias, poderes, forças, dominações; e Jesus não passaria de uma dessas entidades. O autor, provavelmente, um discípulo de Paulo, vai, primeiramente, agradecer a Deus pelas virtudes da fé e do amor presentes na vida das comunidades. Depois vai suplicar a Deus um espírito de soberania e revelação para que as comunidades possam reconhecê-lo em profundidade. Em seguida pede luz para que elas tenham consciência da esperança a que Deus as chamou, da herança que as aguarda e da extraordinária grandeza do poder de Deus em favor dos que crêem.

O poder de Deus em Cristo e o poder de Cristo sobre tudo
A partir do v. 20 o autor relembra o que Deus fez em Cristo, mostrando-se próximo e presente na vida das comunidades. Ele o ressuscitou dos mortos e fê-lo assentar à sua direita nos céus. Esse é um outro modo, o mais comum no Novo Testamento, de falar da “ascensão” de Jesus aos céus não em termos de subida, mas em termos de glorificação. No v. 21, sem polemizar contra as entidades intermediárias, mostra que Jesus está muito acima de qualquer Principado, Autoridade, Poder e Soberania e acima de qualquer nome que se possa nomear não só neste mundo, mas também no vindouro. Jesus é o único Senhor que realizou o projeto do Pai, por isso o Pai colocou todas as coisas debaixo dos seus pés. Quer dizer ele domina sobre tudo (cf. 1Cor 15,14-18). Deus o “colocou acima de tudo como Cabeça da Igreja, que é seu corpo”: a plenitude daquele que plenifica tudo em tudo. Essas ideias sobre a soberania do Cristo estão também bastante claras em Cl 1,15-20. A ideia da Igreja Corpo de Cristo já foi amplamente desenvolvida por Paulo em 1Cor 12. Você tem consciência clara da majestade e soberania de Nosso Senhor Jesus Cristo?

EVANGELHO – Lc 24,46-53

Últimas instruções
Jesus, primeiramente, no final de suas aparições, abre a mente dos seus discípulos para que eles entendessem que estava se realizando tudo o que as Escrituras falavam sobre ele. E os primeiros versículos do texto de hoje esclarecem que as Escrituras falam de seu sofrimento, morte e ressurreição ao terceiro dia e que em seu Nome fosse proclamado o arrependimento para a remissão dos pecados a todas as nações, a começar por Jerusalém. E os apóstolos são as testemunhas do cumprimento das Escrituras a respeito de Jesus. Para isso o v. 49 faz referência à promessa do Pai, ou seja, ao envio do Espírito Santo com a força do Alto para ajudá-los a reler as Escrituras, dar coragem, ativar a memória e a disposição nos discípulos para a pregação, o testemunho e o martírio.

A ascensão de Jesus é vista como o sumo-sacerdote que abençoa e dá vida
Jesus primeiro leva seus discípulos até Betânia, depois ergue as mãos e os abençoa (v. 50) e enquanto os abençoa, distanciou-se deles e era elevado ao céu (v. 51). O v. 52 fala que os discípulos se prostraram diante dele e depois voltaram a Jerusalém com grande alegria. Lucas tem em mente um texto do Primeiro Testamento: Lv 9,22-24. Vejamos as palavras colocadas em negrito: Aarão levantou as mãos em direção ao povo e o abençoou. Havendo assim realizado o sacrifício pelo pecado... entrou na Tenda da Reunião... Diante do que via, o povo gritou de alegria e todos se prostrarão com o rosto em terra. Através desse paralelo percebemos a intenção de Lucas de ver Jesus como Sumo Sacerdote em plena comunhão com Deus. Dele recebemos a bênção da vida. Esse é o tema predileto da carta aos Hebreus: Jesus é o Sumo Sacerdote que derramando seu sangue, entrou no santuário da comunhão definitiva com Deus (céu), por isso tem uma bênção plenamente eficaz.

O v. 52 registra o retorno dos discípulos para Jerusalém. O evangelho de Lucas começa no Templo (com Zacarias) e termina no Templo. O v. 53 diz que os discípulos estavam continuamente no Templo, louvando a Deus.Com a ascensão de Jesus e a vinda do Espírito Santo vai começar o tempo da Igreja.

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