Comentários Homiléticos

6º DOMINGO DA PÁSCOA Por 26/05/2019 - Atualizado em 29/04/2019 09h06

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1ª LEITURA – At 15,1-2.22-29

O texto de hoje não descreve o Concílio de Jerusalém (acontecido no ano 49 d.C.) mas apresenta a introdução com a temática do Concílio e o resultado prático através da carta ou decreto apostólico. Temos, portanto, a introdução e a conclusão.

Introdução 15,1-2
Homens da Judeia sem autorização apostólica (cf. v. 24), ensinavam, em Antioquia, a necessidade da circuncisão para serem salvos. Isto para Paulo anulava o Evangelho de Jesus Cristo. Paulo ensinava que os pagãos pela fé são chamados a fazer parte do povo de Deus, e é pela fé, independentemente das obras da Lei, que eles são salvos. As normas da Lei de Moisés caducaram. Estes dois pontos de vista provocaram uma grande agitação e controvérsia entre eles. A solução foi apelar para os apóstolos e presbíteros de Jerusalém.

O decreto apostólico 15,22-29

A reunião conciliar foi bastante agitada (v.7). Nela tomaram a palavra Pedro, Paulo e Barnabé e depois Tiago. As conclusões foram redigidas numa carta e enviadas para Antioquia. Eis os pontos principais:
- Deixa claro que os homens da Judéia que ensinavam a circuncisão, perturbando a comunidade, não tinham autorização apostólica (v.24).
- Mostra a dignidade e a confiabilidade dos mediadores do conflito (vv. 25-27). Paulo e Barnabé recebem um grande elogio, são considerados “amados” e expuseram suas vidas pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Judas e Silas ficaram encarregados de relatar de viva voz.
Diante dos conflitos e novos desafios pastorais, o Espírito Santo está à frente para orientar as comunidades (v. 28).
- Os apóstolos só exigem o necessário. E fica claro que para se salvar não são necessárias a circuncisão nem a prática da Lei de Moisés. O v. 29 traz as chamadas cláusulas de Tiago que são recomendações transitórias para solucionar algumas dificuldades, em comunidades mistas de judeus e pagãos, para não escandalizar os judeus: comer carnes imoladas aos ídolos, aproveitar o sangue, comer carnes sufocadas que retenham o sangue. Além disso, deveriam abster-se da prostituição ou relações sexuais ilícitas.

2ª LEITURA – Ap 21,10-14.22-23

“Um anjo leva João, em espírito, a um grande e alto monte”. Estar sobre uma montanha é estar mais próximo do céu. A montanha é o lugar onde se experimenta a presença de Deus. Dali ele mostrou para João a cidade Santa, a Jerusalém que descia do céu como um dom divino e vinha com a glória de Deus (vv. 10-11). Ela vinha como esposa, ornada para seu esposo que é o Cordeiro. Aqui, o texto a apresenta como puro dom, como conquista do Cordeiro. Em outros lugares, sabemos que a nova sociedade se funda a partir do anúncio evangélico e como resultado de sua vivência na luta pela justiça e liberdade. No fundo, podemos ver que a cidade santa, chamada de esposa, parece ser a antiga prostituta, que sobreviveria às custas do abuso do poder, da exploração, da violência e do derramamento de sangue (cf. cap. 17). De fato os cap. 21-22 descrevem a Jerusalém celeste com traços paralelos com a antiga Babilônia idolátrica: quadrada, atravessada por uma avenida ao longo de um rio com jardins. Se isso é verdade, só pode ter acontecido pela conquista do Cordeiro imolado e pela luta e testemunho dos seus santos. Cabe a nós, hoje, a tarefa de transformar com a força do Evangelho a sociedade prostituída e idólatra em esposa do Cordeiro.

Quais são as características da cidade vislumbrada por João? Ela tem o esplendor de Deus (v. 11 = jaspe cristalino, cf. 4,3). É uma sociedade perfeita e aberta a todos os povos (v. 12) (muralha com 12 portas – 3 portas abertas para cada um dos quatro pontos cardeais). A perfeição é indicada pelos números perfeitos: o 4 e o 3 e o resultado de sua multiplicação que é 12. A perfeição da cidade é também indicada pela perfeição de suas medidas e pala qualidade do material de sua constituição (cf. vv. 15ss). O Templo, lugar de encontro com Deus através de diversas mediações, foi substituído pelo próprio Deus e pelo Cordeiro a quem o povo contempla face a face (v. 22). Sol e lua também desapareceram, pois a cidade resplandece com a glória de Deus. Sua lâmpada é o Cordeiro (v. 23).

Como transformar a nós mesmos e a nossa comunidade em esposa do Cordeiro? “Sem mim nada podeis fazer”. Mas devemos esperar tudo caindo do céu? Qual é a missão que Cristo nos confiou?

EVANGELHO – Jo 14,23-29

a) Só o amor transforma
A pergunta de Judas - não o Iscariotes (v. 22) - implica numa manifestação de Jesus como Messias glorioso só na linha política, transformando a sociedade através da violência de um exército imbatível. Jesus responde apontando com a arma do AMOR. O compromisso do amor vai transformar a sociedade. Esse compromisso do amor a Jesus tem três consequências:
- Quem ama a Jesus guarda a sua palavra e sua palavra é a palavra do Pai (v. 24).
- Quem ama a Jesus é amado pelo Pai.
- Quem ama a Jesus se torna habitação de Deus.
Estas três consequências podem ser sintetizadas em uma só: quem ama a Jesus assume com ele o projeto do Pai que é o mesmo projeto do Filho: levar a vida divina a todos, principalmente, aos mais excluídos. Não foi para isso que ele foi enviado? Sua vida não foi dada para a transformação do mundo? Quem quiser ser discípulo não deve segui-lo?

b) A ação da parábola (v. 26)
Jesus está se despedindo de seus discípulos, mas a herança que Jesus deixou - seus gestos e ensinamentos - não será esquecida. Em nome de Jesus ou junto com Jesus, o Pai enviará o Espírito Santo sobre os discípulos. Sua missão não é ensinar novidades, pois Jesus, como plenitude da revelação do Pai, já ensinou tudo. “Ensinar e recordar tudo” significa trazer à memória dos discípulos o sentido profundo de todas as ações e palavras de Jesus. O Espírito substitui a presença física de Jesus. É sua presença espiritual junto aos discípulos. É mestre e advogado (= Paráclito) para os discípulos. Ele os capacita no discernimento do que constrói e conduz à vida.

c) Jesus se despede, tranquilizando os seus discípulos (vv. 27-29)
Diante da tristeza e medo dos discípulos, Jesus lhes transmite paz (= shalom), uma paz que não é ausência de conflitos, mas uma certeza da presença de Deus na vida deles, dando-lhes serenidade e coragem até mesmo diante da morte, na convicção de que o bem triunfa sobre o mal, a vida será restituída para todos aqueles que amam o Filho e fazem a vontade do Pai. Eles não precisam ficar com medo, pelo contrário, eles podem ficar alegres, pois Jesus vai para o Pai a quem ele se submeteu totalmente; por isso ele diz que o Pai é maior do que ele. É preciso apenas que eles tenham um amor confiante, pois, conforme ele disse, ele retornará a eles através de seu Espírito Santo.
O que significa força transformadora do amor? É algo alienante ou revolucionário?

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