Comentários Homiléticos

2º DOMINGO DA PÁSCOA Por 28/04/2019 - Atualizado em 15/04/2019 09h16

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1ª LEITURA – At 5,12-16

O texto de hoje é um sumário. Temos vários nos Atos dos Apóstolos. Sumário é um resumo das atividades apostólicas, uma síntese da caminhada, um retrato da Igreja, uma visão de conjunto, às vezes, idealizada (cf. 2,42-47; 4,32-37). No episódio anterior, Ananias e Safira tentam corromper a comunidade, evitando a partilha e a comunhão. Aqui, Lucas mostra a partir dos fatos, o ideal da comunidade. O que temos, de bonito, na comunidade?

Do lado de dentro

- Eles se reuniam em grupo. Hoje temos o grupo na liturgia eucarística e grupinhos de oração e reflexões da Palavra de Deus e as diversas pastorais. O importante é a união.
- Os outros sumários falam da oração e da partilha do pão e comunhão entre eles (cf. 2,42ss).
- O testemunho suscita adesão em massa. A comunidade não se fechava. Vemos aqui um modelo alternativo de comunidade em contraposição à sociedade egoísta (Ananias e Safira) e competitiva.

Do lado de fora ou para fora

- Os apóstolos realizam sinais e prodígios.
- A comunidade era elogiada pelos de fora.
- Alguns de fora reagem e perseguem a comunidade (vv. 13.17ss).
- O povo trazia doentes para as praças em esteiras e camas em busca de milagres.
- Como no deserto, Deus protegia o povo com sua sombra. Aqui até a sombra de Pedro realiza prodígios.
- Até doentes e endemoninhados de cidades vizinhas procuravam os apóstolos e eram curados.
Percebemos que a Igreja continua, na pessoa dos apóstolos, a atividade de Jesus. A Igreja se tornou vida para os excluídos.

O que a Igreja faz hoje de maravilhoso para o povo, principalmente para os excluídos?

2ª – LEITURA – Ap 1,9-11a.12-13.17-19

A experiência que João comunica

O v. 9 revela a experiência e solidariedade do autor com os destinatários. O autor se considera irmão e companheiro, participante da mesma Igreja sofredora, perseguida. Ele se encontra exilado na ilha de Patmos. Exilado por quê? Porque anunciou a Palavra de resistência e combate à opressão e ao mal e deu testemunho de Jesus. Apocalipses são escritos de épocas de crise para trazer força, coragem, perseverança e incentivo à luta. Trazem também consolação e esperança, pois o cristão luta carregando consigo a certeza e o entusiasmo da vitória, que já foi antecipada na ressurreição de Jesus. O autor vai relatar a experiência que ele teve no dia do Senhor, isto é, no dia de Domingo (v. 10). Ele deve depois enviar seu escrito às sete igrejas. O número sete está carregado de simbolismo de totalidade. O escrito deve ser lido pela Igreja na sua universalidade. “Sete” aqui significa portanto, todas as comunidades cristãs.

A visão e descrição do Filho do Homem que é Jesus

O autor vê sete candelabros de ouro. Representam a Igreja, preciosa aos olhos de Deus. O Filho do Homem está agindo no meio dos candelabros. Isto significa que Jesus está atuando dentro da Igreja. ele não se esqueceu dos que sofrem. Os vv. 13ss descrevem simbolicamente Jesus ressuscitado. A liturgia, hoje, salienta apenas a túnica longa, representando o sacerdócio de Jesus e o cinto de ouro, símbolo de sua realeza. Ele é sacerdote que intercede, purifica e santifica as comunidades. É também o rei que carrega antecipadamente a vitória sobre os exércitos do mal. Como rei ele exerce também o julgamento sobre as potências contrárias ao reino.

João reage caindo aos pés da divindade, mas Jesus o conforta e encoraja. Quem tem fé não precisa ter medo, pois Jesus é o Senhor da história (o primeiro e o último). Ele é o vivente, aquele que ressuscitou para viver para sempre e exercer o domínio sobre a mansão dos mortos. O v. 19 é a ordem de escrever o que João viu, ou seja, as coisas que estão acontecendo nas comunidades (capítulo 2 e 3) e as coisas que devem acontecer depois (capítulos 4 - 22), ou seja, o julgamento dos infiéis e a vitória das comunidades, vistos à luz da vitória de Cristo ressuscitado. A experiência que você tem de Jesus o encoraja na luta por um mundo melhor?


EVANGELHO - Jo 20,19-31

a) A criação da comunidade messiânica (vv. 19-23)
Estamos no Domingo de Páscoa. Com sua vitória sobre a morte, Jesus inaugura uma nova era. Percebe-se claramente um contexto de celebração eucarística (é o 1o dia da semana = dia de Domingo. “Ao anoitecer” lembra o costume dos cristãos celebrarem a eucaristia na tarde de Domingo. Presença de Jesus no meio da comunidade alude à presença eucarística. Tudo isto lembra a eucaristia). Os discípulos ainda estão com medo, por isso as portas estão fechadas. Mas com seu corpo ressuscitado Jesus entra assim mesmo e tranquiliza os discípulos, trazendo-lhes a paz daquele que é o Senhor da vida. Os discípulos recobram a alegria ao verem Jesus. Nos vv. 21-23 temos o envio missionário. Os discípulos devem continuar a missão de Jesus sob a garantia do Espírito Santo. Para isso Jesus faz uma nova criação. O sopro de Jesus, relembra o sopro de Deus ao criar o homem. Sopro significa ar, vento, espírito, hálito vital. É o Pentecostes acontecendo no Evangelho de João. Os discípulos recebem o Espírito Santo. O projeto de Deus iniciado por Jesus deve ser continuado. Eis a síntese do projeto de Jesus: Os pecados daqueles a quem vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem não serão perdoados. Pecado para João significa aderir à sociedade injusta que matou Jesus e continua excluindo e oprimindo os filhos de Deus. “Pecados”, no plural, são atos concretos daqueles que estão no pecado de uma opção por um modo injusto de viver, contrário ao projeto de Deus. Quem quiser aderir ao projeto de Jesus pode receber através dos apóstolos e seus sucessores o perdão dos pecados. Infelizmente não é todo mundo que topa. Estes permanecem no seu pecado.

b) A fé amadurecida (vv. 24-29)
O episódio de Tomé ensina que ver Jesus pessoalmente não é o mais importante, pois muitos viram e não acreditaram. Importante é a fé. As testemunhas oculares não estão num plano superior, em relação aos que não viram Jesus pessoalmente. Feliz não é quem viu, mas quem aqui e agora acredita em Jesus e adere ao seu projeto de vida, que inclui todos os excluídos. Num primeiro momento, Tomé simboliza todos os adeptos de uma religião milagreira. É preciso ver para crer. Aqui estão os adeptos das seitas e uma grande parte de católicos, que só andam atrás de milagres, mas não assumem nenhum compromisso com a Igreja. Num segundo momento, Tomé simboliza uma fé autêntica e comprometida com Jesus reconhecendo-o Senhor e Deus.

Uma inclusão no evangelho (vv. 30-31)
Primitivamente o evangelho de João terminava aqui. Depois foi acrescentado o capítulo 21, que também é inspirado. Os versículos 30-31 mostram a função dos sinais. A palavra sinal substitui em João a palavra milagre, usada pelos outros evangelistas. A finalidade dos sinais é suscitar a fé e adesão ao projeto de Jesus. Ele é o Messias o Filho de Deus. Aderir a ele é buscar a vida.

Qual a diferença entre o “pecado” e “pecados”? O que é mesmo ter fé? Você se sente um missionário, alguém renovado pelo sopro de Jesus, e enviado?

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