Comentários Homiléticos

DOMINGO DA RESSURREIÇÃO Por 21/04/2019 - Atualizado em 15/04/2019 09h13

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1ª LEITURA - At 10,34a.37-43

A Igreja de Jerusalém corria o risco de esclerosar-se, fechada em Jerusalém e bitolada no judaísmo. Havia necessidade urgente de abertura. E é Pedro o primeiro a romper com o esquema, com a abertura aos pagãos. O texto, proposto pela liturgia de hoje, salienta parte do sermão de Pedro: seu anúncio sobre Jesus Cristo aos pagãos. Em poucas palavras, ele anuncia a atividade de Jesus de Nazaré a partir do batismo pregado por João.

O anúncio de Pedro sobre Jesus:

• Apresenta o itinerário de Jesus: depois do batismo de João partiu da Galiléia e percorreu toda a Judéia.
• Deus ungiu Jesus com o Espírito Santo e com poder.
• O que Jesus fez é sintetizado no v. 38: “ele andou por toda a parte, e curando a todos os que estavam dominados pelo diabo, porque Deus estava com Jesus”. O que significa curar todos os que estavam dominados pelo diabo? Se levarmos em conta que o diabo estava diretamente relacionado com tudo o que divide, descrimina, aliena, oprime, com tudo o que é mentira, erro e pecado, com todo o tipo de doença, física, mental, então começaremos a entender toda a atividade de Jesus. O que Jesus queria era uma sociedade justa e fraterna com homens livres, respeitosos da dignidade uns dos outros.

O testemunho de Pedro com os apóstolos
Eles testemunham três atividades – a de Jesus a favor do povo – a dos judeus contra Jesus – a de Deus em favor de Jesus. A ação de Jesus foi mencionada acima. Os judeus mataram Jesus, suspendendo-o numa cruz, mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e lhe concedeu aparecer às suas testemunhas e até mesmo tomar refeições com elas.
- Em seguida Pedro fala sobre a missão que Jesus deu aos apóstolos: pregar e testemunhar que Deus o constituiu juiz dos vivos e dos mortos.
- Pedro termina anunciando o que todos os pregadores (= profetas) testemunham: a necessidade da fé em Jesus, para receber o perdão dos pecados.
O que Jesus quer da sua Igreja hoje? Expulsão de demônios no sentido literal como estão fazendo diversas seitas, ou luta pela implantação do Reino com a expulsão do demônio da opressão, da injustiça, da alienação, da exclusão, enfim de toda a forma de pecado?

2ª LEITURA - Cl 3,1-4

No capítulo segundo, Paulo falou sobre o batismo, através do qual o cristão participa da morte e ressurreição de Cristo. Como Cristo morreu e foi sepultado, o cristão também, coberto pela água do batismo, morre para o mundo do pecado. Como Cristo ressuscitou para uma vida nova, também o cristão, emergindo da água, ressuscita para uma vida nova com Cristo. Aqui, Paulo conclui o seu raciocínio. Se os cristãos ressuscitaram com Cristo, eles não pertencem mais a este mundo de pecado. Eles têm, agora, um compromisso novo; não pecar nem buscar mais as coisas da terra, mas sim as coisas do alto, do céu, de onde Cristo reina. A vida do cristão é Cristo; sua vida está escondida em Cristo no céu. Para as coisas do mundo, o cristão já está morto. A vida do cristão só aparecerá gloriosa, junto com Cristo, quando Cristo, que é sua vida, aparecer na sua glória. Que cristão é este que tem a obrigação de viver como se já estivesse ressuscitado? Esse cristão é você, sou eu, somos todos nós. Que estamos esperando para vivermos em profundidade o sentido do nosso batismo?


EVANGELHO - Jo 20,1-9

a) Maria Madalena e o túmulo vazio

No 1o dia da semana (dia de domingo) - o dia da nova criação - Maria Madalena vai ao túmulo. Ela vai visitar o cadáver de Jesus. Ela simboliza a comunidade sem fé, caminhando ainda no escuro. Ela acha que roubaram o corpo de Jesus. Quem não tem fé busca explicações racionais para tudo: houve um roubo. É isso que ela transmite para Pedro e para o discípulo que Jesus amava.

b) Os dois discípulos vão ao túmulo

A comunidade, por falta de fé, não estava reunida. Os dois discípulos correm ao túmulo. O discípulo que Jesus amava chega primeiro, não, simplesmente, porque é mais jovem, mas por causa do amor. Quem ama chega mais rápido, entende mais, acolhe mais, aceita mais. Por respeito, ele não entra, apenas se inclina e vê os panos de linho estendidos. Simbolicamente, o túmulo é para João a cama nupcial, não lugar de morte, mas lugar de encontro com o Senhor da vida, com a comunidade-esposa. Pedro chega, olha e vê tudo: os panos de linho estendidos e o sudário dobrado num lugar à parte. Ladrões não teriam este cuidado de deixar as coisas arrumadinhas. O corpo de Jesus, portanto, não foi roubado. Mas Pedro não chega a conclusões maiores. Ele representa como Maria Madalena neste momento a comunidade ainda incrédula. Então o outro discípulo entrou também. Ele viu e acreditou. Quem ama tem intenções profundas e vai mais longe. O discípulo que Jesus amava percebeu claramente que Jesus ressuscitou.

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