Comentários Homiléticos

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM Por 17/02/2019 - Atualizado em 28/01/2019 13h31

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1ª LEITURA – Jr 17,5-8

Este texto, atribuído ao profeta Jeremias, é uma crítica violenta às tentativas de aliança de Judá com as grandes potências. Judá sempre teve a tentação de confiar nos exércitos estrangeiros ao invés de pôr sua confiança no Senhor. É um fato que conserva sua atualidade. Confiar no homem, em sistemas sociais, políticos ou socioeconômicos, confiar em partidos, nas forças das armas ou em potências internacionais só gera escravidão. A única dependência que liberta e gera vida é a adesão ao Deus da vida. O nosso texto diz duas coisas, seguidas da expressão: “maldito o homem que confia no homem e bendito o homem que confia no Senhor”. É, no fundo, um comentário de Dt 30, 15-19b: “Eis que hoje estou colocando diante de ti a vida e a fidelidade, a morte e a infelicidade(...) Escolhe, pois, a vida para que vivas tu e a tua descendência...” O evangelho de hoje vai seguir o mesmo esquema com as bem-aventuranças dos pobres que põem sua confiança em Deus e as mal- aventuranças dos ricos que confiam em si mesmos.

Como nossos versos comparam o homem que confia no homem e têm seu coração afastado do Senhor? É comparado com os arbustos desfolhados do deserto, que não veem a alegria da floração. Parece que se contentam com a aridez e a secura do ermo. Entretanto, o homem que confia no Senhor é como a árvore plantada junto às águas. Não lhe falta umidade. Não teme o calor. Está sempre verde e dá frutos mesmo em tempos de seca. Este texto serviu de inspiração para o Sl 1 da liturgia de hoje. Quem confia só em si mesmo torna-se auto-sufucenente e tenta ocupar o lugar de Deus, que é o único Absoluto. Quem confia só nas pessoas faz delas um ídolo, um absoluto, e se torna suas escravas. Nossa confiança deve estar no Deus da vida. Na prática da sua vida, em quem você põe sala confiança?

2ª LEITURA – 1Cor 15, 12-16-20

Na comunidade de Corinto, alguns negavam a ressureição dos corpos, não dando assim importância à dignidade do corpo, pois achavam que, quando a pessoa morria, só o espírito que destinava à vida eterna. Conformavam-se com a filosofia grega, que só valoriza o espírito, em detrimento do corpo. Para eles, se Cristo ressuscitou ou não, pouco acrescentava à condição humana. Qual é a colocação de Paulo? Faz parte dos artigos de nossa fé, comum a Paulo, que Cristo morreu e ressuscitou. É isso que os cristãos pregavam e é isto que as Escrituras anunciavam. Como pode, então, quem tem fé, duvidar da ressurreição? Se Cristo ressuscitou, é porque os mortos ressuscitam.

Por outro lado, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou e estamos assim invalidando as Escrituras e as próprias palavras de Cristo. Para Paulo, as testemunhas oculares das aparições são a maior prova da ressurreição de Cristo. Quais seriam as consequências da negação da ressurreição de Cristo? Paulo as enumera. Vejamos:

-Nossa fé seria pura ilusão (v.17).
-A redenção não teria sido realizada, ou seja, todos nós estaríamos ainda mergulhados no nosso pecado sem possibilidade de perdão (v.18).
-Seriamos os mais dignos de compaixão entre todas as pessoas.

Mas na realidade nossa esperança em Cristo não foi colocada só para esta vida, pois Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram (v.20). “Primícias” significa os primeiros frutos de uma colheita abundante. A ressurreição de Cristo como primícias dos que morrem significa que todos nós ressuscitaremos depois dele. Em 1Cor 12, Paulo afirma que somos membros do corpo ressuscitado de Jesus. Daí o respeito que devemos ter pelo nosso corpo e pelas pessoas, pois fazemos parte do Corpo de Cristo e somos destinados à ressurreição, para vivermos para sempre com ele. É assim que tratamos o nosso corpo e as pessoas?

 

EVANGELHO – Lc 6, 17. 20-26

Em Mt 5-7, temos o Sermão da Montanha. Em Lucas, Jesus desce e para em um lugar plano. Então, temos o Sermão da Planície, Em Mateus, temos apenas as Bem-aventuranças. Em Lucas, temos as bem-aventuranças para os pobres e as mal- aventuranças para os ricos.

Qual é o auditório de Jesus? Muitos dos seus discípulos e uma grande multidão vinda de todas as partes. Provavelmente havia pobres e ricos. Pois Jesus se dirige diretamente primeiro aos pobres, depois aos ricos. Que a preferência de jesus é pelos pobres marginalizados, está claro em todo o Evangelho, e o contraste entre as bem-aventuranças e as mal-aventuranças o confirma.

Quem são os pobres?
Um primeiro ponto a chamar a atenção é que o Reino de Deus é dos pobres, por isso são bem-aventurados os felizes. Os pobres são, portanto, desde já cidadãos do Reino. Eles já iniciam a nova sociedade que Jesus veio inaugurar. Eles são os que agora choram e os que terão um futuro conflitivo neste mundo. Pois para eles estão reservados, da parte dos cidadãos deste mundo, o ódio, a expulsão, o insulto e a maldição. Tudo isto porque eles pertencem a Cristo (=o Filho do Homem) e seu Reino. Mas tudo isto deve ser motivo de alegria e exultação, pois esta foi a sorte dos profetas e, como os profetas, também eles terão uma grande recompensa no céu. É por isso que a segunda parte de cada bem-aventurança assegura uma promessa: sereis saciados, havereis de rir...

Porque os pobres têm que passar por tudo isso?
Porque os ricos deste mundo não querem mudanças nas relações sociais. Querem manter seus privilégios, seu status, seus bens. Eles se alegram como sofrimento dos pobres. Seus antepassados já matavam os profetas que anunciavam a mudança através da justiça, da partilha e solidariedade.

Quem são os ricos?
Eles são infelizes, são mal-aventurados aos olhos de Deus e sua recompensa já está na consolação aqui e agora. Amanhã, eles pedirão ao Pai Abraão para deixar Lázaro refrescar a língua deles com uma gota d’água (cf Lc 16, 24), mas não obterão este favor. Eles são os que agora têm fortuna, os que agora riem, os que agora são elogiados. Eles simbolizam os falsos profetas. Amanhã eles vão passar fome, vão ver luto e lágrimas. Nós partilhamos das lutas dos pobres para a construção de uma nova sociedade, onde desaparecerão o orgulho e o egoísmo dos ricos e haverá partilha e solidariedade?

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