Comentários Homiléticos

BATISMO DE JESUS Por 13/01/2019 - Atualizado em 02/01/2019 14h37

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1ª LEITURA - Is 42,1-4.6-7

Este é o 1º dos quatro cantos de um personagem misterioso que aparece no livro do profeta Isaías. Isaías apresenta quatro cantos do "Servo de Deus". 1º) - Is 42,1-9; 2º ) - Is 49,1-9a; 3º ) - Is 50,4-11; 4º ) - Is 52,13-53,12.

Quais são as características deste personagem misterioso?
a) Deus o ama e o chama (vv. 1a e 6a).
b) Ele possui o Espírito de Deus como os chefes carismáticos (juízes e reis de Israel - cf. BJ). A função de quem possui o Espírito de Deus é defender o povo fazendo justiça aos oprimidos.
c) O Servo vai levar o direito (= a Lei) às nações.
d) Ele é, assim, uma espécie de sacerdote mediador entre Deus e os homens.
e) Ele é profeta ou porta-voz do profeta de Deus. Em síntese, o Servo de Deus é rei-juiz, sacerdote e profeta da justiça.

Como age o Servo de Deus?
a) Não age pela força como os poderosos. Age com mansidão na voz.
b) Não deixará morrer o restinho, que ainda fumega na vida do povo (= não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha)...

Sua missão?
a) Restabelecer a aliança com o povo de Israel.
b) Ser luz para todas as nações. Ele deverá abrir os olhos dos cegos (pessoas ou povos, que ainda não enxergaram o projeto de Deus). Libertar os prisioneiros (pessoas e povos dominados por qualquer tipo de dominação).

Quem é o Servo de Deus?
O próprio profeta? Israel diante das nações? Os primeiros cristãos veem nestes cantos do Servo uma clara profecia, que se realiza plenamente em Jesus. Não poderia ser também uma personificação das nossas comunidades cristãs com uma missão de luz e justiça para a sociedade e o mundo paganizado? ( cf. "Vida Pastoral").


2ª LEITURA - At 10,34-38

Este capítulo do livro dos Atos marca a abertura para os pagãos. Os judeus não podiam conviver com os pagãos. Os primeiros cristãos tiveram que romper com esta grande barreira para a propagação do Evangelho. Foi um parto difícil, mas aconteceu com a força do Espírito Santo. O protagonista desta novidade é Paulo.
Pedro está hospedado em casa de um curtidor de peles chamado Simão (10, 6). Curtidor de peles é profissão impura e marginalizada, mas Pedro se identifica com os marginalizados. Pedro é chamado para ir à casa de Cornélio - um pagão - mas "temente a Deus", ou seja, simpatizante com o judaísmo (10,1-5). Na casa de Cornélio, Pedro faz um sermão, onde podemos destacar os seguintes ensinamentos:
a) Deus não faz distinção de pessoas, de raça ou nação. Todo o mundo pode pertencer ao povo de Deus contando que tema a Deus e pratique a justiça.
b) Jesus é o anunciador da Boa Notícia da paz-salvação para todos. Ele é o Senhor de todos os homens.
c) O texto de hoje contém apenas uma parte do sermão de Pedro. Os vv. 37-38 fazem uma síntese do ministério de Jesus, lembrando Seu batismo, Sua unção pelo Espírito Santo, Seu poder, pois Deus estava com Ele, Suas caminhadas missionárias, Suas ações e milagres em favor do povo, curando todo o tipo de enfermidades e nefastas ideologias, que dominavam as pessoas (=demônios).
Com este episódio, narrado em todo o capítulo 10, Lucas (autor dos Atos dos Apóstolos) mostra como, pela força do Espírito Santo, a Igreja rompe as barreiras do nacionalismo judaico e abre as portas para todos os povos considerados gentios ou pagãos.

EVANGELHO - Lc 3,15-16.21-22

VV. 15-16- Quem é Jesus?
Nestes versos percebemos a preocupação do Evangelista em salientar a diferença entre João Batista e Jesus. Para Lucas, João Batista pertence ao tempo da promessa, ou seja, ao Primeiro Testamento.
Ele procura esclarecer a dúvida do povo que estava achando que João Batista já era o Cristo e por isso iria realizar a grande expectativa do julgamento messiânico, tema, aliás, que João pregava. João Batista não é o Messias, ele veio apenas para anunciar a boa obra do Messias que é muito mais decisiva que a sua (cf, Lc 3,7-9).

Quem é Jesus para João?
É aquele que vem e é mais forte do que ele. Quer dizer, Jesus é realmente quem vem para libertar Israel e trazer o juízo definitivo (cf. v. 17).
João não é digno de desatar as correias das sandálias do Messias. Se João Batista já era para o povo um grande profeta, vemos aqui um modo de mostrar, mais que humildade em João, a grande dignidade do Messias, pois João não se considerava digno nem mesmo de ser escravo do Messias. Enquanto João batizava com água como preparação e arrependimento, o Messias batizará com o Espírito Santo e com fogo. Quer dizer, o batismo de Jesus trará santificação para o povo. A menção do Espírito Santo e o fogo pode ser uma alusão ao Pentecoste (cf. At 2,3-4).

VV. 21-22- A unção messiânica

Nestes dois versículos percebemos que Lucas, tendo suposto o batismo de Jesus, chama a atenção para o que acontece depois; Jesus em oração, o céu que se abriu, o espírito descendo sobre Jesus e a voz do céu.

Literalmente, Lucas coloca a prisão de João (v.20) antes do batismo de Jesus. Lucas tem predileção pela oração (cf. 5,16; 6,12; 9,18. 28-29; 11,1; 22,14). Nos momentos decisivos de sua vida, Jesus está em oração. “A abertura do céu” quer mostrar que os céus (a profecia) não se fecharam após os últimos profetas do Primeiro Testamento como pensavam os judeus. Os céus se abrindo, o Espírito desce sobre Jesus e faz de Jesus sua habitação predileta e “natural”, assim como uma pomba desce naturalmente para o ninho. Com essa unção profética está iniciada a atividade messiânica de Jesus. A pomba na tradição jucaico-cristã significa o povo eleito de Israel e a Igreja. A voz celeste (aludindo a Is 41,1 ou Sl 2,7) reforça o caráter profético da missão de Jesus.

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