Comentários Homiléticos

DOMINGO DA SAGRADA FAMÍLIA, JESUS, MARIA E JOSÉ Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 30/12/2018 - Atualizado em 20/11/2018 14h14

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1ª LEITURA - Eclo 3,3-7.14-17a
a) Promessas de Deus para quem honra seus pais
O texto em foco é um breve comentário do 4o mandamento sintetizado pela Igreja nestas poucas palavras: “Honrar pai e mãe”. Ele vem de Ex 20,12: “Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará”. Neste texto percebemos um fruto prometido, uma promessa feita para os filhos que honram seus pais; e a promessa é: “o prolongamento dos dias sobre a terra”. (cf. Eclo 3,7)

No texto do Eclesiástico vemos mais duas promessas básicas: o perdão das culpas (vv. 4.17) e o atendimento das orações (v. 4). Além disso, podemos acrescentar o significado e os benefícios espirituais do amor aos pais: “quem respeita sua mãe é como alguém que ajunta tesouros.” (v. 5). “Quem honra seu pai terá alegria em seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido.” (v. 6).

“Com obras e palavras honra teu pai, para que dele venha sobre ti a bênção.” (vv.9-10)

b) O jeito concreto de honrar os pais
Este 4ª mandamento é detalhado nos vv. 12 e 13:
* Amparo do pai, sobretudo, na velhice (cf. v.14a).
* Não lhe causes desgosto enquanto vive (v. 14-6).
* Mesmo que esteja perdendo a lucidez, sê tolerante com ele (v. 15a).
* E não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida (v. 15b).

c) Conclusão: Deus não esquece os gestos de amor
O v. 15 além do que já foi dito arremata com esta frase confortadora, cheia de recompensa: “A ajuda prestada a teu pai não será esquecida”.

O que dizer daquelas pessoas que por egoísmo ou comodismo abandonam os pais num asilo?

Você se preocupa com a alimentação, a higiene, os remédios dos seus pais idosos, da sua avó, do seu avô?

2ª LEITURA - Cl 3,12-21
A razão de tudo o que o autor vai dizer nestes versículos se encontra no batismo cristão que provoca no ser humano uma transformação radical: através do batismo a pessoa se torna “homem novo”, homem recriado por Cristo. O v. 12 retoma este fundamento da vida nova.

“Portanto, como escolhidos de Deus, santos e amados”. É bom refletir um pouquinho o que Deus faz por nós:

Ele nos escolhe, nos santifica e nos ama. Isto é algo de estupendo, principalmente se lembrarmos que tudo isso acontece sem merecimento algum de nossa parte. É desse gesto de Deus que decorrem gestos novos da nossa parte em relação à família e à comunidade. É aqui que se colocam as exortações do nosso texto: ele nos convida a nos vestirmos de sentimentos de compaixão, ou seja, bondade, humildade, mansidão e paciência.

* Perdão a toda a hora do mesmo modo que o Senhor nos perdoou. Não é supérfluo lembrar que o Senhor nos perdoou, redobrando o amor para conosco através do serviço total que terminou na entrega total, na cruz.

* Por isso o autor vai dizer que a veste do cristão deve ser o amor, pois o amor total é o laço da perfeição. Amar até quem não nos ama, pois foi assim que fez o Senhor.

* O que deve reinar no coração do cristão?

Ressentimento, mágoa, rancor, ódio? Não, de jeito nenhum! Só a paz e a harmonia devem reinar como os membros do mesmo corpo, mais ainda membro do corpo, cuja cabeça é o Cristo (cf. 1,18)

* Os vv. 15-18 recordam a Eucaristia: agradecimento, a riqueza da Palavra de Cristo, instruções, conselhos, salmos, hinos e cânticos espirituais. Tudo inspirado pela graça que brota do coração de Cristo. É assim que deve viver o cristão.

* Palavras e ações do cristão devem acontecer em nome do Senhor Jesus no louvor e no agradecimento por meio dele.

Os vv. 18-21 detalham as obrigações na família:

 * Para as mulheres submissão e docilidade.

* Para os maridos o amor total às esposas e nada de grosserias.

* Para os filhos a obediência, pois é isso que agrada ao Senhor.

* Para os pais o esforço de não irritar os filhos para não levá-los ao desânimo.

Agora uma pergunta intrigante: É assim que você vive? É assim que vive sua família? Por este texto percebemos que a caminhada é muito longa até chegarmos lá. Temos um ideal; não podemos abandoná-lo.

EVANGELHO - Lc 2,41-52
Esta perícope pertence ao “Evangelho da Infância”, onde a preocupação principal do evangelista não é a história propriamente dita, mas a teologia, ou seja, o significado profundo dos acontecimentos. O texto de hoje quer responder à pergunta: “Quem é Jesus, qual é a sua missão?” A ida anual para a celebração da Páscoa em Jerusalém mostra da parte dos pais de Jesus fidelidade à Lei conforme Dt 16,16-17: “Três vezes ao ano, todos os teus homens deverão apresentar-se ao Senhor teu Deus, no lugar que ele tiver escolhido: na festa dos Pães sem fermento, na festa das Semanas e na Festa das Tendas. Ninguém aparecerá perante o Senhor de mãos vazias; cada um fará suas ofertas conforme as bênçãos que o Senhor teu Deus lhe houver concedido”. A lei diz que não se deve comparecer de mãos vazias. Cada um deve levar um dom. Se Lucas não menciona o dom da família de Jesus é porque ele quer lembrar que Jesus é o próprio dom entregue ao Pai.

O israelita, aos 12 anos, já começa a fazer parte do mundo dos adultos, assume sua maturidade religiosa (diante de Deus) e sua maturidade civil (diante dos homens). Assim Jesus está comparecendo ao Templo como obrigação do homem adulto: (... “todos os teus homens deverão apresentar-se ao Senhor teu Deus”).

Esta história da perda e encontro do “menino” no Templo vai revelando aspectos da fé do evangelista ou da comunidade cristã pós-pascal na pessoa do Senhor Jesus.

Jesus só é encontrado três dias depois no Templo (v. 46). É uma referência aos três dias no sepulcro depois do qual ele vai para a Casa do Pai.

Jesus está sentado no meio dos mestres com a admiração de todos. Estes vv. 46-47 revelam Jesus na sua dimensão de mestre, ungido pelo Espírito Santo e cheio de sabedoria (cf. 4,18-19).

A resposta de Jesus a seus pais são suas primeiras palavras no Evangelho de Lucas: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é de meu Pai?” Sintetiza toda atividade de Jesus que viveu em função do Pai e após sua morte (três dias) voltou para a casa do Pai. Mostra sua condição de ressuscitado e glorificado. Mostra sua missão como fruto da sua relação filial com o Pai do céu. Ela brota do coração de Deus e da realização de sua vontade, mas se realiza através do mistério da encarnação, onde Jesus se identifica conosco e vai crescendo na obediência filial “em sabedoria, tamanho e graça diante de Deus e dos homens”. A relação de Jesus com seus pais era uma linda relação de amor e obediência, mas o mistério que envolvia Jesus revela o coração de Maria como coração modelo de todos os discípulos, pois, apesar de não entender o alcance dos segredos de Deus, ela conservava todas essas coisas no coração (cf. 2,19.51b); ia assimilando, assim, o projeto de Deus sem oferecer resistência.

 

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