Comentários Homiléticos

4ª DOMINGO DO ADVENTO Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 23/12/2018 - Atualizado em 20/11/2018 14h10

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1ª LEITURA - Mq  5,1-4a
O profeta Miquéias é contemporâneo do profeta Isaías. A situação política era de corrupção dos líderes; a situação religiosa se caracterizava pela idolatria e, socialmente, a pobreza aumentava. Além de tudo isso ainda havia uma ameaça de invasão às portas de Jerusalém. Mas é provável que este oráculo seja um acréscimo posterior ao profeta. É um oráculo essencialmente voltado para o Messias que deveria chegar. Ele traz as marcas da pregação do futuro Messias com a inversão de valores estabelecidos, mostrando que a salvação vem dos pequenos, vem do povo das periferias, não dos grandes centros da capital. O chefe de Israel virá da humilde Belém, não da orgulhosa Jerusalém. Belém é a cidade de Davi, rei-pastor. Isto significa que o chefe de Israel não terá as características dos antigos opressores do povo, mas será um rei pastor que dará a vida por suas ovelhas. O v. 2º faz alusão ao oráculo messiânico de Is 7,14, onde diz que uma jovem conceberá e dará à luz um filho e seu nome será Emanuel - Deus conosco. Alude também ao retorno do povo que estava exilado na Babilônia. Tudo isto aponta para tempos novos para o povo de Deus. Quais são, em síntese, as características desse novo governo e desse novo rei?

* Ele não vai governar com a força opressora dos exércitos, nem através de mentira e falsidade, mas com a força de Javé, com a majestade de seu nome.

* Será um governo tranquilo e seguro, pois estenderá seu poder até às extremidades da terra.

* Ele próprio será a paz (shalom). Este shalom significa tudo o que o povo precisa, segurança, tranquilidade e plenitude de vida.

* Tudo aponta para o novo rei-messias que se realiza na pessoa de Jesus.

2ª LEITURA - Hb 10,5-10
O trecho retorna à idéia central da carta aos hebreus que é apresentar Jesus como único mediador entre Deus e os homens. Através do seu sacrifício ele supera a instituição cultual do Primeiro Testamento, supera e substitui todos os sacrifícios, supera e substitui a instituição sacerdotal. Ele se torna sacrifício, altar e cordeiro. É o único sacerdote mediador entre Deus e os homens. Qual a novidade do trecho de hoje? Ele mostra a novidade do único sacrifício de Jesus. Os sacrifícios antigos não agradavam a Deus e não eram capazes de perdoar os pecados do povo. Por isso, Deus dá um corpo para o sacrifício de expiação dos pecados. O autor cita o Sl 40,6-8 onde o salmista louva a Deus pelas suas intervenções libertadoras e agradece não através de sacrifícios, que não agradam a Deus, mas através da disponibilidade total para fazer a sua vontade: “aqui estou, Senhor, para fazer a tua vontade”. É isto que acontece com Jesus. Ele superou totalmente a lei suprimindo o primeiro culto baseado em prescrições legais e estabelecendo o segundo culto fundamentado na gratuidade da sua doação total. Eis-me aqui para fazer a tua vontade. Realizando a vontade do Pai, Jesus nos santifica através de seu sacrifício na cruz realizado uma vez por todas.

Qual é o papel de Jesus na sua salvação? Você tem coragem de dizer e assumir esta frase: “eis-me aqui, Senhor, para fazer a tua vontade”?

EVANGELHO - Lc 1,39-45
Estamos no chamado “Evangelho da infância”, que ocupa os dois primeiros capítulos do Evangelho de Lucas. A intenção não é histórica, mas teológica. Nosso texto fala da visita de Maria a Isabel.

Cheia de Deus, Maria se apressa a servir os necessitados, nesse caso, sua parenta Isabel, que estava grávida de seis meses. Esta caridade que o Espírito de Deus-amor provoca em Maria agita a criança no seio de Isabel e de novo o Espírito Santo entra em ação e produz em Isabel revelações maravilhosas sobre Maria. Parece ser o Espírito Santo responsável por estes encontros de amor. No fundo temos o encontro de duas mães agraciadas por Deus: Maria “mãe virgem” e Isabel “mãe estéril”. Temos também o encontro velado de dois filhos benditos: o Precursor: João Batista e o Salvador: Jesus. As palavras inspiradas de Maria são tão bonitas que a Igreja as ajuntou às do anjo Gabriel e compôs a Ave Maria para que todas as gerações, ao menos de católicos, pudessem louvar Maria (cf. 48b). Maria é louvável por ser Mãe de Nosso Senhor e, sobretudo, porque acreditou que todas estas maravilhas que Deus prometeu vão acontecer.

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