Comentários Homiléticos

2º DOMINGO DO ADVENTO Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 09/12/2018 - Atualizado em 20/11/2018 14h07

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1ª LEITURA - Br 5,1-9
O livro atribuído a Baruc, secretário de Jeremias, é um dos sete livros deuterocanônicos. Os livros deuterocanônicos são os livros que faltam na Bíblia dos protestantes. São os seguintes: Tobias, Judite, Sabedoria, 1º e 2º Macabeus, Baruc e Eclesiástico. Também são deuterocanônicos Ester 10,4-16,24 e Dn 3,24-90; 13 e 14.

Embora o livrinho tenha sido escrito provavelmente no séc. II a.C., ele se situa no séc. VI a.C., quando os habitantes de Judá e Jerusalém foram exilados para a Babilônia. A pergunta fundamental é esta: teria Deus abandonado definitivamente seu povo, sua esposa, seus filhos? É claro que não. O livrinho vai mostrar que Deus continua fiel às suas promessas. O que aconteceu foi culpa do povo. “Se houver arrependimento e conversão, poderão confiar no perdão divino: serão reunidos de novo em Jerusalém, que é para sempre a cidade de Deus”. Nosso trecho pretende trazer esperança para Jerusalém, cujos filhos estão dispersos entre as nações.

Quais são os sinais de esperança na misericórdia do Deus libertador?
- A troca de roupa de luto pelo revestimento da glória de Deus. Mudar de roupa é símbolo de libertação.
- Vestir o manto da justiça, que implica na reabilitação do povo, sua conversão e sua confiança na misericórdia do Deus dos oprimidos.
- A coroa de glória na cabeça, que significa o restabelecimento do esplendor de Jerusalém diante das nações.
- Um nome para sempre, que significa uma nova identidade fundada na justiça e na paz.
- O fato de Jerusalém já poder contemplar seus filhos voltando não mais na humilhação (= a pé) como partiram, mas com triunfo numa carruagem real.
- O fato de Deus mandar aplainar os caminhos para o retorno festivo de Israel. Ele quer que seu povo volte por segurança, à sombra de árvores aromáticas, guiado pela própria glória de Deus.
- Tudo isto, porque Deus é misterioso.

A mensagem que tiramos de tudo isso, e que serve para Judá, para a Igreja, para nossas comunidades, para você e para mim, é esta: a misericórdia de Deus, nosso Pai, é maior que todas as crises e tragédias humanas. Relembre alguns sinais da misericórdia do Pai em sua vida, na vida da Igreja e na vida da comunidade.

2ª LEITURA - Fl 1,4-6.8-11
Este trecho pode ser sintetizado em uma oração e em um pedido.

A oração - É uma oração de agradecimento. Paulo não pode lembrar da comunidade sem agradecer a Deus. Filipos é a menina dos olhos de Paulo, ela sempre correspondeu em tudo ao esforço evangelizador do apóstolo e sempre o socorreu em suas necessidades. É uma comunidade participativa que está sempre na vida de Paulo. Por isso ele reza pela comunidade com alegria. Aliás, a alegria é a característica dominante nesta carta. Paulo carrega esta comunidade dentro do seu coração. Ele reza por sua perseverança, na certeza de que Deus não abandona seus filhos, continua agindo no coração de cada um deles. O v. 8 é uma declaração de amor que o apóstolo faz à comunidade.

O pedido - Ele só faz um pedido: o crescimento contínuo do amor, um amor perspicaz, sensível, capaz de discernir o que é melhor para todos. Paulo quer que a comunidade se conserve íntegra e inocente. Só assim a comunidade aparecerá como árvore frondosa repleta de frutos de justiça. Esses frutos brotam da seiva que corre do tronco da videira que é Jesus Cristo. Tudo isso é para a glória e louvor de Deus.

Será que existe essa relação mútua de carinho e amor entre os líderes e o povo de nossas comunidades?

EVANGELHO - Lc 3,1-6
São Lucas para falar da missão de Jesus começa falando da missão de João. Quando termina a missão de João (cf. 3,20; 16,16) começa a missão de Jesus. A história da salvação em Lucas se inicia com o caminho de Jesus (Evangelho) e continua com o caminho das comunidades (Atos dos Apóstolos). Lucas vai mostrar que a atividade de Jesus se situa dentro da história, mas o caminho da salvação que Jesus traz não passa pela história oficial, que não salva, mas condena, não liberta, mas oprime.

Lideranças políticas
Imperador do Império Romano: Tibério César. Procurador da Judeia: Pôncio Pilatos. Administrador da Galiléia: Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, que mandou matar as crianças de Belém (cf. Mt 2,13-18). Administrador da Ituréia e Triconítide: Filipe. Administrador de Abilene: Lisânias. Todos estão a serviço do poder central que estava em Roma.

Lideranças religiosas judaicas
Sumos sacerdotes: Anás e Caifás. Anás do ano 6 ao ano 15 e Caifás do ano 17 ao ano 37. Anás, apesar de ter perdido o poder, continuava com grande prestígio e influência. Também estes estão atrelados ao poder romano.

Estas são as lideranças religiosas com as quais Jesus convive e as quais Jesus enfrenta antes da sua morte. Também o precursor teve que enfrentá-las. São lideranças que oprimem o povo, abafam a voz dos seus líderes e os conduzem à morte (cf. 3,20; 9,9).

A missão de João Batista
João recebe a Palavra de Deus no deserto. O deserto relembra a passagem da opressão egípcia para a libertação. O povo de Deus é chamado novamente a uma nova vida. João de fato prega um batismo de conversão para o perdão dos pecados. A história oficial é uma história de pecado, mesmo a história religiosa, pois as lideranças estão a serviço do poder e não a serviço do povo. João prepara o povo para se afastar do regime opressor e assumir uma vida nova com aquele que está chegando. Ele veio exatamente para preparar os caminhos de Jesus. A voz de João é um eco da voz do profeta Isaías (40,3-5). Como o profeta anunciava o fim do exílio e o início da libertação, também João anuncia o fim da “história oficial” com seus caminhos tortuosos, suas montanhas de violência, opressão e crimes, vidas vazias de justiça e de Deus. Agora está chegando um novo soberano que iniciará uma nova história de justiça, de paz, de amor. Ele trará a salvação de Deus não apenas para o povo judeu, mas para todos os povos.

 

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