Comentários Homiléticos

17º DOMINGO COMUM Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 29/07/2018 - Atualizado em 24/07/2018 13h55

A+ a-

1ª LEITURA - 2Rs 4,42-44
Em torno do grande profeta Eliseu surgiram muitas histórias de milagres, lendas e fatos admiráveis. O capítulo 4 registra alguns para mostrar a força do profeta na sua admirável sintonia com Deus e com o seu povo.

O texto de hoje é um milagre, sem dúvida, fantástico, mas narrado com muita simplicidade. Mas o texto do evangelho de hoje vai mostrar como Jesus supera de longe o grande profeta. Um homem oferece a Eliseu 20 pães de cevada e espigas de trigo novo. Os pães eram dos primeiros frutos da terra. Eram as primícias que todo o agricultor tinha que oferecer a Deus em sinal de agradecimento. Parte das ofertas ficava para o ofertante, que deveria partilhá-las. Na verdade, Deus não fica com nada, ele se contenta com o gesto de reconhecimento e da abertura de coração de quem oferece com alegria. Deus é o Senhor absoluto de tudo o que temos e somos. Ele quer mesmo é ver os bens da criação partilhados. Daí a ordem de Eliseu mandando distribuir os pães para o povo.

 Com uma misteriosa atração para o egoísmo e o acúmulo, sempre achamos motivos para não partilhar: “Como vou distribuir tão poucos pães para cem pessoas?” Eliseu não é egoísta. Ele está cheio da caridade de Deus. Cheio de fé ele insiste na partilha e acrescenta a razão de sua fé, pois “assim diz o Senhor: comerão e ainda sobrará”. Os pães foram distribuídos e as 100 pessoas comeram à vontade e ainda sobrou. Realmente o pouco com Deus é muito. No Brasil vivemos a fartura para poucos e a miséria absoluta para um terço da população. O que é que está faltando? Na sua casa é ensinada a partilha?  Prevalece o amor-doação ou o egoísmo-retenção? Seus filhos são acostumados a participar do ofertório da missa? A família entrega agradecida e feliz, 10% (o dízimo) de todos os bens recebidos de Deus?

2ª LEITURA - Ef 4,1-6
Os capítulos 4-6 da carta aos Efésios tratam de exortações morais decorrentes da doutrina que foi apresentada nos 3 primeiros capítulos. Deus, em Jesus Cristo, cria o homem novo. Este homem novo tem um modo novo de se comportar. O homem faz agora parte do corpo de Cristo; então a união dos homens entre si numa vida de comunidade é preceito fundamental.

Parece que o autor faz três pedidos-exortações: Primeiro, que a comunidade se comporte de maneira digna da vocação cristã. Segundo que seja humilde, amável, paciente e tolerante no amor; e terceiro, que procure conservar a união no espírito pelo laço da paz. É a paz que é capaz de unir, é o amor que gera convivência fraterna. Para isso uma precisa cultivar pessoalmente a humildade, a mansidão e a paciência.

 O motivo para tudo isso vem logo em seguida: a comunhão, a comum união em torno de Cristo, formando um só corpo. Há na verdade um só corpo, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai. Ele é Pai de todos, está acima de todos, age por meio de todos e está em todos. Em síntese, somos chamados a ser uma nova criatura. O homem novo é o homem em Jesus Cristo voltado para o Pai em unidade com o Espírito Santo.

EVANGELHO - Jo 6,1-15
Jesus, qual novo Moisés, vai libertar o povo. A travessia do mar da Galileia relembra a travessia do Mar Vermelho. Jesus está realizando um novo êxodo, libertação definitiva do povo. Como Moisés, Jesus também sobe ao monte. E o pão que Jesus distribui relembra o maná do deserto. Mas devagarzinho a gente vai percebendo que o milagre de Jesus supera o do profeta Eliseu, e o pão que Jesus dá supera o maná, pois, “quem come deste pão tem a vida eterna”.

Jesus experimenta o coração de Filipe, sua fé e sua caridade. O texto nos prepara para a grande novidade de Jesus: seu coração compassivo, a partilha como solução. O sistema de acúmulo, de compra e venda só gera diferença de classes: ricos cada vez mais ricos à custa de pobres cada vez mais pobres.

André tem uma boa intuição, uma grande sensibilidade: mas com pouca esperança. Pelo menos ele soube valorizar a criança e o que ela trouxe. A criança (em grego paidarion = menino ou menor que trabalha sem remuneração) era desprezada junto com os pequenos empobrecidos. Vamos perceber que com Jesus a solução vem dos pequenos, vem de baixo. Os grandes, os de cima só têm planos capazes de alimentar seu próprio egoísmo, sua própria ganância. Os olhos de André cheios de humanidade (André=homem), enxergam um caminho, mas seu coração ainda não conhece a partilha. É o mesmo pensamento do ajudante de Eliseu (1a leitura). Jesus, porém, manda os homens (em grego = “andrés”) se assentarem na grama. Eram uns cinco mil homens. Todos se assentam - gesto de homens livres. Jesus os está libertando. A diferença dos números com relação ao milagre de Eliseu destaca a superioridade de Jesus. Jesus toma os pães e os peixes, agradece ao Pai e os distribui.

É interessante que Jesus agradece ao Pai de quem procedem todos os bens da criação. Ele não agradece nem ao menino, nem a André. Jesus está reconhecendo que os bens da criação pertencem ao Criador e devem ser distribuídos para todos. Outro fato curioso é que é o próprio Jesus quem distribui. Ele está ensinando a partilha. Quem acumula para depois partilhar é vencido pelo egoísmo. Jesus manda os discípulos recolherem as sobras depois que todos já estavam satisfeitos. Recolher as sobras pode lembrar o respeito pelas espécies eucarísticas, pois este milagre é símbolo da Eucaristia. O no 12 relembra a comunidade cristã - o novo povo de Deus. A partilha deve ser a marca da nova comunidade. O povo reconhece em Jesus o profeta esperado e quer forçá-lo a receber a coroa dos reis deste mundo. Não entenderam o sinal de Jesus. Jesus se retira de novo, sozinho, qual Moisés, para o monte. Mais tarde Jesus vai subir num monte determinado e no trono da cruz vai assumir sua realeza dando a vida.

voltar
Receba artigos e notícias da CNBB Leste 2 Cadrastre seu e-mail...
Av. João Pinheiro, 39, 2º andar
Boa Viagem, Belo Horizonte - MG
30.130-183   Trace sua rota...


+55 (31) 3224-2434  -  3224-0017
© 2014 - 2017 CNBB Regional Leste 2 - Todos os direitos reservados.