Comentários Homiléticos

14º DOMINGO COMUM Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 08/07/2018 - Atualizado em 04/07/2018 13h24

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1ª LEITURA - Ez 2,2-5
Ezequiel profeta-sacerdote atuou junto ao povo exilado (593-571a.C.). O profeta estava prostrado por terra por causa da visão que ele estava tendo da glória de Deus. Da visão ele recebeu um comando para ficar de pé (v. 1) e nele entrou um espírito que o pôs de pé. Sua prostração lembra a situação do povo de Deus prostrado no Exílio. O espírito que o põe de pé é o espírito de profecia que é capaz de orientar o povo em dificuldades, é o espírito que levanta o moral do povo abatido. Mas será que os israelitas exilados ouvirão a voz do profeta?

O que diz o texto sobre a predisposição do povo? Javé os chama de cabeça dura e coração de pedra, nação rebelde (vv. 3-4). Quem é esse povo? É o povão simples ou é a elite de dirigentes? Sem dúvida, o texto se refere às elites que, por causa de sua dureza de coração e surdez ao apelo profético, levaram todo o povo para o exílio. Sem dúvida esta elite de coração endurecido e rebelde não dará atenção à voz do profeta. Mas não importa! Estes vv. 3-5 registram a missão profética e sua rejeição. Deus quer salvar seu povo, por isso envia seus profetas. Se as elites não acolhem a voz de Javé, pelo menos ficarão sabendo que houve um profeta entre eles (v.5). Essa rejeição ao projeto de Deus por parte das elites do poder é coisa apenas do passado? Observe o seu redor e traga o texto para o contexto de hoje. Veja o que acontece em âmbito municipal, estadual e nacional. Os profetas de hoje são escutados? O povo está sendo atendido em suas necessidades básicas?

2ª LEITURA - 2Cor 12,7-10
É preciso ler os versículos iniciais do capítulo 12 para entender o v. 7. É que Paulo estava recordando as visões e revelações que o Senhor lhe havia feito. Esse grande privilégio poderia levar-lhe à vaidade e orgulho. Não é isso que anda acontecendo com tanta gente que estudou, que fez um curso na comunidade, que ocupa um cargo político ou religioso? Aqueles que sentem na pele esta situação devem ler e reler o v. 7: “E para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho é que me foi dado um espinho na carne, um anjo de satanás, que me esbofeteia e me livra do perigo da vaidade”.

“O que é este espinho na carne?”
Uma pista de solução é apresentada no v. 10: fraquezas, afrontas, necessidades, perseguições, desgostos diante dos resultados dos trabalhos. Estes espinhos são os conflitos da missão, da evangelização, da pastoral. Eles brotam de dentro do agente de pastoral e também pressionam do lado de fora. Conflitos que vêm de dentro: “fraquezas e necessidades”, medo, insegurança, despreparo, falta de recursos materiais e humanos. Conflitos que pressionam de fora para dentro: afrontas, perseguições, invejas, calúnias (quem consegue escapar da língua do povo!). Você não possui um espinho na carne? O que é que o fere mais? Se você não pode superá-lo, é preciso aprender a conviver com ele. Às vezes a gente acha que Deus tem obrigação de remover nossos espinhos (v. 8). Quando insistimos com Deus, ele nos responde: “Basta minha graça, porque é na fraqueza que a força chega à perfeição” (v. 9). Paulo a partir daqui nos revela que sua glória está não nas suas obras de evangelização, mas exatamente em suas fraquezas, carências e conflitos, porque é a partir daí que habita nele a força de Cristo. “Pois quando me sinto fraco, então é que sou forte”. E você, onde você coloca suas glórias?

EVANGELHO - Mc 6,1-6
Segundo Marcos Jesus entra três vezes numa sinagoga (1,21; 3,1 e 6,2). Esta é a terceira e a última. No capítulo 3º, Jesus funda uma nova família ligada a ele pelos laços do Espírito (vv. 13-19.33-35). Depois ele rejeita sua família religiosa - os judeus (vv. 22ss), sua família carnal - seus irmãos (vv. 31ss) e sua família geográfica - seus conterrâneos de Nazaré (texto de hoje). Aqui, aliás, ele se despede da sinagoga, pois, se no início temos a admiração dos seus conterrâneos (v. 2), no final é Jesus que se admira (v. 6). De que Jesus se admirou? Exatamente da incredulidade do seu povo. Assim percebemos que a admiração do v. 2 é de incredulidade e de rejeição. Isto fica mais claro a partir das quatro perguntas que os seus conterrâneos fazem:

1ª e 2ª perguntas: “Donde lhe vem tudo isso? Que sabedoria é essa que lhe foi dada?” O povo não quer acreditar que um dos seus tenha tanto a dar. Aqui temos suspeita, incredulidade e preconceito: se eles sabem de onde vem Jesus, ele não pode ser o Messias! (cf. Jo 7,27).

3ª pergunta: E estes milagres que se fazem por suas mãos? A final, quem está por trás? Em Mc 3,22 os escribas afirmavam que é o chefe dos demônios que estava por trás. Será que seus conterrâneos chegam a tanto?

4ª pergunta: Aqui temos um esclarecimento e uma síntese das primeiras 3 perguntas: “Por acaso não é ele o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e Simão? E as suas irmãs não vivem aqui entre nós?” Agora partiram para a desmoralização e o deboche! Quando se substituía o nome do pai pelo da mãe (a não ser que o pai já tivesse morrido) significava desprezo. Essa falta de fé, preconceito e rejeição impedem Jesus de fazer muitos milagres no meio deles. Jesus se sente profeta rejeitado pelos seus. E ficou admirado por tamanha incredulidade! O mistério da encarnação, do tornar-se homem como nós, encontra obstáculos até hoje. Inculturar-se, ser um com os outros, reconhecer que Deus age a partir dos pobres e pequenos, isto não o escandaliza? Você acredita mesmo na força dos fracos?

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