Comentários Homiléticos

NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 24/06/2018 - Atualizado em 21/05/2018 10h37

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1ª LEITURA - Is 49, 1-6
1. Quem é o Servo?
Estamos diante do 2º canto do Servo do Senhor, no livro do profeta Isaías (1º canto = 42,1-9; 2º canto = 49,1-9a; 3º canto = 50, 4-11; 4º canto = 52, 13-53,12). Quem é esse servo? Pode ser uma pessoa, talvez até o profeta; pode ser visto também coletivamente, a comunidade. Aqui neste 2º canto, o v. 3 aponta para esta direção, quando diz: "Você é o meu servo, Israel, e eu me orgulho de você”. Mas os versos 5ss, referindo-se à restauração de Israel, parecem indicar que o Servo é o profeta, que simboliza Israel. Ele é o profeta, com a missão de restaurar Israel no retorno do exílio; e é Israel, com a missão de ser luz para as nações. Os evangelhos vão ver a realização plena da figura do Servo na pessoa de Jesus. E hoje nada impede de vermos, na figura do servo, cada agente de pastoral, cada cristão comprometido.

2. A vocação do Servo
A vocação do Servo, descrita nos vv. 1 e 2, está bem próxima da vocação do profeta Jeremias (Jr 1, 4-10). Este 2º canto do Servo do Senhor é um texto vocacional que insiste na missão. O profeta Isaías começa o texto abrindo os horizontes da vocação do Servo. Faz uma exortação às ilhas e povos distantes a prestarem atenção. No v. 1b, ele recorda sua vocação. Revela sua consciência de que os desígnios de Deus são insondáveis; antecipam nossa resposta e até mesmo nosso existir. Deus nos conhece pelo nome antes que nossa mãe nos dê à luz. Deus nos chama desde o ventre materno. É esta a consciência do Servo.

3. E qual será mesmo a sua missão?
Sua missão é anunciar a Palavrado Senhor: "Ele fez da minha língua uma espada afiada". Um anúncio exigente, difícil, comprometedor, decisivo ("espada afiada”, “seta pontiaguda"). Provavelmente se refere à restauração da justiça e do direito. Mas o Senhor será sua proteção, pois o esconde com a sombra de sua mão e o guarda no estojo das flechas.

Qual é a finalidade do anúncio? É "trazer de volta Jacó e reunir Israel para ele (Deus)" (v. 5). Isto implica reunir e organizar o povo, liderando-o no movimento de libertação; isso implica a organização político-social e a justa distribuição das terras (cf. vv. 8-9a). Esta missão não é fácil. O v. 4a apresenta as dificuldades que ameaçam o servo: cansaço, sentimento de inutilidade, fraquezas, dúvidas. Mas o Senhor acha que esta primeira finalidade ainda é muito pouco para o servo e amplia mais ainda a sua missão. Sua missão é ser luz para as nações, para que a salvação do Senhor chegue até aos confins da Terra (cf. v. 4.6).

4. Onde está a força do servo?
Sua força é o Senhor. Sua confiança no Senhor é inabalável. Além de toda a proteção carinhosa (v. 2), o Senhor se orgulha do seu servo (v. 3); ele é seu defensor e sua recompensa (v. 4). O v. 5 ainda salienta que o Senhor glorificará seu servo, ele é sua força.

2ª LEITURA - At 13, 22-26
Para a festa da "Natividade de João Batista", a Liturgia destaca um texto intercalado dentro do primeiro sermão de Paulo na Sinagoga de Antioquia. O tema do discurso não é João Batista, mas Jesus. A ideia chave é a salvação, fruto da ressurreição de Cristo. Trata-se da catequese habitual de Paulo sobre Jesus - sua morte, sua ressurreição e glorificação. Paulo mostra a fidelidade de Deus às suas promessas. Para isto ele retoma os fatos principais da História do Povo de Deus, ou da história de Deus com seu povo até culminar em Jesus. Ele relata tudo abreviadamente. Assim do v. 22, falando de Davi, ele passa para o v. 23 já salientando Jesus. No v. 22 ele apresenta apenas um perfil positivo de Davi (cf. Sl 89, 20) "com traços que podem convertê-lo em tipo do futuro Messias". O v. 23 afirma que da linhagem de Davi, segundo a promessa, Deus tirou Jesus como Salvador de Israel. E agora entra a alusão a João Batista (vv. 24-25), como precursor de Jesus. João é o último elo da corrente das promessas divinas. Depois dele vem Jesus, como realizador de todas as promessas. Preparando a chegada de Jesus, João prega um batismo de penitência, de arrependimento a todo o povo de Israel. Neste discurso, Paulo dá grande importância a João Batista, salientando suas palavras, sua atuação como aquele que batiza com um batismo de arrependimento, sua sinceridade e fidelidade à missão (ele não é o Cristo como o povo estava pensando) e sua profunda humildade diante de Jesus – o esposo do Novo Israel – a Igreja. João afirma que não tem o direito de tirar as sandálias dos pés de Jesus. Esta frase é uma provável alusão à lei do levirato (cf. Dt 25, 5-10). Na verdade, Jesus é o verdadeiro esposo que não cede seu direito. O v. 26 com nova introdução retoma o v. 23, que falava diretamente de Jesus como realizador das promessas. A mensagem de salvação é dirigida a todos e esta mensagem de salvação é Jesus, do qual João foi o precursor.

EVANGELHO – Lc 1, 57-66.80
Nestes versículos, São Lucas narra o nascimento de João Batista, como um acontecimento maravilhoso, onde o dedo de Deus está presente. Relembra o nascimento de Isaac, filho de pais idosos e mãe estéril. João, de fato, nasce de uma mãe idosa e estéril. É um milagre do Deus da misericórdia, em favor dos pobres e marginalizados. É verdade que Zacarias era sacerdote, mas ele era pobre e Isabel era marginalizada por ser estéril. Os vizinhos reconhecem que o "Senhor a trata com tanta misericórdia, por isso se alegram e se congratulam com ela" (v. 58). Ao circuncidar o menino (rito que equivalia ao nosso batismo hoje) querem dar-lhe o nome de seu pai Zacarias. Mas a mãe faz uma intervenção, dando ao filho o nome de João, exatamente para salientar a intervenção miraculosa e misericordiosa de Deus. De fato, João significa "Deus é misericórdia". Deus começa a construir uma história nova, com os pobres de Israel, pois o nome indica o programa de vida da pessoa. A misericórdia de Deus começará a agir. Quem dá o nome na tradição judaica é o pai, não a mãe. Por isso, perguntam ao pai por sinais, pois ele não podia ouvir nem falar. Ele confirma o nome de João, escrevendo numa tabuinha. Todos se espantam, pois está claro que o dedo de Deus está presente em todos esses acontecimentos. Mais uma prova disso é que Zacarias imediatamente começa a falar e bendizer a Deus (v. 64). Também isto se torna para todos um sinal. Os vizinhos se espantam de novo diante da maravilha, do milagre, da intervenção clara de Deus. A notícia se espalha e o povo pergunta: "O que este menino irá ser?" Eles reconhecem que este menino é de futuro. No v. 66, o evangelista escreve expressamente: "pois a mão do Senhor o acompanhava”. O v. 80 salienta que o "menino crescia, fortalecia-se espiritualmente, e viveu no deserto até ao dia em que se apresentou a Israel". Este v. 80 relembra personagens famosos corno Sansão (Jz 13, 24-25), Samuel (l Sm 2, 21), Elias, que também mora no deserto (l Rs 17). João é filho de sacerdote, mas ele vai romper com as instituições de Israel, vai ficar distante do Templo e do culto. Ele será o precursor dos novos tempos que virão com Jesus.   

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