Comentários Homiléticos

9º DOMINGO COMUM Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 03/06/2018 - Atualizado em 21/05/2018 10h27

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1ª LEITURA – Dt 5, 12-15
Deuteronômio 5 trata, como Ex 20, do decálogo. O texto de hoje fala do 3º mandamento, dando as motivações. Qual é o motivo do "descanso sabático" para o livro do Deuteronômio? É a libertação do Egito. O escravo não tem direito ao descanso. O povo de Deus não é mais escravo, ele foi libertado, por isso ele deve descansar e sentir sua liberdade. E não apenas a sua, mas sentir a liberdade de toda a criação, inclusive dos animais e naturalmente também da terra de onde se tira o sustento. Os judeus guardam o sábado, mas no tempo de Jesus o sábado já não era mais festa de libertação e alegria. O legalismo farisaico absolutizou o sábado e ele se tornou motivo de escravidão e peso para o povo. Jesus então liberta o povo desse jugo. Nosso sétimo dia não é o sábado judeu, mas o domingo cristão, exatamente pelo mesmo motivo, a libertação que Jesus nos trouxe com sua ressurreição. O 1º dia de trabalho agora é a 2ª feira e o nosso sétimo dia é o domingo. Será que todo o povo cristão está conseguindo sentir-se gente livre, libertada por Jesus, com direito ao descanso e ao louvor àquele que o libertou?

2ª LEITURA – 2Cor 4, 6-11
Temos aqui um trechinho da autobiografia de Paulo. Em 11, 16ss ele desenvolve mais. Os agentes de pastoral não poderiam ver aqui o seu auto-retrato? Carregamos em vasos de barro, que somos nós, a graça misericordiosa e salvífica do amor de Deus. Dentro do apóstolo brilha o clarão da luz de Deus que resplandece na face ele Cristo (v. 6). Essa responsabilidade enorme para gente fraca como nós, agentes de pastoral. Somos como vasos de barro. Portadores da luz de Deus, não temos nenhum motivo de glória, pois esse poder pertence a Deus, não a nós (v. 7). Os versos 8-11 apresentam uma série de conflitos enfrentados por Paulo e que conhecemos também de perto em nossa vida. Mas, diante de cada conflito, temos uma contraposição, temos um "mas", que quer mostrar a força de Deus, que anima, conforta e incentiva aqueles que trabalham pela implantação do Reino. Enfrentar o anti-reino tem, é claro, consequências pesadas, de sacrifício, de dificuldades, de dor e até de morte, pois o mesmo aconteceu com Jesus. Mas desânimo, derrota, abandono, aniquilamento não existem no apóstolo de ontem e de hoje, pois o Espírito de Deus, que deu força e vida nova a Jesus, está presente também em nosso corpo mortal para suscitar-lhe a vida.


EVANGELHO – Me 2, 23 – 3, 6
Do cap. 2 até 3, 6 temos 5 controvérsias de Jesus com seus adversários. O texto de hoje apresenta as duas últimas.

2, 23-28 - Aqui Jesus vai libertar os discípulos do peso da lei que mata a vida.
Não tem sentido uma lei que prejudica e vai contra a vida do homem. Os fariseus mal-intencionados exageram as coisas. Dizem os fariseus que os discípulos estavam violando a lei do repouso sabático. Mas o que, na verdade, a lei proibia? A lei proibia passar a foice na plantação do outro (cf. Dt 23, 26). Era isto que os discípulos estavam fazendo? Não. Os discípulos apenas abriam caminho e, como estavam com fome, colhiam algumas espigas para comer. O Antigo Testamento não proibia este gesto. Mas os discípulos fazem isto no dia de sábado. Para o legalismo farisaico isto é absurdo. Entretanto para Jesus absurdo mesmo é ficar com fome no meio de tanta comida, pois a vida é mais importante do que a lei. Com a Bíblia na mão, ou, pelo menos, na ponta da língua, Jesus apresenta o exemplo de Davi e seus companheiros, que comeram os pães sagrados por causa da fome (vv. 25-26; cf. 1 Sam 21, 2-7). Em seguida, Jesus mostra sua autoridade sobre a lei do sábado e declara que é o sábado que está a serviço do homem e não o homem a serviço do sábado.

3,1-6 - A 5ª controvérsia quer mostrar que a lei está a serviço da vida.
A pergunta de Jesus é capciosa, inteligente e sem saída, para aqueles que acham que o homem foi feito para o sábado, para aqueles que acham que a lei é mais importante do que a vida. "O que a lei permite no sábado: fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matá-la?” Fariseus e herodianos sabem a resposta que, aliás, até uma criança sabe. Mas, por causa da dureza dos corações deles, eles não respondem. Jesus fica até triste com tanta maldade e covardia. O sábado deixou de ser dia de libertação para eles. Jesus então cura.            

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