Comentários Homiléticos

2º DOMINGO DA PÁSCOA Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 08/04/2018 - Atualizado em 04/04/2018 11h31

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1ª LEITURA - At 4,32-35
Lucas pretende tirar sua comunidade da acomodação, e incentivá-la a uma vida mais solidária e fraterna; para isto pinta o ideal da comunidade primitiva, generalizando acontecimentos particulares de abnegação e generosidade. O retrato da comunidade primitiva idealizada por Lucas se manifesta na unidade de coração e de alma. É uma verdadeira comunhão de bens. Nada de egoísmo, nada de acúmulo; tudo era colocado em comum. Além deste grande sinal de comunhão, os apóstolos ainda faziam outros grandes sinais que testemunhavam a ressurreição de Jesus. O fato de Lucas insistir no fato de que ninguém passava necessidade e de que todos partilhavam os seus bens, vendendo o que possuíam e entregando os seus bens aos apóstolos, talvez queira mostrar que o maior sinal, o maior testemunho que os cristãos podem dar, como fruto da ressurreição de Jesus, seja mesmo a partilha, a comunhão de vida. Jesus deu sua vida para que todos pudessem formar uma família nova, solidária, justa e fraterna. A comunhão eucarística só tem sentido se for sinal do esforço novo de vivermos tentando formar uma comunidade nova com menos traços de morte.

2ª   LEITURA - 1Jo 5,1-6
A primeira carta de João procura combater um grupo carismático que foi exagerando no seu espiritualismo e acabou se afastando da comunidade. Este grupo ensinava que a salvação vem através de um grande conhecimento religioso independente da prática da vida. Eles se achavam melhores do que os outros, mais santos, mais íntimos de Deus, mais iluminados pelo Espírito, livres do pecado. No fundo, negavam que Jesus-homem era o Messias prometido. Eles espiritualizavam demais Jesus a ponto de negar sua humanidade e, além disso, não davam importância à essência da vida cristã que é o amor ao próximo.

O autor vai, portanto, insistir na fé em Jesus - Messias, no amor e no cumprimento dos mandamentos. Quem tem fé nasceu de Deus, venceu o mundo do pecado, do desamor, da injustiça, por isso não acha pesado os mandamentos. A síntese dos mandamentos é o amor ao próximo. A vitória que vence o mundo é nossa fé em Jesus-homem, mas ao mesmo tempo Filho de Deus. Mas o que é a fé? É a adesão a Jesus na sua solidariedade com os homens. Solidariedade manifestada desde o batismo na água, assumindo o compromisso de solidariedade com os pecadores até o batismo no sangue, dando a vida pelo perdão dos pecados. Através do batismo e do amor-doação, até o martírio, se for preciso, é que demonstramos nossa fé que vence o mundo. E é através do Espírito que somos capazes de viver este testemunho-martírio. Portanto, o espiritualismo da fé se esvazia e desvirtua, se não levar à prática do amor-doação.

EVANGELHO - Jo 20,19-31
Fundação da comunidade Messiânica
Temos aqui a fundação da comunidade Messiânica que vai dar sequência ao projeto de Deus. Estamos no primeiro dia da semana (v.1.19); é o anoitecer do novo dia; é uma nova era inaugurada pela vitória de Cristo Jesus sobre a morte. Estamos num contexto eucarístico; o cordeiro imolado se apresenta com os sinais da morte, mas cheio de vida, desejando a plenitude dos bens messiânicos para todos: shalom = paz. Jesus afugenta todo temor. Seu corpo glorificado está livre de qualquer barreira (entrou com as portas fechadas). A alegria para os discípulos é a nota dominante.

O Envio para a Missão
Segue o envio para continuar a missão de Jesus sob a garantia do Espírito Santo (v.21). O Pentecostes no evangelho de João já está acontecendo com este sopro divino, relembrando o sopro no início da criação do homem. Uma nova criação está acontecendo. O projeto de Deus é retomado com o perdão dos pecados. Pecado (no singular) para João é adesão ao sistema iníquo que matou Jesus. Pecados (no plural) são os gestos concretos que decorrem desta opção injusta. Quem se fecha ao projeto de Deus permanece em seus pecados. Neste texto sobre o perdão dos pecados em Jo 20,22-23 está o grande fundamento bíblico para o sacramento da confissão dos pecados e do perdão administrado pela Igreja através do sacerdote.

Quem é mais feliz e mais importante?
Talvez o episódio de Tomé tenha sido acrescentado para dizer que os que não viram Jesus não são inferiores às testemunhas oculares. O importante mesmo é a fé e o compromisso com o projeto de Jesus. A figura de Tomé está simbolizando todos aqueles cuja fé não é pura, não nasce da experiência de amor da comunidade, mas depende de milagres, de sinais extraordinários. Mas Tomé dá um testemunho bonito: “Meu Senhor e meu Deus”. É a maior profissão de fé do quarto evangelho. Ele vê Jesus como Senhor e como Deus. É Deus que exaltou seu Filho Jesus e o colocou onde estava no princípio junto de Deus, como Senhor da Glória com igual dignidade com o Pai (cf. início do evangelho 5,18 e 10,33). Tudo termina com a única bem-aventurança no evangelho de João: “Felizes os que não viram e creram”.

Vivo minha religião buscando milagres em meu favor, ou me dedicando ao serviço dos outros e da comunidade?

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