Comentários Homiléticos

4º DOMINGO DA QUARESMA Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 11/03/2018 - Atualizado em 19/02/2018 15h10

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1ª LEITURA - 2Cr 36,14-16.19-23
Estamos no finalzinho do Segundo Livro das Crônicas, que é também o final da Bíblia Hebraica. O cronista faz uma síntese da história do povo de Deus destacando de um lado a infidelidade do povo e do outro lado a fidelidade de Deus. Por que Judá foi parar no exílio? Por causa da má conduta dos seus dirigentes políticos e religiosos e também do povo: infidelidade, idolatria e profanação. Deus tinha dó do povo e enviava-lhe continuamente mensageiros. Mas qual era a reação? Zombarias, desprezo, gozação. Deus usa uma pedagogia diferente. Ele permite que o povo sofra as consequências da própria irresponsabilidade. Assim, Jerusalém foi destruída pelo inimigo que era a Babilônia e o Templo de Deus foi incendiado. O povo responsável pelo rompimento do projeto de Deus foi deportado e se tornou escravo (ano 586 a.C.). A citação de Jeremias lembra que um dos pecados das elites de Judá foi não respeitar a lei do repouso da terra a cada sete anos (Lv 26,34-35). Essa lei lembra que a terra era de Deus e que essa não podia ser fonte da exploração do povo por parte da ambição dos ricos. A terra tem assim um repouso forçado. Parece que está tudo acabado por causa da infidelidade do povo. Mas não se pode esquecer que o projeto de uma vida fraterna e solidária não é do homem, mas de Deus; é promessa de Deus para o homem e Deus nunca é infiel em suas promessas. Deus faz renascer a esperança do povo usando o rei da Pérsia, Ciro, para libertar o seu povo (ano 538 a.C.) e recomeçar a reconstrução do Templo. Com a reconstrução do Templo de Jerusalém o povo vai recomeçar a ter liberdade e vida.

2ª LEITURA - Ef 2,4-10
Poderíamos salientar no trecho de hoje dois pontos: Primeiro: Deus é muito bom, ele nos ama profundamente não por causa do que fazemos de bom, mas por causa de nós mesmos, pois somos criaturas dele, criados em Cristo Jesus; sem Deus estamos mortos. Sua bondade, seu amor se traduzem em misericórdia e perdão, através de Jesus Cristo que nos fez reviver. Segundo: o autor lembra a questão da fé e das obras ou a questão da graça e do mérito. O que nos salva não é o que fazemos, mas o que Cristo fez por nós. Duas vezes o autor salienta que é pela graça que somos salvos. Então a gente não deve fazer nada de bom? É claro que deve. O que a gente não deve é fazer nada de mal, pois nós não fomos criados para fazer o mal, mas o bem. “Somos criados em Cristo Jesus para as boas obras que Deus preparou de antemão, afim de que nelas caminhássemos”. Precisamos de um texto mais claro? Assim não podemos nos gloriar de nossas boas obras, pois o mérito não é nosso, mas do Pai. Mas sempre que fazemos boas obras tomamos consciência de que aceitamos a salvação de Deus e de que já estamos de certo modo “ressuscitados no céu em Cristo Jesus”.

EVANGELHO - Jo 3,14-21
Nosso trecho faz parte do diálogo de Jesus com Nicodemos. Podemos destacar os seguintes pontos:

1º) No deserto foi preciso que Moisés levantasse uma serpente de bronze, para que quem fosse mordido por cobra ficasse curado, olhando para a serpente (Nm 21,8-9). Uma pequena observação sobre as imagens. É curioso que a serpente sempre foi símbolo de idolatria. Por que o Primeiro Testamento conserva este texto perigoso, quando na maioria das vezes proíbe fazer imagens para adorar. É que essa imagem da serpente não está curando por força própria, mas pelo poder de Deus. Por isso não pode ser confundida com ídolo. A imagem dos santos é muito menos perigosa e tem um papel muito mais fraco, pois apenas lembra que o santo foi totalmente consagrado ao único Deus de poder e de amor que se manifestou em Jesus Cristo. As imagens na Igreja apontam todas para um único Deus e Senhor. Portanto o uso das imagens nada tem de idolatria. Provocam, sim, o contrário, uma caminhada de fé em direção ao único Deus que com seu poder e seu amor transformou a vida daquele santo, cuja imagem é apenas um retrato. Voltando à comparação da serpente levantada por Moisés, Jesus mostra que ele também será levantado numa cruz para curar, dar a vida eterna a todos aqueles que foram mordidos pela serpente do pecado e da morte.

2º) Como a gente alcança a vida eterna? Sabendo reconhecer e acolher na vida a grandeza do amor misericordioso de Deus, que foi capaz de entregar seu Filho único para dar a vida aos que nele crerem. Este reconhecimento e esta acolhida significam a adesão de fé à pessoa de Jesus crucificado e ressuscitado.

3º) Para que Jesus veio ao mundo? Para trazer-nos salvação não condenação. A decisão se dá pela fé aqui e agora; crer é ser salvo, não crer é ser condenado. É bom lembrar que o núcleo da fé é a ressurreição; quem nega a ressurreição, nega Jesus. O que dizer dos espíritas e das religiões que acreditam na reencarnação?

4º) Como se dá o julgamento? O julgamento acontece não por decisão, decreto de Deus, mas por decisão do homem. É uma questão da preferência do homem que aceita Cristo como luz que ilumina nossas ações. Quem faz boas obras acha bom, porque a verdade de suas ações aparecem. Quem faz más obras acha ruim, porque se sente condenado, desmascarado e por isso odeia a luz.

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