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Comentários Homiléticos

4º DOMINGO DO TEMPO COMUM Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 28/01/2018 - Atualizado em 22/12/2017 09h54

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1ª LEITURA -  Dt 18, 15-20
Nosso texto trata do ofício de profeta em Israel. O profeta prometido deve comprometer-se exclusivamente com o projeto de Deus, ser seu porta-voz. Os falsos profetas das religiões vizinhas eram comprometidos com o poder religioso ou o poder político. Estavam a serviço da classe dominante.

O texto de hoje faz lembrar o medo que o povo tem do contato direto com a transcendência de Deus. Por causa disso, Deus vai suscitar do meio do povo um profeta semelhante a Moisés, ou seja, íntimo de Deus, forte, corajoso, mediador entre Deus e os homens, o fiel porta-voz de Deus. O povo não deve escutar a voz de falsos profetas e Deus pedirá contas de quem não escutar a mensagem do seu porta-voz. Esta é a responsabilidade do povo. Mas também o profeta terá uma responsabilidade diante de Deus. Se ele falar em nome de outros deuses, ou falar em nome de Deus coisas que ele não mandou, este profeta deverá morrer. O Novo Testamento vê em Jesus a realização deste oráculo sobre o profeta semelhante a Moisés. Jesus é o novo libertador que ensina com autoridade; é aquele que o povo deve hoje escutar. Como a própria Palavra de Deus feita carne, Jesus é o mais fiel porta-voz do Pai.

Diante das ameaças do Deuteronômio para os falsos profetas, o que dizer de tantas distorções da mensagem evangélica por parte das seitas e das igrejas eletrônicas? A serviço de quem elas estão? De Deus ou do dinheiro? Seus exorcismos, bênçãos e milagres estão realmente ajudando o povo ou servem claramente para manipulá-lo e aliená-lo de um verdadeiro compromisso político e social! Muitos, consciente ou inconscientemente, estão a serviço das grandes potências, que injetam neles rios de dinheiro para, através de sua pregação alienante,  poderem mais facilmente dominar os países do 3° mundo. E nós, pregadores bem intencionados, não precisaríamos também nós de um exame de cons¬ciência?

2ª LEITURA -  1 Cor 7, 32-35
Aqui, Paulo está preocupado em justificar a opção pela virgindade, que não era vista com bons olhos no Primeiro Testamento, quando o ideal era casar-se e ter muitos filhos, pois assim o povo de Deus iria crescendo. Para o Segundo Testamento, a virgindade é uma virtude e um dom especial de Deus. O povo de Deus cresce através do anúncio da Palavra. Assim, ficar liberado para servir o Senhor e ser porta-voz de sua mensagem torna-se mais importante que qualquer outra condição, pois o tempo é curto. Conservar a virgindade evita as dificuldades presentes (v. 2b), as tribulações da carne (v. 28) e as preocupações mundanas (v. 33). O texto de hoje deseja aos não-casados poupar-lhes as preocupações do mundo.

De certo modo, a pessoa casada está dividida, ‘servindo a dois senhores’. Deve agradar ao Senhor e agradar ao cônjuge. Paulo gostaria que o cristão tivesse a grande chance de agradar apenas ao Senhor e ser, assim, santo no corpo e no espírito, ou seja, ter um coração indivisível. Mas o apóstolo fica com medo de uma má interpretação com sua ênfase na virgindade e termina esclarecendo mais ainda suas motivações: “Isso lhes digo para o seu bem, não para armar uma cilada, mas visando o que é digno, o que lhe permite estar perto do Senhor sem distrações.” A preocupação do apóstolo é o alto grau de santidade que ele deseja para o cristão. Isso não quer dizer que não se possa ser santo no casamento, mas, sem dúvida, é um caminho mais árduo e cheio de justificáveis preocupações terrenas.

EVANGELHO -  Mc 1, 21-28
Estamos em uma Sinagoga, em dia de sábado. A sinagoga era lugar de ensinamento e aprendizagem. Lugar da comunhão com a Palavra libertadora. Sábado era o dia sagrado, quando se celebrava a vida e a comunhão com Deus. Curiosamente, ali dentro está uma pessoa distante do sagrado (possuída de um espírito impuro) e distante da vida, pois o endemoninhado é marginalizado por aqueles que ensinam na sinagoga. Era o próprio ensinamento da sinagoga que marginalizava as pessoas. Ali se veiculava o espírito impuro das ideologias dos poderosos, que, para dominar, marginalizam e alienam as pessoas.

Jesus entra naquele ambiente e começa a ensinar. Todos se espantam. Seu ensinamento é libertador, tem autoridade, é diferente do ensinamento dos escribas. Ele desmascara e arruína a ideologia dos que dominam e marginalizam. Marcos não mostra o conteúdo do ensinamento de Jesus, mas seu efeito. Marcos registra apenas a prova da autoridade nova com a qual Jesus ensina. A prova é sua prática libertadora. Jesus expulsa o demônio da ideologia opressora que se apossara daquele homem. Ele sabe quem é Jesus: o santo de Deus.

Mas Jesus o impede de revelar sua verdadeira identidade. Jesus quer, por enquanto, segredo sobre sua messianidade, pois todos esperavam um Messias político, que libertaria o povo através das armas. O Messianismo de Jesus é de outra ordem. Ele quer restituir a cada ser humano sua verdadeira dignidade. Todos se admiram do gesto de Jesus. Ele não é um curandeiro, um mágico. Ele traz, sim, “um ensinamento novo com autoridade”. Até os espíritos impuros obedecem às suas ordens. E sua fama se espalhou por toda a redondeza da Galiléia.

 

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