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Comentários Homiléticos

NATAL DO SENHOR Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 25/12/2017 - Atualizado em 21/11/2017 11h41

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1a LEITURA - Is 9,1-6
Hoje vamos ler um trechinho messiânico do 1o livro do profeta Isaías (1-39). A situação é de trevas. A Assíria invadiu e dominou parte do Reino do Norte (Zabulon e Neftali). Aqui entra uma projeção messiânica do profeta Isaías, que, depois, o Segundo Testamento vai ler à luz de Jesus. Quer dizer, este oráculo vai-se realizar com o nascimento, paixão, morte e ressurreição de Jesus.

O profeta fala de uma grande luz em meio às trevas, fala do fim da pressão do inimigo, o que vai gerar uma grande alegria e festa no meio do povo, como acontece por ocasião da colheita ou pela distribuição dos despojos de guerra. É a vitória dos pobres. São 3 os motivos da grande alegria: a destruição dos instrumentos (canga, carga e vara); a queima dos símbolos da violência ( a bota do soldado e o manto ensanguentado); e, acima de tudo, o nascimento de um menino-rei, menino-esperança para o povo sofrido. Seu nome revela sua eficiência em relação ao povo: é “Conselheiro admirável” mais sábio que Salomão; é “Deus-forte”, portanto, superior a Moisés; é Príncipe da Paz, um líder capaz de restituir a justiça e defender a vida do povo, criando para todos a paz messiânica como plenitude de todos os bens. As consequências de tal administração só podem ser paz sem fim, solidez e justiça de modo duradouro. Tudo isto é obra do amor zeloso do Senhor todo poderoso.

2a  LEITURA - Tt 2,11-14
Tito é um dos colaboradores de Paulo. A carta é escrita por volta do ano 65. Quer lembrar que a salvação foi trazida por Jesus Cristo e quais são os princípios gerais do comportamento dos novos convertidos.  Em Jesus se manifesta a graça de Deus para a salvação de todos. Esta graça de Deus, que é a sua ação salvífica, provoca em nós três atitudes: a ruptura com os esquemas desse mundo, a busca contínua de um vida de equilíbrio, justiça e piedade e, finalmente, uma esperança que não decepciona, esperança de participar na glória de nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus, por ocasião de sua vinda. Por fim, o autor define quem é Jesus e quem são os cristãos. Jesus é aquele que deu a vida por nós. Sua morte é vista como resgate, ou seja, como a compra de escravos no mercado. Somos, portanto um povo que agora pertence a Jesus, resgatado e purificado de toda maldade e ação pecaminosa. Daí o sentido da ruptura com a maldade do mundo. Ainda estamos no mundo mau. Nossa missão agora é praticar o bem, construir um mundo justo e fraterno.

EVANGELHO - Lc 2,1-14
As narrações de Lucas 1 e 2 são mais teológicas do que históricas. Tudo é narrado à luz da morte e ressurreição de Jesus, ou seja, quando o evangelista escreve, ele já coloca nos episódios da infância toda a doutrina que a comunidade cristã acreditava sobre Jesus como o Filho de Deus, Salvador do mundo e Senhor da história. 

O Texto
O texto de hoje procura enquadrar Jesus dentro da história, lembrando o decreto do imperador Augusto sobre o recenseamento de todo o Império Romano. E isto aconteceu quando Quirino governava a Síria. Então Maria e José sairam de Nazaré e foram registrar-se em Belém. Como não havia lugar para eles, eles se alojaram numa gruta. Lá, Maria deu à luz Jesus e o colocou-o numa manjedoura. A Boa Nova do nascimento de Jesus foi anunciada pelos anjos aos pastores. “Nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor”. Qual foi o sinal deixado pelo anjo? Um bebê num coxo de animais. De repente apareceu uma multidão de anjos cantando glórias a Deus nos céus e desejando paz aos homens na terra.

Mensagem
A salvação de Deus não vem do trono dos poderosos, mas dos pobres e humildes. Jesus não nasce em Roma, capital do Império Romano ou na grande Jerusalém, mas na humilde Belém. Não nasce no centro, mas na periferia, não nasce num trono, mas num coxo. Os caminhos de Deus são diferentes dos caminhos dos homens!

Jesus é o Salvador, o Messias, o Senhor, mas não veio para dominar e explorar como os reis, deste mundo. Veio para servir como o Bom Pastor, por isso nasce não na capital, mas em Belém, cidade de Davi, rei-pastor.

Jesus já é marginalizado desde o seu nascimento, nasceu pobre e rejeitado, sem lugar.

Os primeiros beneficiários da salvação são os pobres na pessoa dos pastores, que eram rejeitados e marginalizados por causa da sua conduta. Estes, de fato, não respeitavam as propriedades alheias, invadindo-as com seus rebanhos. O texto diz expressamente: “nasceu para vocês um Salvador”; para eles, para os pobres, os marginalizados, os de má fama.  Jesus não veio para os autossuficientes e para os que se achavam perfeitos, bons, cheios de saúde.

Qual foi o grande sinal de Deus para os pastores? Não tem nada de maravilhoso, de milagroso aos olhos dos homens, apenas um menino pobre deitado num coxo. Quem é capaz de ver hoje Jesus nos pequenos e marginalizados é capaz de perceber e acolher o grande mistério da Salvação de Deus.

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