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Comentários Homiléticos

SOLENIDADE DE PENTECOSTES Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 04/06/2017 - Atualizado em 22/05/2017 13h43

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1ª LEITURA -At 2,1-11
Quando Lucas escreve, São Pedro e São Paulo já tinham morrido; o evangelho já tinha chegado aos confins do mundo, que, naquele tempo, se considerava que fosse Roma. Todos os povos já tinham ouvido o anúncio da Boa Nova! Lucas quer mostrar a universalidade do povo de Deus. Pentecostes era a festa que comemorava a Aliança do Sinai, que aconteceu 50 dias depois da Páscoa, ou seja, depois da libertação do Egito. Era a antiga "festa das 7 Semanas", celebrada 50 dias após o início da colheita das espigas (cf. Dt 16,9-10). Como a Páscoa, a festa das Semanas passou a fazer parte da história da salvação, celebrando a Aliança do Sinai. Lucas quer apresentar a Igreja como Novo Povo de Deus, por isso, com um artifício literário, coloca o Pentecostes cristão também 50 dias após a Páscoa cristã, que é a ressurreição de Jesus. O Pentecostes cristão relembra, pois, a Aliança do Sinai, onde o povo de Israel tinha feito Aliança com Deus recebendo a Lei. O Povo da Nova Aliança recebe o próprio Espírito de Deus, por isso mesmo é um povo sem fronteiras, povo universal. Lucas vai mostrando esta relação com o episódio do Monte Sinai, através da lembrança de alguns termos como o "barulho vindo do céu", "a forte ventania", "as línguas como de fogo". Tudo isto são alusões aos relâmpagos, trovões e o fogo do Sinai (cf. Ex 19,16-19). O Espírito prometido em 1,8 está sendo dado neste momento (cf. Nm 11,10-30 - outro texto, onde Lucas se inspirou). A Igreja, agora, está capacitada para percorrer pela Judéia, Samaria e ir até aos confins do mundo dando testemunho de Jesus.

Ela agora fala a língua de cada povo. Sua linguagem é a linguagem do amor e da unidade. É a língua do Espírito de Jesus capaz de propagar a todos os povos as maravilhas de Deus. Ela está bem distante da linguagem egoísta, cheia de amor próprio e interesseiro da "Torre de Babel" (Gn 11,1-11), onde ninguém entendia ninguém. A linguagem de Babel dividia os povos, a linguagem da Igreja unifica os povos.

2ª LEITURA - 1Cor 12,3b-7.12-13
No primeiro capítulo de 1Cor vemos a comunidade dividida em diversos partidos. Paulo está preocupado com a unidade da comunidade. Nos capítulos 12 a 14 ele vai orientar sobre os diversos dons da comunidade e retoma o tema da unidade, salientando a unidade na diversidade. São dois os critérios básicos para o discernimento de todos os dons. O primeiro critério é o primeiro e fundamental dom que a Igreja recebeu no Pentecostes: O ESPÍRITO SANTO. O segundo critério para saber se um dom vem do Espírito Santo é sua utilidade para o bem comum. O texto, na primeira parte, relembra o Pai (Deus), o Filho (o Senhor Jesus) e o Espírito Santo. Três pessoas numa harmonia perfeita. Parece que Paulo coloca a Trindade como fonte e princípio de unidade na comunidade. Dons, serviços e atividades são diversos, mas tudo provém de um só Deus uno e trino; e tudo tem sentido se for colocado para o bem da comunidade, que é o corpo de Cristo. A comunidade é, assim, o reflexo da Trindade. Paulo, na segunda parte, compara a comunidade como um corpo composto de muitas partes. Somos muitos, mas, batizados no mesmo Espírito, formamos um só corpo com Cristo. E é de um só e mesmo Espírito que tomamos nosso alimento espiritual, unificador e gerador de vida.

EVANGELHO - Jo 20,19-23
A vinda do Espírito Santo para João acontece no mesmo dia da ressurreição de Jesus. Estamos na tarde do domingo de Páscoa, momento em que a comunidade cristã celebrava a Eucaristia. As portas estão fechadas, porque os discípulos ainda não tinham a coragem de escancará-las e anunciar a vitória da vida sobre a morte. Faltava-lhes ainda a força do Espírito Santo. Para Jesus ressuscitado não existe mais barreira física. Ele aparece como Cordeiro vitorioso no meio deles e lhes deseja vida em abundância, todos os bens messiânicos com sua saudação de paz. A comunidade se enche de alegria por reconhecer Jesus, agora, na qualidade de Senhor da vida. Segue-se a missão. O Enviado do Pai envia seus discípulos em missão. Como capacitação e garantia da missão, eles recebem o Espírito Santo. Eles são renovados, são recriados, para formar uma comunidade nova. Em Gn 2,7 o sopro de Deus gerou vida. Este mesmo sopro acontece de novo numa nova criação, gerando a comunidade messiânica. A característica fundamental desta nova comunidade é o perdão. Quem não se exercitar no perdão está fora da comunidade. Os discípulos recebem a autoridade para dar ou reter o perdão. É o sacramento da penitência que está sendo instituído. E ele supõe compromisso renovado. Não é um ato mágico, mas um compromisso de vida nova para romper os grilhões da morte. João distingue pecado, no singular, que significa um modo próprio de viver compactuando-se com o sistema opressor gerador de morte, e pecados, no plural, que são gestos concretos e próprios de quem vive mergulhado na injustiça, opressão e morte.

Quem se omite e insiste em cruzar os braços na luta contra a corrupção, contra as injustiças dos políticos, donos do poder e mantenedores da miséria do povo, pode receber o sacramento do perdão?

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