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Missa em memória às vítimas pelo rompimento da barragem de Fundão é celebrada em Mariana Por Departamento arquidiocesano de comunicação de Mariana 06/11/2018 - Atualizado em 06/11/2018 14h10

 Missa em memória às vítimas pelo rompimento da barragem de Fundão é celebrada em Mariana
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Atingidos e atingidas de toda a Bacia do Rio Doce e do litoral do Espírito Santo estiveram reunidos na noite dessa segunda-feira, 5 de novembro, no Santuário de Nossa Senhora do Carmo, em Mariana (MG), para fazer memória dos três anos do rompimento da barragem de Fundão. O maior crime socioambiental do Brasil matou 19 pessoas, destruiu casas, ruas, comunidades e acabou com a biodiversidade do Rio Doce.

A celebração foi presidida pelo coordenador arquidiocesano de pastoral, padre Geraldo Martins, e concelebrada pelos padres Alex Martins, Geraldo Barbosa, Wander Torres e Jaime Gonçalves.

“Fazemos memória para que esta tragédia jamais se repita, para que os responsáveis sejam punidos de acordo com a lei, para que os atingidos e atingidas sejam devidamente reparados, compensados e indenizados, para que nossa Casa Comum volte a ser respeitada, para que o Rio Doce volte a ser sinal de vida e esperança para os que dependem dele”, disse padre Geraldo Martins.

Ele ainda ressaltou, em sua homília, três aspectos que têm sido a razão da perseverança e da conquista dos atingidos: a fé, a união e a luta por justiça. “Em primeiro lugar destaco a fé desses irmãos e irmãs. Penso ser esse o primeiro e principal elemento que tem mantida acesa a chama da esperança no coração dos atingidos e atingidas. A fé é a fonte que os tem saciado e fortalecido nesta caminhada de luta e resistência. Não uma fé alienada ou alienante que os leva ao conformismo ou aceitação passiva do que lhes querem impor. Mas uma fé viva, dinâmica que os faz ver também com a razão aquilo a que têm direito. Uma fé que lhes ilumina o caminho da vitória. Uma fé que alimenta sua esperança contra toda esperança”, afirmou.

Sobre a união, padre Geraldo pontuou que se antes as comunidades atingidas já eram unidas e viviam uma amizade que lembrava as primeiras comunidades cristãs, na relação de parentesco, de vizinhança, partilhando a vida e os bens, na fraternidade, hoje, essa união se mostra sobretudo na comunhão de ideias, na luta por objetivos comuns. “Essa união é fundamental para que se alcance a vitória na busca de seus direitos. Exorto-os a continuarem firmes nessa união, mesmo nas diferenças que caracterizam a pessoa humana. Tenham como modelo de união e de comunhão a Santíssima Trindade que habita em vocês. Não se dividam”, ressaltou.

O último aspecto que o presbítero sublinhou foi a luta por justiça dos atingidos e atingidas. “Não fosse a determinação de vocês, nascida de sua fé, de sua esperança e de sua união, certamente, tudo estaria ainda mais difícil. Nessa luta não lhes tem faltado a presença de aliados e parceiros que sofrem com vocês, choram com vocês, pensam com vocês. Muitos deles estão aqui, celebrando esse dia. Manifestam com gestos concretos, na doação da própria vida, sua solidariedade, sua compaixão. Muitos deles já se tornaram íntimos de vocês. Mais que amigos, são irmãos. Como isso é consolador! Também neles e por eles, não tenho dúvida, Deus se faz presente na caminhada de vocês”, disse.

A missa foi abrilhantada pelo coral São Bento, da comunidade de Bento Rodrigues. Ao final da celebração a comunidade realizou uma ação de graças ressaltando as lutas, as conquistas a esperança.

Para o atingido, José do Nascimento (Zezinho do Bento), a celebração foi muito bonita. “Participar da missa é sempre importante, principalmente hoje, dia 5. Não podemos esquecer das 19 pessoas que perderam suas vidas. Precisamos sempre continuarmos unidos em oração”, disse.

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