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Esperança e resistência marcaram a 3ª Romaria das Águas e da Terra da Bacia do Rio Doce Mais de 2.000 romeiros vindos das Dioceses da Província Eclesiástica de Mariana participaram da caminhada em Ponte Nova Por Departamento de arquidiocesano de comunicação de Mariana 08/06/2018 - Atualizado em 08/06/2018 15h13

Esperança e resistência marcaram a 3ª Romaria das Águas e da Terra da Bacia do Rio Doce
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Em clima de fé, esperança e resistência a 3ª Romaria das Águas e da Terra da Bacia do Rio Doce foi realizada nesse domingo (3) em Ponte Nova. Refletindo sobre o tema "Bacia do Rio Doce, nossa Casa Comum", a caminhada reuniu mais de 2.000 romeiros das dioceses da Província Eclesiástica de Mariana para reafirmar o compromisso com os atingidos pelo rompimento da barragem do Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, em toda a extensão da Bacia Hidrográfica do Rio Doce.

“Queremos nesta Romaria testemunhar a nossa fé, o nosso compromisso de cidadania, em defesa da vida e de nossa casa comum, a mãe terra. Renunciamos aqui esse sistema econômico centrado no dinheiro, que tem necessidade de saquear a natureza para manter este ritmo louco de consumo. Um sistema predatório que leva a exaustão dos bens da natureza, que sacrifica a mãe terra, por ser um sistema injusto e excludente”, ressaltou o coordenador arquidiocesano da Dimensão Sociopolítica, padre Marcelo Santiago.

Acompanhados pelas imagens de Nossa Senhora Aparecida e São Francisco, os romeiros, além de atingidos e representantes de movimentos e sindicatos, caminharam pelas ruas da cidade levando faixas, cartazes e cruzes. As margens do Rio Piranga os participantes realizaram um ato simbólico de abraçar o rio e jogar água limpa no rio.

“Estamos às margens do Rio Piranga. As margens de um dos principais afluentes do Rio Doce para rezar pelos rios e córregos que compõem essa bacia. A quinta bacia hidrográfica do Brasil em extensão e com uma enorme população. O Rio Doce nasce nas proximidades de Mariana e deságua no estado do Espírito Santo. Estamos aqui para protestar contra esse crime socioambiental de responsabilidade das empresas mineradoras, que depois de mais 2 anos e meio quase nada foi feito para salvar a vida da Bacia e na Bacia do Rio Doce”, afirmou padre Nelito Nonato Dornelas, da diocese de Governador Valadares (MG).

O encerramento da romaria foi na praça Palmeiras com uma missa presidida pelo administrador apostólico da arquidiocese, dom Geraldo Lyrio Rocha. A celebração contou com a presença de vários padres.

Na homilia, dom Geraldo chamou a atenção para a inversão dos valores que provoca danos às águas e à terra por causa da busca desordenada do lucro, amparada por políticas econômicas predatórias que destroem a natureza, desrespeita a vida e a dignidade humana. “Não podemos silenciar diante de Governos em âmbito federal, estadual ou municipal e de órgãos públicos que se omitem em sua tarefa de fiscalizar os empreendimentos minerários, especialmente nesta região. Mais uma vez denunciamos o desrespeito aos direitos dos atingidos e atingidas, pelo rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, município de Mariana e que causou graves danos às pessoas e ao meio ambiente em toda a extensão do Rio Doce”, disse.

Dom Geraldo encerrou sua fala renovando o apelo dos bispos das dioceses da Bacia do Rio Doce. “Estimulem os que lutam em defesa da “casa comum” para que não desanimem diante dos obstáculos e da prepotência dos grandes e poderosos. Ajudem a salvar o Rio Doce, com tudo o que ele significa para tanta gente em Minas Gerais e no Espírito Santo. Perseverem na luta a favor da vida e da esperança, na certeza de que “a paz é fruto da justiça””, finalizou.

Após a celebração foi lida a carta compromisso da 3ª Romaria das Águas e da Terra e realizada uma homenagem para dom Geraldo.

 

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