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Assembleia nacional do laicato reuniu leigos e leigas em Belo Horizonte Por Werbert Cirilo Gonçalves - teólogo, doutorando em Ciências da Religião e membro CNLB Leste 2 08/06/2018 - Atualizado em 08/06/2018 15h08

Assembleia nacional do laicato  reuniu leigos e leigas em Belo Horizonte
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Entre os dias 31 de maio a 03 de junho de 2018, em Belo Horizonte (MG), cristãos vindos dos 18 Conselhos Regionais do Laicato do Brasil se reuniram em assembleia para compartilhar experiências, vivências, organizar os trabalhos e, sobretudo, celebrar o tema “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na Igreja em Saída, a serviço do Reino”. Com este enunciado, as diversas comunidades religiosas são animadas e inseridas na mística do Ano do Laicato que tem como lema Sal da terra e Luz do Mundo” (Mt 5,13-14).

O Ano do Laicato, inaugurado com a solenidade de Cristo Rei (2017), se apresenta como tempo favorável para a reflexão e conscientização sobre o papel, a missão e a importância dos leigos e leigas na Igreja e no mundo como sinalizaram o Concílio Vaticano II, a Conferência de Aparecida (2007) e o Documento 105 da CNBB, Cristãos Leigos e Leigas na lgreja e na Sociedade.

Nestes dias de assembleia, tivemos a oportunidade de compreender que uma “Igreja  em  Saída”  é  uma  “Igreja  em  encontro”, e esta é a mística subjacente  à celebração do laicato brasileiro. Trata-se de uma Igreja que é Povo de Deus em comunhão e missão; que se encontra internamente ao sentar entorno da mesa da palavra e da mesa eucarística, mas que também se realiza ao se levantar e lutar pela partilha do pão de cada dia; que não impõe muros às suas práticas e que se reconhece numa casa comum; que não peregrina sozinha e é sensível a tantas causas sociais e humanas; que não se faz de proselitismo, senão de testemunho e amor. E, desta forma, uma Igreja que milita por justiça social e que promove a construção de uma sociedade fraterna. Neste sentido, a mística de uma “Igreja em Saída” tem como modelo: Jesus Cristo. O homem de Nazaré foi aquele que viveu “profundamente” o encontro. Ao caminhar pelas vilas e cidades de Israel, esteve com todos, preferencialmente com os pobres e excluídos. Ele esteve no Templo, nas ruas e nos recantos, aproximou do mundo daqueles que ninguém queria  se  aproximar,  denunciou  as  injustiças  dos  poderes  opressores  e  anunciou  a alegria do Reino. Do mesmo modo que elevou a vida dos pequeninos com a saudação das bem-aventuranças, anunciou a tarefa de cada um como “Sal da terra e Luz do mundo”.

Esta é também a dignidade do laicato: sujeitos na “Igreja em Saída” que ousa transpor as cercanias da comunidade religiosa para ser sinal de esperança na sociedade, sobretudo, em tempos de uma crise (civilizatória, moral, social, política, econômica, ambiental, etc.) que não é “passageira” ou pontual. Todavia, nestes dias de Assembleia, onde rezamos, nos emocionamos e recordamos a vida de tantos mártires leigos brasileiros, redescobrimos que, diante de uma sociedade em crise profunda, deve ressurgir em cada um de nós o profetismo.

O nosso encontro ficou também marcado por uma palavra-chave: “esperançar”. Ao tornar a “esperança” verbo, foi possível sinalizar que o nosso profetismo se propõe a ação de encher o coração do nosso povo da verdadeira espera. Ela significa que a nossa organização e a nossa união fraterna entorno de uma causa comum é capaz de vencer os sinais de morte em tempos tão difíceis. Para nós cristãos, a espera nos remete ao Cristo que se pôs a caminho, anunciou a libertação dos cativos e transformou a realidade social de muitos que viviam à margem da estrada (Mc 10,46). Por isso, uma “Igreja em Saída” tem a tarefa de ser sacramento de esperança no mundo, que ilumina as trevas dos desesperados e que tempera com alegria a vida dos desgostosos.

Assim, esperançar significa uma ação em vista da efetivação do sonho de uma realidade mais justa; também comporta uma atenção especial aos novos areópagos.

Com esta expressão utilizada por Bento XVI e retomada pelo Papa Francisco, que recorda a mensagem acessível de Paulo aos gregos no Areópago de Atenas em At 17, a Assembleia assumiu o compromisso de convocar os leigos dos respectivos regionais a levar a esperança (luz e sal) aos sete novos areópagos: a família, o mundo da política, as políticas públicas, o mundo do trabalho, a cultura e da educação, o mundo das comunicações,  a  casa  comum.  Com  isso,  também  propomos  a  reflexão  sobre  a promoção da cultura da paz e a superação da violência, a economia e a auditoria cristã da  dívida  pública,  o  mundo  urbano  e  o  direito  à  cidade,  levando  em  conta  o protagonismo das mulheres e as relações: Igreja-sociedade e clero-laicato.

A assembleia também reforçou as duas opções preferenciais: pelos pobres e pelos   jovens.   Estes   estiveram   representados   pelos   estandartes   e   bandeiras   de movimentos sociais, pelo testemunho das entidades filiadas e pela voz da juventude dos regionais que se comprometeram na conscientização de outros jovens leigos sobre a sua vocação eclesial na sociedade.

Vale dizer que cada regional apresentou, em resumo, as ações em relação aos seminários de estudo sobre o laicato e as agendas a respeito da semana missionária “Igreja em Saída”. Todos se empenharão em divulgar a Cartilha sobre a “auditoria cidadã  da  dívida  pública”  e exigir  aos  candidatos  a inserção  desta  pauta nos  seus programas de governo. Com isso, os delegados dos Conselhos Regionais, representantes das organizações filiadas e demais presentes escreveram um Manifesto em relação à atual conjuntura política brasileira, sobre os desmontes dos direitos conquistados e as reformas desastrosas.

Um dos momentos mais bonitos e significativos da Assembleia foi a entrega de um estandarte a cada presidente dos regionais do CNLB: momento feito com muita dança e espiritualidade. O Conselho Regional do Laicato do Leste 2 (constituído pelas 32 dioceses de Minas e do Espírito Santo) quis compartilhar com os outros conselhos regionais as caminhadas com os estandartes realizadas nas suas comunidades eclesiais. O estandarte representa a cultura, a religiosidade e a fé do povo mineiro. Aqueles que receberam este presente foram convidados a também caminhar pelos seus territórios eclesiais levando a mensagem do ano do laicato e o estudo do Documento 105.

Enfim, saímos todos com os corações plenos em esperança e motivados a ser uma autêntica “Igreja em saída”, ainda mais porque esta Assembleia nos possibilitou identificarmos os passos dos outros irmãos leigos ao lado das nossas pegadas. “- Presente! Não estamos sozinhos na caminhada”! Em nossas mãos, levaremos o estandarte do Cristo que aponta que a Igreja se faz de encontro, especialmente com os que estão no mundo sofrendo as mazelas da falta de amor, das corrupções e injustiças sociais. Aliás, o que levamos é a alegria do nosso serviço em prol do Reino e que implica, como nos diz a poesia e o canto do irmão Zé Vicente, que:  “Uma nova consciência, nossa festa vai gerar. Comunhão nas diferenças, vida nova faz brotar. Uma festa tão bonita lembra o céu aqui no chão: Deus conosco festejando nosso amor, alimentando minha vida, povo irmão”!

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