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Construtores da Solidariedade da diocese de Cachoeiro de Itapemirim Projetos solidários na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim ajudam famílias a restaurarem a dignidade Por Departamento de comunicação da diocese de Cachoeiro de Itapemirim 02/08/2017 - Atualizado em 02/08/2017 10h47

Construtores da Solidariedade da diocese de Cachoeiro de Itapemirim
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Em tempos de crise política e moral, a sociedade atual tem vivido situações que provam diariamente a nossa fé. E apesar da cultura moderna do “comodismo”, que considera este tipo de situação normal, por vezes nos deparamos com fatos que demonstram o quanto nossa crença em Deus é superior a estas provações.

Na diocese de Cachoeiro de Itapemirim, exemplos de solidariedade não faltam nas 43 paróquias que a compõem. E é sobre um destes exemplos que iremos falar.  No dia 24 de julho, a Paróquia São Sebastião, situada na cidade de Cachoeiro (bairro Aquidaban), realizou uma grande confraternização na comunidade Santa Marta, bairro Village da Luz, com direito a mais de 100 pessoas e a presença do Bispo Diocesano Dom Dario Campos. O motivo: a entrega de uma casa.

Para entendermos melhor, vamos falar primeiramente quem são os moradores da casa em questão. Luís Fernando é um jovem de 30 anos, paraplégico, cuja condição não o permite andar nem ao menos em uma cadeira de rodas. Devido a este fato, sempre que necessita ir ao médico ele precisa ser carregado. Seu pai, sr. Luís, possui problemas cardíacos, o que faz com que sua esposa, dona Penha (mãe do Luís Fernando), tenha de conduzi-lo nos braços sempre.

Além de todos estes fatores esta família possuía um outro agravante, a sua residência. Moravam em um casebre, num barranco, desnivelado aproximadamente 7 metros abaixo do nível da rua, o que dificultava ainda mais a locomoção do jovem Luís Fernando. Mas hoje, graças ao Projeto Construtores da Solidariedade, este problema foi sanado.

 

Igreja em saída
Padre Gelson de Souza, Pároco da Paróquia São Sebastião e um dos líderes do projeto, explicou ao Departamento Diocesano de Comunicação como funciona o Construtores da Solidariedade e qual o objetivo do Projeto.

“Esta é a segunda casa entregue, de um projeto que existe na Paróquia São Sebastião chamado Construtores da Solidariedade. O projeto envolve pedreiros, serventes, carpinteiros, eletricistas, engenheiros e toda a comunidade, que ajudam na construção, em mutirões realizados aos sábados”.

“O projeto detecta nas comunidades estas necessidades maiores, com mais carência e onde a própria família não dá conta de resolver. A intenção é dar mais dignidade, um lar mais humano para estas pessoas, que muitas vezes, além de serem mais carentes, são doentes”.

O Sacerdote explica também como eles chegaram a esta família.
“A primeira casa que entregamos foi também nesta rua, do sr. Luciano dos Santos. Ele é um cadeirante que precisa fazer hemodiálise três vezes por semana, onde sua residência tinha o mesmo problema de acesso à rua que a do jovem Luís Fernando. A partir deste primeiro projeto que realizamos foi detectada a necessidade urgente de acolher esta família. A família passava por uma dificuldade muito grande”.

Padre Gelson conta como foi o primeiro contato da comunidade e dá detalhes de como ficou a nova casa:
“Em setembro de 2016 foi feita a primeira reunião com a comunidade, já apresentando um primeiro modelo de projeto, que visava a construção de rampas de acesso para facilitar a locomoção da família, além de melhorias na casa. Com as demais reuniões e com o empenho da paróquia e da própria comunidade, o projeto de melhoria se transformou em uma casa nova, no nível da rua, com terraço, piso de granito, forro pvc, banheiro social e também banheiro adaptado para o Luís Fernando. Graças a Deus, em menos de um ano a casa foi entregue”.

E a solidariedade vem de todos os lados: “Houve doação de mão de obra e doação de materiais, inclusive de empresas que foram sensíveis ao objetivo do projeto Construtores da Solidariedade. Um projeto muito bonito e que envolve dezenas de pessoas”.

Uma dessas pessoas é Bento Polonine, pedreiro e um dos grandes engajadores do projeto. Em entrevista à Rádio Diocesana ele contou sobre a satisfação de estar participando deste resgate da dignidade humana.

“Eu fico muito feliz nesta tarde, de estar aqui com tanta gente que colaborou para que esta casa ficasse pronta. Só tenho que agradecer à Deus por cada um que ajudou e também pela iniciativa do nosso padre. São duas obras aqui na rua que a gente fez este trabalho de mutirão, mas este trabalho tem uma média de 20 anos que a gente vem prestando aqui no bairro, este trabalho de solidariedade”.   

Trabalho antigo, com muito esforço e dedicação. A coordenadora da comunidade Santa Marta (Versiane) faz um convite a todos para conhecerem e participarem do projeto. “Moramos em um bairro carente, onde vemos a necessidade do povo. É triste ver o abandono e o sofrimento do povo. Mas a demanda ainda é grande, tem muito a ser feito. Estamos convidando quem quiser ajudar, quem puder doar, quem quiser vir aqui conhecer, venha, é bom ver. E a obra realizada é um sonho, as pessoas agradecem muito”.

E agradecem mesmo. No dia da entrega da casa, dona Penha, Mãe do Luís Fernando, mal conseguia descrever a felicidade que sentia. “Eu me sinto muito feliz de estar recebendo esta linda casa, de estar saindo da dificuldade que eu tinha com meu filho. Então eu queria só agradecer, eu só tenho que agradecer. Muito obrigada”. Sr. Luciano dos Santos, contemplado com a primeira casa, resumiu em uma frase toda a sua alegria: “Gratidão, satisfação, amor puro ao próximo”.

Dom Dario Campos, Bispo Diocesano da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, presente na entrega desta segunda casa, presidiu a celebração em Ação de Graças pela família agraciada e pede para que esta união em comunidade se perpetue por toda a Diocese.

“Um sentimento de alegria, de gratidão, em ver esta multidão somando as suas forças, onde com cada um dando o seu pouquinho conseguimos realizar o sonho de duas pessoas necessitadas. E ver a união, a força e o carinho, isso demonstra que o nosso povo, unido, é capaz de muita coisa. Queremos também interceder por toda a nossa Diocese, começando desde lá em Muniz Freire e Piaçú, para que haja este movimento de solidariedade e de carinho por todos da nossa comunidade. Que Deus abençoe a cada um que ajudou e a outros projetos que irão iniciar. Assim vamos caminhando na construção do Reino de Deus aqui na nossa Diocese”.  

 

Felicidade em Alegre
Apesar da “messe ser grande”, o Construtores da Solidariedade não é um caso isolado na Diocese de Cachoeiro. A Paróquia Nossa Senhora da Penha, localizada na cidade de Alegre, também realiza um trabalho semelhante. Com a liderança do Padre Enildo Genésio de Souza, Pároco no município, seis casas já foram entregues pelos “Construtores da Esperança”. O nome define muito bem o impacto que o projeto tem na localidade. Foram três casas reformadas e outras três levantadas do “zero”.

Em depoimento ao Departamento Diocesano de Comunicação, Padre Enildo mostra especial carinho por cada uma das famílias que o projeto ajudou, mas faz uma confissão: “O marco do Construtores da Esperança foi a casa do Banana”.

“Banana” é como é conhecido o jovem Luís Cláudio, morador do munícipio e muito popular na região. E o padre explica porque esta casa marcou tanto o projeto em Alegre.
“O Banana, a mãe dele ficou viúva com quatro filhos, todos os quatro deficientes físicos. Eles estavam morando de aluguel, a casa deles havia sido demolida, comprometida na época que houve uma grande enchente em Alegre, há sete anos atrás, e nunca conseguiram nem o aluguel social. Dona Teresinha (mãe do Luís Claudio) vive para os filhos e o Banana é muito popular, muito conhecido em Alegre, todo mundo gosta dele, faz parte do ‘Patrimônio Histórico’ de Alegre”.

O Presbítero conta quando foi o momento crucial para dar início a mais esta construção.
“E nós vimos esta situação em uma das visitas que fiz à dona Teresinha. A casa muito pequena, o aluguel caro, sem ventilação, muito mofo, e a partir dali falei que iríamos construir a casa pra ela. Com a cara e a coragem, nós entramos e mobilizamos a população. Houve uma grande mobilização de católicos, não católicos, evangélicos, espíritas. Sob a nossa coordenação nós conseguimos fazer uma casa para dar dignidade à família. Alguém que só ficava dentro de casa, hoje você vê a pessoa (feliz) do lado de fora. Então a casa do Banana foi o marco na construção de Alegre.

Além de erguer edificações, o projeto também reformou residências de famílias que necessitavam desta acolhida especial. Talvez você se pergunte, e o que todos ganham com isso? Os que ajudam, recebem a felicidade através de um sorriso, estampada no rosto do irmão. Aos que são ajudados, eles recebem bem mais que quatro paredes e um teto, ganham sua vida de volta.

“Dona Terezinha chora o tempo todo porque agora está morando na casa que é sua. O sr. Fidélis, o primeiro que nós reformamos a casa dele, ele conseguiu a sua aposentadoria e hoje está vivendo com uma dignidade impressionante. O Leonardo, que a casa dele havia caído e ficou morando por 15 dias com a família em um cômodo de uma casa em construção, sem banheiro, sem nada, e estava passando por muitas dificuldades financeiras, morando ele, a mãe e a irmã, e somente ele trabalhando, passou na faculdade da UFES e agora está estudando”, contou Padre Enildo.

A solidariedade acende a esperança, e a esperança por si só já é solidária. Seja um ou outro, estes construtores do bem tem feito a diferença em suas comunidades. Projetos com nomes parecidos e com o mesmo objetivo: reavivar a humidade em nossa sociedade. Seja em quem recebe ou em quem doa.

Estes exemplos são prova viva que mesmo em meio à crise e o caos social, quem tem Deus verdadeiramente como seu guia sempre será sensível aos apelos do próximo. É a compaixão, demonstrada por Cristo na cruz, que carregamos em nossos corações. Sejamos também construtores. Construtores da Solidariedade, Construtores da Esperança, Construtores do Reino de Deus. 

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