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Artigos dos Bispos

Eu creio na comunhão dos santos A Igreja, como Mãe e Mestra, é communio sanctorum: comunhão dos santos, isto é, comunidade de todos os que receberam a graça regeneradora do Espírito, pela qual são filhos de Deus, unidos a Cristo e chamados santos.

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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06/11/2017 - Atualizado em 06/11/2017 13h16

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Desde que começamos a ouvir a voz da mamãe e do papai fomos construindo a nossa compreensão das coisas. E, mercê de Deus, não há uma única pessoa batizada na Igreja Católica que não aprendeu de seus pais a devoção para com um santo que a família tem particular devoção. Além da maternal devoção para com a Virgem Maria, Santa Mãe de Deus, da Igreja e nossa, nós aprendemos dentro de casa a ter uma devoção primeira, a devoção dos santos de nossos pais. Assim foi comigo e assim tenho certeza de que se sucedeu com todos os meus leitores.

Com o tempo nós crescemos, chegamos na adolescência e na idade adulta e vamos cultivando, além das devoções familiares, as nossas devoções. E é claro sempre vai aparecer na nossa história o nosso amor espiritual com algum dos santos da Igreja. É esta riqueza verdadeira da Igreja. É este o tesouro que a Igreja dá a cada um de nós; ou seja, a multidão incalculável dos homens e mulheres anônimos que passaram por este mundo vivendo e testemunhando a santidade que estão agora na comunhão dos Santos. É precisamente a comunhão dos santos, antigamente celebrada em 01 de novembro, que iremos celebrar neste dia 05 de novembro de 2017. Rezamos a solenidade de todos os santos, aqueles que fazem parte do catálogo oficial da Igreja, os santos, beatos e mártires, e a multidão incalculável dos que anonimamente viveram a radicalidade do Evangelho.

A primeira vocação dos cristãos católicos batizados é que somos chamados à santidade. Viver a santidade é a vocação natural de todos os católicos que são convidados a testemunhá-la em seus ambientes de trabalho, na política, na ação social e caritativa, na família e na vida eclesial. A virtude e a santidade é possível sim nos dias de hoje.

São João Paulo II ao comentar a primeira leitura desta Solenidade(Ap 7,2-4.9-14) ensina que: “A primeira Leitura bíblica, tirada do livro do Apocalipse de João, transporta-nos, em termos fortemente simbólicos, para o meio da corte celeste, «em pé diante do trono e diante do Cordeiro», num contexto de transbordante exultação e de vastos horizontes. Aqui encontramos «uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas» (Apoc. 7, 9). E já é um dado consolador que dá respiração à nossa alma, porque nos é assegurado que somos muitos a festejar. Quando um dia alguém perguntou a Jesus: «Senhor, são poucos os que que salvam?», ele não respondeu directamente; todavia, embora recordando a necessidade de «entrar pela porta estreita», prosseguiu: «Hão-de vir do Oriente, do Ocidente, do Norte e do Sul e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus» (Lc. 13, 23.24.29). Pois bem, nós hoje estamos imersos com o nosso espírito entre esta grande multidão de santos, de salvos, os quais, a partir do «justo Abel» (Mt. 23, 35), até a quem neste momento talvez esteja a morrer em qualquer parte do mundo, nos fazem coroa, nos dão coragem, e cantam todos juntos um poderoso coro de glória Aquele a quem os Salmistas chamam justamente «o Deus meu Salvador» (Sl. 24, 5) e «o Deus que é a minha alegria e o meu júbilo» (Sl. 42, 4)”. (http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/1980/documents/hf_jp-ii_hom_19801101_verano.html, último acesso em 28 de outubro de 2017).

Continua o mesmo Pontífice que: “o Evangelho que há pouco foi lido faz-nos recordar um aspecto essencial da nossa identidade cristã e do que constitui a santidade. As Bem-aventuranças pronunciadas tão solenemente por Jesus colocam-se, por um lado, em antítese com alguns valores que pelo contrário são honrados pelo mundo e, por outro lado, na perspectiva de um destino futuro e definitivo, em que as situações são invertidas. Elas ou mantêm-se ou caem todas juntas; não se lhes pode extrair só uma e cultivá-la em prejuízo das outras. Todos os santos sempre foram e são contemporaneamente, embora em medida diversa, pobres de espírito, mansos, aflitos, famintos e sequiosos de justiça, misericordiosos, puros de coração, artífices de paz e perseguidos pela causa do Evangelho. E assim devemos ser também nós. Além disso, na base desta página evangélica é evidente que a bem-aventurança cristã, como sinónimo de santidade, não está separada de uma componente de sofrimento ou pelo menos de dificuldade: não é fácil ser ou querer ser pobres, mansos, puros; não se quereria ser perseguido, nem sequer por causa da justiça. Mas o reino dos céus é para os anticonformistas (cf. Rom. 12, 2), e são válidas também para nós as palavras de São Pedro: «Se sois ultrajados pelo nome de Cristo, bem-aventurados sois vós, porque o Espírito de glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vós. Que nenhum de vós sofra por ser homicida, ladrão, difamador, ou por cobiçar os bens alheios. Mas, se sofre por ser cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus por ter este nome» (1 Ped. 4, 14-16). De facto, a nossa perspectiva não é a breve termo, mas sem fim. São escritas para nós as palavras iluminadoras do apóstolo Paulo: «a nossa leve e momentânea tribulação prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória. Por isso, não olhamos para as coisas visíveis, mas para as invisíveis, porque as visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas» (2 Cor. 17-18).” (http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/1980/documents/hf_jp-ii_hom_19801101_verano.html, último acesso em 28 de outubro de 2017).

Por isso ao celebrarmos esta Solenidade tenhamos consciência de que a santidade é a meta de todos os cristãos, como nos ensina São João: “Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro”(Cf. 1Jo 3,2-3). Esta pureza é o que celebramos, a pureza da graça de Deus que nos torna aptos para testemunhá-lo no mundo.

A Igreja, como Mãe e Mestra, é communio sanctorum: comunhão dos santos, isto é, comunidade de todos os que receberam a graça regeneradora do Espírito, pela qual são filhos de Deus, unidos a Cristo e chamados santos. Alguns ainda caminham nesta terra, outros morreram e estão se purificando, inclusive com a ajuda de nossas orações. Outros, enfim, gozam já da visão de Deus e intercedem por nós. A comunhão dos santos também quer dizer que todos nós, cristãos, temos em comum os dons santos, em cujo centro está a Eucaristia; também todos os outros sacramentos que a ela se ordenam e todos os demais dons e carismas (cf. Catecismo da Igreja Católica, 950).

Pela comunhão dos santos, os méritos de Cristo e de todos os santos que nos precederam na terra nos ajudam na missão que o próprio Senhor nos pede para realizar na Igreja. Os santos que estão no Céu não assistem com indiferença à vida da Igreja peregrina: eles nos impulsionam com sua intercessão ante o Trono de Deus, e aguardam a realização da plenitude da comunhão dos santos com a segunda vinda do Senhor, o juízo e a ressurreição dos corpos. A vida concreta da Igreja peregrina e de cada um de seus membros; a fidelidade de cada batizado tem grande importância para a realização da missão da Igreja, para a purificação de muitas almas e para a conversão de outras.

Que Todos os Santos nos auxiliem a sermos autênticos discípulos-missionários do Senhor em favor da santificação de nossa vida e de todos os nossos irmãos, Amém.

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