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Artigos dos Bispos

Amor aos Frágeis Ninguém é dono de nada e sim administrador dos dons divinos para servirem principalmente os mais fragilizados socialmente.

Dom José Alberto Moura

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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25/10/2017 - Atualizado em 25/10/2017 10h37

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A bíblia está cheia de enunciados e ações divinas e humanas, conotando a indicação, a promoção e a defesa dos mais frágeis na comunidade. Aliás, todo ser humano é muito fraco em relação a si mesmo, pelo fato de ser humano. Basta alguém ter uma doença de certa gravidade para perceber que seus bens e atributos pessoais e sociais não adiantam muito para resolver a superação de suas enfermidades. O dinheiro não compra a vida perene nesta terra. Mesmo a pessoa de boa saúde não pode se exaltar, pensando que tem o poder divino e tudo pode nesta terra. Ninguém tem o poder divino. O certo é que todos nós vamos para a sepultura e não vamos levar nada para a vida eterna, a não ser o bônus de nosso amor ao semelhante. Jesus lembra que não adianta ganhar o mundo inteiro se a pessoa perder a vida eterna feliz.

Enquanto temos tempo nesta caminhada terrena precisamos ir entesourando méritos para sermos dignos de que Deus olhe com benevolência para ver nosso esforço de corresponder a seu amor e seguir seus preceitos. Nossas capacidades, como vida, inteligência e outras qualidades, só nos são benéficas quando permeadas de amor e serviço ao bem do semelhante e de toda a sociedade. Para isso, é preciso que formemos nossa consciência cidadã, ou seja, a de ter compaixão e amor para com as pessoas que vivem ao nosso redor, principalmente as mais fragilizadas e necessitadas. Por que não ter o olhar de compaixão e benevolência para quem não tem suporte e amparo para superar seus limites? A bíblia fala claramente para não maltratarmos quem é estrangeiro, órfão e viúva, bem como não exploramos quem nos deve, pois, eles clamarão por Deus. Ele os ouvirá e nós seremos penalizados por isso (Cf. Êxodo 22,20-26).

Os bons exemplos estimulam outros a também amar e servir o próximo com atenção e ajuda contínua aos necessitados e às instituições filantrópicas. Fazem o bem às pessoas e à comunidade sem busca de vantagens. Devem ser imitados, como lembra o apóstolo Paulo. Ele é verdadeiro estímulo a ser seguido (Cf. 1 Tessalonicenses 1,5-10). Temos inúmeras iniciativas de grupos que não medem esforços para a promoção da vida e da dignidade humana, através de escolas, hospitais, creches, asilos de idosos, obras de filantropia e caridade. Eles precisam de mais atenção da sociedade e de políticas públicas que as apoiem para melhor ainda servirem as pessoas carentes. Quanto dinheiro público e particular deveria, por dívida moral, colaborar com essas entidades! Teríamos menos roubos e mais serviço prestado ao bem comum. Pessoas ricas existem, que fazem obras de bem e são louváveis! Mas deveríamos ter muito mais! Há ricos que são insaciáveis em cada vez mais acumularem para si e deixarem heranças para os herdeiros até brigarem e se matarem, sem hipoteca social. Um dia vão prestar contas a Deus por não administrarem as fortunas conforme o desígnio divino. Ninguém é dono de nada e sim administrador dos dons divinos para servirem principalmente os mais fragilizados socialmente. A parábola do rico epulão e do pobre Lázaro vale sempre!

Jesus lembra os dois mandamentos fundamentais: amar a Deus e ao próximo (Cf. Mateus 22,34-40). Se todos os seres humanos os assumissem e praticassem teríamos os antídotos para todos os males da sociedade e resolveríamos os problemas de injustiças e exclusões sociais. Basta nos conscientizarmos e ensinarmos isso a todos!

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