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Artigos dos Bispos

A bondade divina nos aponta para a conversão! A Deus interessa apenas a forma como se acolhe o seu convite. Ele nos pede uma transformação da nossa mentalidade, de forma a que a nossa relação com Deus não seja marcada pelo interesse, mas pelo amor e pela gratuidade.

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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25/09/2017 - Atualizado em 25/09/2017 11h27

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A missa deste 25º Domingo do Tempo Comum nos pede uma renúncia aos esquemas do mundo e a conversão aos esquemas de Deus. Somos convidados a escobrir um Deus cujos caminhos e cujos pensamentos estão acima dos caminhos e dos pensamentos dos homens, quanto o céu está acima da terra.

A primeira leitura(cf. Is 55,6-9) pede aos crentes que voltem para Deus quando o profeta Isaías afirma que os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos. “Voltar para Deus” é um movimento que exige uma transformação radical do homem, de forma a que os seus pensamentos e acções reflitam a lógica, as perspectivas e os valores de Deus. O profeta Isaías clama: “Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto!”(cf. Is 55,6). Isaías é muito ingente ao chamar os ímpios e os injustos para que abandonassem as suas más condutas e retornassem para o Senhor, que nunca se recusa a perdoar. Por isso devemos abandonar os caminhos do pecado e do mundo e procurar os caminhos de Deus, dando adequado valor à vontade divina.

O Evangelho (cf. Mt 20,1-16a) diz-nos que Deus chama à salvação todos os homens, sem considerar a antiguidade na fé, os créditos, as qualidades ou os comportamentos anteriormente assumidos.

O dono de uma vinha chamou trabalhadores para a colheita. A uns chamou pela manhã, outros ao longo do dia e outros, ainda, no fim do dia. A todos, compromete-se com o mesmo pagamento. Naturalmente, aqueles que começaram a trabalhar ainda cedo reclamaram ao patrão por ter recebido o mesmo montante dos outros que trabalharam apenas uma pequena parte do dia. Para o patrão, porém, está feita justiça: pagou a todos conforme o combinado e, ademais, dispôs daquilo que é seu. Se, aos olhos do empregado que se considera lesado aquilo era injusto, ao patrão foi apenas um acerto de contas equânime, dentro dos limites que tinha estabelecido.

A Deus interessa apenas a forma como se acolhe o seu convite. Ele nos pede uma transformação da nossa mentalidade, de forma a que a nossa relação com Deus não seja marcada pelo interesse, mas pelo amor e pela gratuidade. A recompensa prometida por Jesus a todos quantos o seguem e realizam a sua vida a vontade de Deus. Deus faz o que quer com aquilo que lhe pertence, quando paga a mesma quantia àquele que trabalhou por menor período. Os benefícios divinos são proporcionais à misericórdia e ao amor de Deus. A conversão consiste nisso: em enxergar que não foi injusto Deus conceder o mesmo pagamento ao que trabalhou menos, por isso é necessário sempre estar conectado com a vontade divina, que antes de tudo é compaixão e misericórdia. A lógica de Deus não é a lógica do lucro do homem, porque Deus vai além, porque para Deus não importa o “tempo de casa” ou aquilo tudo que já demos: importa com que amor o demos, com que dedicação o fizemos. Além disso, o Senhor nos dá a Sua graça e esta Ele dispõe como deseja. Essa é a aparente contradição: a perspectiva humana entende que o pagamento deve ser correspondente ao tempo ou à responsabilidade do trabalho. Deus, não. Ele entende que pode dispor do que é seu e dá a cada um como considera o seu merecimento. E neste final de semana esta pergunta deve nos intrigar muito para uma conversão profunda: Estás com inveja porque eu estou sendo bom?

A segunda leitura(Fl 1,20c-24.27a) nos apresenta o exemplo de um cristão (Paulo) que abraçou, de forma exemplar, a lógica de Deus. Renunciou aos interesses pessoais e aos esquemas de egoísmo e de comodismo, e colocou no centro da sua existência Cristo, os seus valores, o seu projeto: “Pois, para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro”(Cf. Fl 1,21)

Por isso, São Paulo nos conclama a viver “a altura do Evangelho de Cristo”(Fl 1,27).É pela bondade e misericórdia do Pai que nos enviou Jesus Cristo que nós somos salvos. Não vamos fazer questão para sermos os primeiros ou os últimos, o mais importante é que já estamos dentro do redil do reino de Deus. Rezemos ao Pai dos Céus, para que cada batizado jamais me deixe levar pelo espírito de ambição e de rivalidade, convencido de que, no Reino, somos todos iguais, teus filhos. Por isso, a exemplo de Jesus, sejamos bons e vamos aspergir ao mundo a bondade divina!

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