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Artigos dos Bispos

Joio e Trigo Quem vive como o trigo não se apavora com a realidade do joio a seu redor.

Dom José Alberto Moura

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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19/07/2017 - Atualizado em 19/07/2017 09h09

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O julgamento precipitado pode fazer a pessoa arrancar o trigo junto com o joio, prejudicando o bom produto das pessoas de bem.

Na parábola do plantio do trigo Jesus sabiamente ensina a paciência e a se esperar pela maturação da vida de virtude e valor frente às pessoas de má conduta  (Cf. Mateus 13, 24-30).  Não se deve condenar antes da hora para não se cometer injustiça com quem é do bem e tudo faz para contribuir com uma convivência de promoção da vida digna para todos. Por parte de pessoas de mau caráter há muitas tentativas de condenação dos bons. Inventam males e interpretam maldosamente atitudes de quem age com lisura e realiza benefícios ao próximo e a toda a comunidade. Pelos frutos se conhece a árvore. Sabe-se, no entanto, que a inveja, as acusações infundadas e o ataque ao outro sem provar nada que o desabone, são armas muito usada por culpados para desviarem o foco de suas ilicitudes. Até se sabe que os bons muitas vezes são perseguidos porque os maus não aguentam ver seus bons exemplos. Aliás, é conhecido o ditado: “a árvore frutífera é a que recebe pedradas”.

O julgamento humano nem sempre acerta com a verdade, a justiça e o bem das pessoas. Muitas vezes falha. Há quem já foi condenado à morte e perdeu a vida sendo inocente! No entanto, temos que acreditar na justiça. Mas o maior justo é Deus. Ele não julga nem condena antes da hora. A última palavra é a dele. Por isso, o que mais devemos observar é nossa atitude, para não sermos julgados por Deus. Aliás, Ele nos dá toda a chance de nos converter e apresenta meios e oportunidade de revisão e mudança de encaminhamento da vida para superarmos nosso erros. Ele não quer nossa condenação. Oferece o perdão e penalização pedagógica para sairmos de uma conduta errada e infeliz para nosso próprio bem. Por isso,  apresenta-nos a justiça misericordiosa, embutindo em nossa conversão a força da reconciliação e da vida nova.

A justiça humana deveria usar a penalização adequada como meio de regeneração e mudança de vida. Mas, muitas vezes, é usada como castigo ou retaliação, que não traz recuperação nem melhor inserção da pessoa na convivência social de mais justeza e equilíbrio de relações. Vejamos, por exemplo, o sistema prisional, que, ao invés de corrigir, faz degradar mais ainda a pessoa humana, tornando-a mais desumana. Nossas prisões, em maior parte, são desumanas e não parece haver vontade política para mudar esse infeliz quadro.

Quem vive como o trigo não se apavora com a realidade do joio a seu redor. Não pensa em destruir o joio, mas sim em cooperar para ser um exemplo de quem não tem medo de praticar a justiça, a misericórdia e todo o bem possível. Contribui para uma convivência humana e solidária com a sociedade. Isso acontece na família, no trabalho e em toda a vida social. Aproveita sempre as oportunidades para fazer o bem mesmo a quem faz o mal, acreditando na força da graça divina, que pode tocar nos corações para sua conversão. Quantas pessoas já se comportaram como joio e se converteram. Enquanto temos vida, podemos endereçá-la melhor para uma convivência mais promotora do bem comum. Para isso, precisamos usar bem a inteligência para sabermos corrigir os males sociais com atitudes e determinações legais e éticas de penalização acertada a quem precisa de correção. 

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