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Artigos dos Bispos

Celebrar os santos juninos!

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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12/06/2017 - Atualizado em 12/06/2017 15h05

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Neste mês de Junho são comemoradas, tradicionalmente, as conhecidas festas juninas. As festas juninas surgiram na Antiguidade e ocorriam durante o solstício de verão europeu para comemorar o início da colheita. Com o passar do tempo, as comemorações passaram a se chamar “joaninas”, devido a data da festa coincidir com o mês da festividade de São João Batista. Depois, as festividades passaram a comemorar Santo Antônio, São João e São Pedro, uma vez que eles são, liturgicamente, celebrados no mês de junho dias 13, 24 e 29, respectivamente.

Os portugueses foram os responsáveis por trazer a festa junina ao Brasil, durante o período colonial. Os jesuítas, em seu processo de catequização, implantaram tal tradição e aos poucos foram implantados aspectos da cultura indígena como alimentos feitos de batata e mandioca.

Infelizmente, muitas pessoas esquecem esse lado cristão das festividades, levando em conta somente os aspectos das tradições regionais que foram implantados posteriormente. Festa junina esta virando sinônimo de quadrilha, canjica, chapéu de palha, roupa xadrez, fogueira e pau de sebo. Não se pode ver esse esquecimento e ficar calado. É necessário um resgate dessa tradição tão bonita, ainda mais desses exemplos tão importantes para a fé cristã.

Pode-se fazer uma analogia dos santos comemorados com três passos fundamentais para o resgate citado. Primeiro, São João. É necessário uma preparação das pessoas, assim como o Batista fez. Segundo, São Pedro. Explicando ao povo a importância da religião, assim como ele fez nas primeiras comunidades cristãs. E por fim, Santo Antônio. Deve-se continuar perseverante, mesmo quando o ambiente parece desfavorável, assim como fez Antônio ao ir pregar aos peixes. Os cristãos de hoje são chamados a seguir estes passos, pois neles conseguimos seguir o pedido de Deus para sermos sinais visíveis da ação de Deus.

“Pedro lhes dava testemunho e os exortava, dizendo: ‘Salvai-vos desta geração perversa!’”. (At 2, 40). Assim também hoje é necessário salvar-se desse ambiente onde são vistos como pontos de avanço e progresso, aqueles de degradam a fé e a religião. O contexto em que se vive hoje é semelhante ao da Antiguidade, onde os prazeres mundanos são tidos como deuses e adorados assim como os da mitologia greco- romana. Um exemplo disso é o dinheiro. Muitas vezes o “ter” algo é muito mais importante do que “ser” algo.

Uma estória, de autor desconhecido, diz que dois pobres, amigos desde a infância, encontraram um baú cheio de moedas de ouro escondido. Como estavam com muita fome, um deles pegou um punhado de moedas e foi comprar comida, enquanto o outro ficaria guardando o baú. Quando o primeiro voltou, não avistou o segundo, mas percebendo que o ouro ainda estava no baú confiou no amigo. Porém ao se distrair, foi atacado e morto pelo segundo. O segundo feliz, pois teria o ouro somente para ele, foi comer a comida que o primeiro havia comprado, porém o primeiro havia envenenado a comida e o segundo também morreu. Isso nos mostra a que ponto o ser humano pode chegar por conta do dinheiro.

Os valores estão sendo invertidos nessa realidade em que vivemos. Isso faz com que o acompanhamento dos jovens se faça muito mais necessário, uma vez que essa faixa etária é o principal momento de formação de valores e, sem o auxílio eclesiástico, esse jovem pode encontrar em outro local as respostas, que muitas vezes não são as corretas.

Portanto, a religião tem que se fazer presente na vida da sociedade. A missão é eclesiástica, porém não corresponde somente do clero. Todos os cristãos são convocados a ser exemplo de seguidores e juntos formam a Igreja e o corpo místico de Cristo, pois muitas são as diferenças encontradas pelas pessoas, assim como os órgãos, músculos e ossos, mas juntos formam um só corpo, e nós a Igreja.

Retornando às festas juninas. Esse é um cenário importante para se demostrar a fé celebrando os santos já citados. Santo Antônio dia 13, São João dia 24 e por fim São Pedro dia 29.  Isso é ser exemplo, comemorar a fé e não uma comemoração qualquer. As escolas fazem festa juninas aos jovens, mas as fazem como uma festividade sem um significado muito importante, é como se fosse uma saída do cotidiano para descansar.

Jovens, utilizem de sua energia e disposição para desempenhar essa missão tão importante que Cristo vos incumbiu. Missão de serem exemplo, alegria, paz e acolhimento para todas as pessoas, sendo assim uma Igreja viva, que acolhe, que alegra, que faz bem. A Igreja não é o templo de pedra, a Igreja é cada um de nós. Somos todos templos do Espirito Santo. Nessas festas juninas que iremos comemorar, mostrem-se exemplos, mostrem que a felicidade não se adquire com as coisas mundanas e sim com a alegria de ser de Deus. As festas sem Cristo podem ser comparadas a algo comprado. Em um primeiro momento traz a alegria, porém perde-se a alegria e se torna algo sem graça.

Para finalizar, que estas festas juninas sejam uma oportunidade de celebrar a fé e a alegria que vem de Deus. Que pela interseção de Santo Antônio, São João e São Pedro, o Deus todo poderoso abençoe a cada um. 

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