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Artigos dos Bispos

Uma Só Língua “Toda a terra tinha uma só linguagem e servia-se das mesmas palavras” (Gênesis 11,1).

Dom José Alberto Moura

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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31/05/2017 - Atualizado em 31/05/2017 10h20

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No meio de tantas propostas e atitudes ou modo de viver, uma espécie de língua danosa ou venenosa costuma favorecer o entendimento de quem falta com a ética e a moral em atitudes privadas e públicas. Vejamos, por exemplo, a corrupção, que mostra uma atitude muito comum de se lesar o povo, mesmo com ares e fingimentos de que se está trabalhando pelo “bem” do povo.

Para fazer frente a tantos desmandos, há, porém, um antídoto totalmente eficaz, quando as pessoas se abrem à ação de quem tem a grande bondade de aspergir sobre elas sua ação divina de verdadeiro amor. O Espírito Santo mostra-nos que é possível modificar os corações e as ações de quem se coloca qual terreno árido e sequioso para receber a água benfazeja que produz vida nova.

O Pentecostes foi verdadeira chuva transformadora para os Apóstolos terem o combustível sustentador de sua missão de levar a todos a Boa-Nova libertadora do Cristo. A partir da infusão do Espírito Santo eles mostraram a necessidade do que o livro do Genesis já dizia: “Toda a terra tinha uma só linguagem e servia-se das mesmas palavras” (Gênesis 11,1). Com a ação do Paráclito seremos, de fato, capazes de modificar a face da terra. Isso é feito com a aceitação de seguirmos o filho de Deus. Ouvindo-O e imitando-O usaremos os dons do Espírito para ajudarmos a cultivar mais e fazer valer para todos a justiça, a misericórdia e o trabalho pelo bem comum. Teremos mais formação da família, que faz os cônjuges unirem o amor humano com o divino; mais prática da política com ética e moral, com o empenho pela inclusão social e tudo o que é necessário para a promoção da cidadania justa para todos.

O ser humano começou a ser desumano quando quis se colocar no lugar de Deus ao invés de seguir seu projeto para o bem de toda a obra criada na terra. A torre de Babel é o verdadeiro exemplo disso, com a confusão das línguas e das atitudes desumanas (Cf. Gênesis 11,6-9). Vivenciamos a torre de Babel através da história. Guerras, desrespeito à dignidade da vida, da natureza e do ser humano. Temos o antídoto, mas precisamos usá-lo e ampliá-lo como o fermento a ser espalhado para toda a massa ser levedada, à semelhança da fabricação do pão. O próprio Jesus encarregou seus discípulos de ser luz para o mundo. Muitas vezes parece que nossa luz está fraca. Por isso, nossa abertura à ação do Espírito Santo vai nos dar nova força para termos a coragem suficiente de assumir  nosso profetismo. Este levou os Apóstolos e tantas outras pessoas a darem a vida para não sucumbirem ao mal e ajudarem inúmeras pessoas a perseverarem no caminho da justiça e da promoção de valores que salvam e dignificam a pessoa humana. Até enfrentaram situações de grande sofrimento, mas não abriram mão de serem coerentes com sua fé, como diz Paulo: “Toda a criação está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito” (Romanos 8,22.23).

Quem assume o valor da fé com todo o seu conteúdo de riqueza humana, firma-se na certeza da recompensa divina, tendo o Espírito como sua sustentação: “Pois é sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos” (Romanos 8,27b).

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