Artigos dos Bispos

A felicidade está em servir aos irmãos e testemunhar o Ressuscitado! “Alegrai-vos e exultai, pois será grande a vossa recompensa no Céu”

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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11/02/2019 - Atualizado em 11/02/2019 09h36

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A Palavra de Deus que nos é proposta neste domingo leva-nos a refletir sobre o protagonismo que Deus e as suas propostas têm na nossa existência.

A primeira leitura (cf. Jr 17,5-8) põe frente a frente a autossuficiência daqueles que prescindem de Deus e escolhem viver à margem das suas propostas, com a atitude dos que escolhem confiar em Deus e entregar-se nas suas mãos. O profeta Jeremias avisa que prescindir de Deus é percorrer um caminho de morte e renunciar à felicidade e à vida plenas.

O Evangelho (cf. Lc 6,17.20-26) proclama “felizes” esses que constroem a sua vida à luz dos valores propostos por Deus e infelizes os que preferem o egoísmo, o orgulho e a autossuficiência. Sugere que os preferidos de Deus são os que vivem na simplicidade, na humildade e na debilidade, mesmo que, à luz dos critérios do mundo, eles sejam desgraçados, marginais, incapazes de fazer ouvir a sua voz diante do trono dos poderosos que presidem aos destinos do mundo. As Bem-Aventuranças continuam sendo uma linguagem ininteligível e um projeto de vida absurdo para a mentalidade de hoje, e até inconcebível, mesmo para nós, que dizemos ser cristãos. Buscamos felicidade e realização de vida em coisas passageiras e, infelizmente, acabamos confundindo felicidade com bem-estar. Para muitos a felicidade consiste em ter dinheiro; por isso, deixam em segundo plano a família, amigos, a saúde, a fé, a vida comunitária e até o próprio Deus.

Os insensatos pensam que a vida consiste em trabalhar para poder comprar coisas e, tendo muitas posses, adquirir uma posição importante na sociedade. É impressionante, porque, no fundo, sentimos que a felicidade não é somente o ter, pois nada levaremos deste mundo, mas a felicidade e a realização de vida consistem em algo mais profundo.

Nosso Senhor Jesus Cristo não é contra o bem-estar das pessoas, não é contra os ricos; a carência de recursos necessários para viver bem não é a vontade de Deus; Deus não nos criou para vivermos na miséria; mas para vivermos uma vida digna de ser humano e filhos seus. O que Jesus fez no final das Bem-Aventuranças que ouvimos hoje é um sério alerta(cf. Lc 6,24-26) para os que vivem apegados de maneira exagerada ao dinheiro e se esquecem de que foram criados para viverem o amor fraterno, socorrendo aqueles que necessitam de ajuda, sendo instrumento de concórdia, de paz e de construção de um mundo onde não haja tanta pobreza, miséria e sofrimento.

O triste fato é que, buscando a felicidade na riqueza e no bem-estar desenfreado, descobrem com o passar dos anos que não há mais felicidade para eles do que aquela que já saborearam; então, tendo tudo se sentem pobres, infelizes, sem nada.

No tempo atual as pessoas sabem muitas coisas. Mas elas não sabem ser felizes, são frustradas e infelizes, poderíamos até dizer que buscam apenas a vulgaridade e a efemeridade. Sabemos todos os caminhos para nos levar a todos pontos da terra, viajamos freneticamente, mas poucos sabem o caminho para encontrar a verdadeira felicidade: Cristo Ressuscitado. Só Jesus Ressuscitado nos ensina a amar e a compartilhar mais, retendo só o necessário e oferecendo nosso coração e nossa vida.

A segunda leitura, falando da nossa ressurreição – consequência da ressurreição de Cristo –, sugere que a nossa vida não pode ser lida exclusivamente à luz dos critérios deste mundo: ela atinge o seu sentido pleno e total quando, pela ressurreição, desabrocharmos para o Homem Novo. Ora, isso só acontecerá se não nos conformarmos com a lógica deste mundo, mas apontarmos a nossa existência para Deus e para a vida plena que Ele tem para nós.

Jesus nos situa na perspectiva dos que buscam encontrar aqui na terra a felicidade seguindo os conselhos evangélicos e mantendo a esperança de um dia encontrá-la. Ser bem-aventurado é ser feliz. As bem-aventuranças são estágios de vida que nos levam a ter o prenúncio das coisas celestes, da realidade do Céu. Quando nós seguimos as sugestões do Evangelho, nós perseguimos a plenitude da felicidade aqui na terra embora o mundo não possa entender. Portanto, ser pobre, passar fome, chorar, ser perseguido, odiado, insultado, amaldiçoado, são situações que, de acordo com a mentalidade do mundo, revelam infelicidade. Porém, quando vivemos na perspectiva de fazer a vontade de Deus essas coisas que nos acontecem servem de motivação para que nós experimentemos cada vez mais o poder e a força do Senhor na nossa vida. Ao contrário, as coisas que o mundo prega como lucro, a riqueza, a fartura, o riso fácil, o elogio, passam e não deixam nenhum vestígio de felicidade. É feliz aqui quem já espera a realização das promessas de Deus que plenamente serão cumpridas no Céu. O próprio Jesus nos garante: “Alegrai-vos e exultai, pois será grande a vossa recompensa no Céu”. A expectativa de que um dia contemplaremos a Deus e alcançaremos a plena felicidade, já é um motivo para que sejamos felizes aqui.

Vamos abrir nossos corações para conhecermos e vivenciarmos o Mistério de Cristo Vivo. Sua Palavra e sua presença os alimentam no caminho das Bem-Aventuranças. A felicidade está em servir aos irmãos e testemunhar o Ressuscitado!

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