Artigos dos Bispos

Só Cristo não passa e não decepciona jamais! Para Deus, não há passado nem futuro, há um eterno presente. Quando Jesus fala do seu regresso, coloca-o no hoje da sua Igreja.

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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09/11/2018 - Atualizado em 09/11/2018 15h26

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A liturgia do 33º Domingo do Tempo Comum apresenta-nos, fundamentalmente, um convite à esperança. Convida-nos a confiar nesse Deus libertador, Senhor da história, que tem um projeto de vida definitiva para os homens. Ele vai - dizem os nossos textos - mudar a noite do mundo numa aurora de vida sem fim. “Esta geração não passará até que tudo isto aconteça”(cf. Mc 13,30). Por isso ao pensar nos fins dos tempos, não como algo distante, mas como algo próximo. Pois o fim dos tempos não é uma tragédia, mas o sinal do senhorio absoluto de Cristo sobre o mundo e a história. Ou melhor: o fim dos tempos será o trágico para quem se fechar a Jesus: “Só escapará quem tiver seu nome inscrito no livro”(cf. Dn 12,1). Mas vem a pergunta: qual livro? O livro da vida(cf. Ap 20,12, no qual fomos inscristos pelo Batismo, após Jesus “ter oferecido um sacrifício único pelos pecados”(cf. Hb 10,12) de todos nós. Importa aprendermos da figueira (cf. Mc 13,28) e de toda a Bíblia esta lição: tudo neste mundo passa. Tudo nesta vida passa, menos o Senhor Ressuscitado: “Quem tem o Filho tem a vida”(1Jo 5,12) e Cristo jamais passará!

A primeira leitura (cf Dn 12,1-3) anuncia aos batizados perseguidos e desanimados a chegada iminente do tempo da intervenção libertadora de Deus para salvar o Povo fiel. É esta a esperança que deve sustentar os justos, chamados a permanecerem fiéis a Deus, apesar da perseguição e da prova. A sua constância e fidelidade serão recompensadas com a vida eterna.

No Evangelho (cf Mc 13,24-32), Jesus garante-nos que, num futuro sem data marcada, o mundo velho do egoísmo e do pecado vai cair e que, em seu lugar, Deus vai fazer aparecer um mundo novo, de vida e de felicidade sem fim. Aos seus discípulos, Jesus pede que estejam atentos aos sinais que anunciam essa nova realidade e disponíveis para acolher os projectos, os apelos e os desafios de Deus.

A segunda leitura (cf. Hb 10,11-14.18) lembra que Jesus veio ao mundo para concretizar o projecto de Deus no sentido de libertar o homem do pecado e de o inserir numa dinâmica de vida eterna. Com a sua vida e com o seu testemunho, Ele ensinou-nos a vencer o egoísmo e o pecado e a fazer da vida um dom de amor a Deus e aos irmãos. É esse o caminho do mundo novo e da vida definitiva.

A vinda de Jesus será para nós motivo de tremenda alegria! Quanto ao dia e a hora, ninguém sabe, nem mesmo os anjos, a não ser o Pai do Céu que, com certeza, virá ou mandará Seu Filho para salvar, resgatar todos aqueles que são d’Ele. O que nos resta enquanto vivemos à espera destes dias que virão, dias de grande tribulação, mas também de libertação, é que vivamos na santidade, na expectativa do Senhor que vem. Resta-nos viver de forma responsável, cumprindo nossas obrigações, nossos compromissos e vivendo a verdade naquilo que precisamos viver.

Para Deus, não há passado nem futuro, há um eterno presente. Quando Jesus fala do seu regresso, coloca-o no hoje da sua Igreja. Eis porque, quando escreve o seu Evangelho, Marcos dirige-se a uma comunidade provada pelas perseguições, sem dúvida tentada pelo desespero, pela dúvida. Trata-se, pois, de redizer que Cristo, vitorioso da morte na manhã de Páscoa, é sempre vitorioso sobre todas as forças do mal. O seu regresso será, então, a manifestação do seu esplendor e do seu poder amoroso sobre as forças da morte. Para reavivar a sua esperança, os crentes são convidados a perscrutar os sinais que fazem ver que o Senhor voltará. A esperança dos cristãos manifesta-se em cada Eucaristia, quando afirmam que Cristo veio, vem e virá.

 

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