Artigos dos Bispos

Jesus, o pão vivo que desceu do céu para dar a vida ao mundo! “Eu sou o pão vivo que desceu do céu... O pão que eu darei é minha carne dada para a vida do mundo”(Jo 6,15).

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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08/08/2018 - Atualizado em 08/08/2018 09h51

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A liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum dá-nos conta, uma vez mais, da preocupação de Deus em oferecer aos homens o “pão” da vida plena e definitiva. Por outro lado, convida os homens a prescindirem do orgulho e da auto-suficiência e a acolherem, com reconhecimento e gratidão, os dons de Deus.

O pão que desce do céu e dá a vida ao mundo é Jesus. Importa saber, porem que ele dá a vida não mecanicamente, mas porque diz por palavras – e mostra por gestos quem Deus é. Em Cristo, Deus mesmo nos ensina, e ele se dá a conhecer a todos os que se deixam atrair a seu Filho.

A primeira leitura (1Rs 19,4-8) mostra como Deus Se preocupa em oferecer aos seus filhos o alimento que dá vida. No “pão cozido sobre pedras quentes” e na “bilha de água” com que Deus retempera as forças do profeta Elias, manifesta-se o Deus da bondade e do amor, cheio de solicitude para com os seus filhos, que anima os seus profetas e lhes dá a força para testemunhar, mesmo nos momentos de dificuldade e de desânimo. A comida de Elias prefigura a comida que tira todo o cansaço. Se o profeta, mortalmente cansado, recebeu do pão de Deus força para caminhar quarenta dias, o homem afadigado pelos impasses e tempestades da vida recebe, do “pão descido do céu”, vigor para a vida eterna. Deus sustenta Elias com alimento e bebida para instruí-lo a continuar seu caminho. Elias está fugindo para o deserto a fim de escapar da perseguição de Acaz e Jezabel. Nessa travessia, revive a história do seu povo: fome, sede, desânimo, a ponto de desejar a morte, mas também a experiência da alimentação oferecida por Deus par que possa alcançar “a montanha de Deus, o Horeb, onde ele aparecerá a Moisés e tinha dado seu “ensinamento”(a Torá) ao povo. Elias volta às fontes, revivendo as origens da fé de seu povo.

O Evangelho (Jo 6,41-51) apresenta Jesus como o “pão” vivo que desceu do céu para dar a vida ao mundo. Para que esse “pão” sacie definitivamente a fome de vida que reside no coração de cada homem ou mulher, é preciso “acreditar”, isto é, aderir a Jesus, acolher as suas propostas, aceitar o seu projeto, segui-l’O no “sim” a Deus e no amor aos irmãos. Sermos ensinados por Deus significa que, mediante a adesão à existência que Jesus viveu até a morte, abrimos espaço para a dimensão divina e definitiva de nossa vida, dimensão que lhe confere um sentido inesgotável e irrevogável, o sentido de Deus mesmo. Escutar Jesus alimenta-nos a vida que é comunhão com Deus, válida para sempre. O pão que alimenta essa vida é Jesus. Ele a alimenta pela palavra que falou, pela vida que viveu, pela morte de que morreu: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu... O pão que eu darei é minha carne dada para a vida do mundo”(Jo 6,15).

A segunda leitura (Ef 4,30-5,2) mostra-nos as consequências da adesão a Jesus, o “pão” da vida. Quando alguém acolhe Jesus como o “pão” que desceu do céu, torna-se um Homem Novo, que renuncia à vida velha do egoísmo e do pecado e que passa a viver no caridade, a exemplo de Cristo. O selo de garantia de nossa salvação é o Santo Espírito, o Espírito de amor, que provém do íntimo de Deus. Com liberalidade, perdão, misericórdia, segundo o modelo de Cristo, em cuja doação se manifesta o amor de Deus, testemunho o Espírito do amor de Deus.

Assim, Jesus é o alimento da parte de Deus por ser a Palavra de Deus(cf. Jo 1,1), a qual nos faz viver a vida que está nas mãos de Deus, a vida eterna.

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