Artigos dos Bispos

Partilha e solidariedade com os mais pobres! Quando o alimento é partilhado, ninguém passa fome. Esta é a consequência da concentração de bens e da falta de partilha.

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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24/07/2018 - Atualizado em 24/07/2018 11h20

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A liturgia do 17º domingo Comum dá-nos conta da preocupação de Deus em saciar a “fome” de vida dos homens. De forma especial, as leituras deste domingo dizem-nos que Deus conta connosco para repartir o seu “pão” com todos aqueles que têm “fome” de amor, de liberdade, de justiça, de paz, de esperança.

Na primeira leitura (2Reis 4,42-44), o profeta Eliseu, ao partilhar o pão que lhe foi oferecido com as pessoas que o rodeiam, testemunha a vontade de Deus em saciar a “fome” do mundo; e sugere que Deus vem ao encontro dos necessitados através dos gestos de partilha e de generosidade para com os irmãos que os “profetas” são convidados a realizar. Os vinte pães traziados a Eliseu são distribuídos, todos comem e ficam saciados. Quando o alimento é partilhado, ninguém passa fome. Esta é a consequência da concentração de bens e da falta de partilha. Multiplica-se o alimento quando todos estão dispostos a colaborar para que ninguém fique privado daquilo que é fundamental ao ser humano: a comida.

O Evangelho (Jo 6,1-15) repete o mesmo tema. Jesus, o Deus que veio ao encontro dos homens, dá conta da “fome” da multidão que O segue e propõe-Se libertá-la da sua situação de miséria e necessidade. Aos discípulos (aqueles que vão continuar até ao fim dos tempos a mesma missão que o Pai lhe confiou), Jesus convida a despirem a lógica do egoísmo e a assumirem uma lógica de partilha, concretizada no serviço simples e humilde em benefício dos irmãos. É esta lógica que permite passar da escravidão à liberdade; é esta lógica que fará nascer um mundo novo. Quando se partilha e não se desperdiça, acontece o milagre da multiplicação do alimento, todos são alimentados e ainda sobra. Esse relato é o fundamneto do “discurso do pão da vida” do capítulo 6 de São João, que será desenvolvido ao longo dos próximos domingos. Jesus celebra a Páscoa alimentando o povo faminto. Desse modo, a Páscoa se realiza quando as pessoas tem o fundamental para uma vida digna.

Na segunda leitura (Efésio 4,1-6), São Paulo lembra aos batizados algumas exigências da vida cristã. Recomenda-lhes, especialmente, a humildade, a mansidão e a paciência: são atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preconceito em relação aos irmãos. São Paulo conclama a comunidade a vider a unidade, que faz parte da essência da Mãe Igreja. As dificuldades da comunidade devem ser enfrentadas juntos, como membros de uma mesma família. São Paulo propõe os meios para alcançar essa unidade: humildade, mansidão, paciência e tolerância.

Diante do desemprego elevado, que gera miséria e fome; contenção de despesas de políticas públicas, provocando ainda maior deteriorização desses serviços fundamentais par aa gente mais necessitada; achatamento de salários dos mais vulneráveis, devemos pedir a Deus que conceda a graça do alimento, como necessidade básica do ser humano e direito fundamental de qualquer cidadão. Que nunca falte nos lares de nossos irmãos o compromisso de solidariedade e de partilha com o próximo e com os mais necessitados. Assim Deus nos ajude!

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