Artigos dos Bispos

Perigo do imediatismo O tempo é fundamental nos momentos mais decisivos, mas com critérios bem racionais e apoiados em bases sólidas, fazendo com que ela consiga errar menos e acertar mais.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo Metropolitano de Uberaba – MG

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23/07/2018 - Atualizado em 23/07/2018 11h22

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O perigo, nesse caso, está ligado ao fato da tendência para a simplificação de tudo que é realizado. Também na maneira de proceder no agir, não levando em conta a existência das mediações, e agir em função daquilo que oferece vantagens imediatas. Acontece que fica de fora a preocupação com as possíveis consequências, normalmente prejudiciais para as pessoas em questão.

Jesus procurou não ser imediatista com os Apóstolos. Fez com eles uma trajetória de aprendizado fraterno, de convivência e de fortalecimento de vínculo entre eles. Na vida do povo nada muda com muita rapidez. Os passos são lentos, mas devem ser ascendentes, como uma construção que começa numa base bem trabalhada para dar firmeza e estrutura ao o que vai ser feito a partir dali.

Não ser imediatista não significa deixar tudo para depois, acabando por não fazer nada. A rapidez pode ser inimiga da perfeição e levar a resultados inseguros. Somente Deus é a perfeição, seja no mediatismo como também no imediatismo. As ações das pessoas devem ser planejadas, apoiadas racionalmente nas experiências concretas que deram bons resultados em momentos passados.

A Igreja procura não agir com imediatismo. Às vezes é até interpretada como lenta demais e que chega sempre depois da hora. Ela procura ouvir um pouco a voz do Espírito Santo, que não age no frenetismo e na correria. O tempo é fundamental nos momentos mais decisivos, mas com critérios bem racionais e apoiados em bases sólidas, fazendo com que ela consiga errar menos e acertar mais.

Em muitos fatos da Sagrada Escritura, ligados à ação de Jesus Cristo, foram realizados com o seu poder divino, mas sempre apoiados nos fundamentos da fé da pessoa. É por isso que Ele diz: “A tua fé te salvou”. A fé não é imediatista, porque ela é fruto e sinal de uma busca pessoal e de confiança no poder curador de Deus. Essa experiência de Deus na vida faz acontecer o milagre da cura.

A prática do mediatismo é própria de pessoas responsáveis, justas e preocupadas com a autenticidade de seu fazer. Não significa agir somente por boa vontade, mas comprometido com as exigências do momento histórico. Devemos avaliar o agir das atuais autoridades e cobrar delas transparência e responsabilidade. Para as próximas eleições não agir com imediatismo, mas conhecer o candidato.

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