Artigos dos Bispos

Interessar-se pelos frágeis e limitados! Jesus não quer a morte de ninguém, nem dos pecadores. Jesus quer reerguer os caídos e dar-lhes uma nova chance de vida.

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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03/07/2018 - Atualizado em 03/07/2018 11h19

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A liturgia deste domingo revela que Deus chama, continuamente, pessoas para serem testemunhas no mundo do seu projeto de salvação. Não interessa se essas pessoas são frágeis e limitadas; a força de Deus revela-se através da fraqueza e da fragilidade desses instrumentos humanos que Deus escolhe e envia.

A primeira leitura (Ezequiel 2,2-5) apresenta-nos um extrato do relato da vocação de Ezequiel. A vocação profética é aí apresentada como uma iniciativa de Deus, que chama um “filho de homem” (isto é, um homem “normal”, com os seus limites e fragilidades) para ser, no meio do seu Povo, a voz de Deus. O profeto é convidado a uma missão difícil: levar uma mensagem aos que têm “cabeça dura e coração de pedra”. O importante não é se será ou não ouvido, e sim que saibam que foram visitados e alertados. Deus quer marcar presença, com seus mensageiros, também no meio do “povo rebelde”.

Na segunda leitura (2 Coríntios 12,7-10), Paulo assegura aos cristãos de Corinto (recorrendo ao seu exemplo pessoal) que Deus atua e manifesta o seu poder no mundo através de instrumentos débeis, finitos e limitados. Na ação do apóstolo – ser humano, vivendo na condição de finitude, de vulnerabilidade, de debilidade – manifesta-se ao mundo e aos homens a força e a vida de Deus. São Paulo lembra o “espinho na carne”, talvez se referindo às dificuldades que enfrentou na missão, especialmente com relação à saúde(cf. Gl 4,13-15). É nessa situação de fragilidade que o apóstolo encontra força em Deus, pois é na fraqueza que o Senhor manifesta o seu poder.

O Evangelho (Marcos 6,1-6), ao mostrar como Jesus foi recebido pelos seus conterrâneos em Nazaré, reafirma uma ideia que aparece também nas outras duas leituras deste domingo: Deus manifesta-Se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Quando os homens se recusam a entender esta realidade, facilmente perdem a oportunidade de descobrir o Deus que vem ao seu encontro e de acolher os desafios que Deus lhes apresenta. Jesus anda pelos povoados e vilarejos para estabelecer seu reinado, mas depara com muitos obstáculos. Às vezes não é aceito nem mesmo entre os seus. Nem por isso o Mestre deixa de percorrer as aldeias e ensinar. A comunidade cristã precisa seguir o mesmo exemplo de Jesus e, ouvindo o apelo do Papa Francisco, lançar-se às periferias existenciais de nossas cidades, não apenas as físicas, mas especialmente as existenciais.

Jesus assume a causa dos menores da sociedade. As suas mãos, que esculpiram a madeira, curou os doentes, aproximou-se das pessoas, mostrando sabedoria divina, revelando o rosto misericordioso de Deus. A vida de Jesus é um convite para vivermos a sabedoria divina, cuidando dos mais pobres, dos doentes, dos perseguidos, dos caluniados, dos espoliados. Jesus não desiste de resgatar e dar vida a ninguém, particularmente, dos pecadores.

Jesus não quer a morte de ninguém, nem dos pecadores. Jesus quer reerguer os caídos e dar-lhes uma nova chance de vida.

Não sejamos como o povo incrédulo de Nazaré, os parentes e amigos de Jesus que o hostilizaram. Olhemos no Senhor e percorremos as suas pegadas ensinando o seu Evangelho e pregando o seu Reino, um Reino de Justiça e de misericórdia, irmanados como sal da terra e luz do mundo. Sendo sal que dá sabor na medida certa e sendo luz que ilumina os caminhos escuros do mundo de hoje!

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