Artigos dos Bispos

Exemplo de João É preciso levar e ensinar para os outros o que aprendemos e vivenciamos como bem moral, sendo verdadeira luz para os demais (Cf. Isaías 49, 6).

Dom José Alberto Moura

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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20/06/2018 - Atualizado em 20/06/2018 08h56

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Na liturgia da Igreja celebramos a festa, dentro de outras juninas, do nascimento de João Batista, o precursor de Jesus. Enquanto fazemos as comemorações dos santos no dia de sua ida para o céu, a de João celebramos no dia de seu nascimento, para realçar sua missão importante, que adveio com seu nascimento para a vida presente. Ele exerceu uma missão ímpar no plano da salvação trazida pelo Messias. Preparou a comunidade judaica para receber o Salvador que viria reatar a pontificação da humanidade de todos os tempos e lugares com o divino. Só Deus poderia realizar tal união perdida por nós com o rompimento da aliança com Ele. João, o batizador, liderava o mundo religioso de então. Mas ele não quis assenhorar-se do prestígio para se fazer de Messias. Em sua humildade apresentou a verdade do Filho de Deus, falando alto e bom tom sobre a pessoa divina deste.

A vida e as palavras proféticas de João deveriam ser assumidas também por nós, que fomos batizados para também sermos profetas. Assim proferimos ou comunicamos a todos que somente seguindo o Cristo, realizando na terra o que Ele fez e ensinou, é que temos a chance de consertarmos a convivência humana, com os critérios ou valores de seu Reino. Mesmo tendo que dar a cabeça, como João fez, não podemos abrir mão de colocar em prática nossa missão de discípulos missionários de Jesus. Proclamar, viver e comunicar a verdade, a correição moral, a defesa dos deixados de lado no convívio social, promover a justiça, vida da família conforme o projeto do Criador, a política honesta e de verdadeira promoção do bem comum, o respeito à dignidade da criança, do idoso, da mulher, do sexo e das minorias fazem-nos imitar João para termos uma sociedade mais humana e solidária.

O profeta lembra que não é suficiente fazer nossas obrigações pessoais e de natureza espiritual. É preciso levar e ensinar para os outros o que aprendemos e vivenciamos como bem moral, sendo verdadeira luz para os demais (Cf. Isaías 49, 6). O próprio Jesus  deu a incumbência a seus discípulos para irem e ensinarem a todas as nações o que Ele próprio fez  e ensinou. O Papa Francisco afirma que devemos ser  uma Igreja em saída, ou seja, assumindo a missão de não guardar só para nós e em nossa comunidade, o que aprendemos de bom. É necessário levarmos a todos e continuamente a proposta de Jesus, com a prática do bem, da justiça, dos valores humanos e cristãos. Não se trata de fazermos proselitismo, pressão, ou imposição moral e psicológica para obter conversões e sim de apresentarmos os valores de modo a que as pessoas vejam como um atrativo interessante avida cristã para também se disporem a seguir pelo mesmo caminho (Cf. Evangelii Gaudium – Alegria do Evangelho n.o 14).  Os primeiros cristãos eram admirados pela sua prática da fraternidade e solidariedade (Cf. Atos dos Apóstolos 4,32-37).

João era uma pessoa de vida simples e austera. Se também não o formos, cairemos na tentação de buscarmos na vida sem compromisso e busca de valores maiores, o hedonismo, o materialismo e a falta de solidariedade com o bem dos mais necessitados. A vida digna deve ser procurada, mas com a hipoteca ou o compromisso com grande parte da sociedade que vive na exclusão social. Com sacrifício e doação nos sentimos mais desapegados do conforto pelo conforto para vivermos no ideal de servir a causa do bem comum, como fez João!

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