Artigos dos Bispos

Confiança e esperança Todos nós somos chamados a fazer o bem e Jesus é esse mestre que nos ensina com as Suas palavras e com as Suas atitudes.

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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11/06/2018 - Atualizado em 11/06/2018 15h33

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A liturgia do 11º Domingo do Tempo Comum convida-nos a olhar para a vida e para o mundo com confiança e esperança. Deus, fiel ao seu plano de salvação, continua, hoje como sempre, a conduzir a história humana para uma meta de vida plena e de felicidade sem fim.

Na primeira leitura (cf. Ez 17,22-24), o profeta Ezequiel assegura ao Povo de Deus, exilado na Babilônia, que Deus não esqueceu a Aliança, nem as promessas que fez no passado. Apesar das vicissitudes, dos desastres e das crises que as voltas da história comportam, Israel deve continuar a confiar nesse Deus que é fiel e que não desistirá nunca de oferecer ao seu Povo um futuro de tranquilidade, de justiça e de paz sem fim. O Senhora da história, Deus tem soberania sobre a natureza e a humanidade. É ele quem abaixa a árvore alta, derrubando os opressores e orgulhosos, e eleva a árvore baixa, liberta os pobres, oprimidos e excluídos. O profeta Ezequiel incute a “esperança messiânica” no povo exilado na Babilônia, apontando para o tempo em que todas as nações(“pássaros”) terão abrigo e proteção.

O Evangelho (cf. Mc 4,26-34) apresenta uma catequese sobre o Reino de Deus – essa realidade nova que Jesus veio anunciar e propor. Trata-se de um projeto que, avaliado à luz da lógica humana, pode parecer condenado ao fracasso; mas ele encerra em si o dinamismo de Deus e acabará por chegar a todo o mundo e a todos os corações. Sem alarde, sem pressa, sem publicidade, a semente lançada por Jesus fará com que esta realidade velha que conhecemos vá, aos poucos, dando lugar ao novo céu e à nova terra que Deus quer oferecer a todos. Jesus ensina por meio de parábolas, usando elementos do mundo rural-agrário de seu tempo para compará-los ao Reino de Deus. Lemos hoje duas parábolas: a da semente que cresce por si e a do grão de mostarda. A da semente mostra a vitalidade do Reino, que tem força em si mesmo. Ao encontrar campo fértil, a semente – o Reino – cresce e produz frutos. A parábola do grão de mostarda destaca o contraste entre a pequenez da semente e a grandeza da planta: os pequenos gestos do Reino fazem a diferença no mundo.

Nesta semana, olhando para as duas parábolas de hoje, vamos exercitar a paciência no processo de crescimento. Todos nós somos chamados a fazer o bem e Jesus é esse mestre que nos ensina com as Suas palavras e com as Suas atitudes. Ele ensina sobre as coisas do Alto. Jesus explica que o Reino dos Céus é como uma semente lançada, que germina, brota, cresce. O Cristo é semeado no nosso coração. Esse crescimento no dia a dia acontece através da oração, das boas obras, da caridade, do perdão, da misericórdia. Falaríamos como disse o Papa Francisco nos Angelus do 10º. Domingo do Tempo Comum: “Acusar alguém por inveja é veneno mortal”. É preciso ter calma. Nós que estamos na caminhada com Deus não devemos esperar crescer na espiritualidade sem as dores, sem os sofrimentos. Quando nos decidimos por Cristo nós entramos na escola do sofrimento, mas colocamos sentido: é por causa de Cristo. Nós nos tornamos mais maduros depois dessa caminhada. Assim é o Reino dos Céus, como um grão de mostarda que começa pequeno e vai crescendo.”

A segunda leitura (cf. 2Cor 5,6-10) recorda-nos que a vida nesta terra, marcada pela finitude e pela transitoriedade, deve ser vivida como uma peregrinação ao encontro de Deus, da vida definitiva. O cristão deve estar consciente de que o Reino de Deus (de que fala o Evangelho de hoje), embora já presente na nossa atual caminhada pela história, só atingirá a sua plena maturação no final dos tempos, quando todos os homens e mulheres se sentarem à mesa de Deus e receberem de Deus a vida que não acaba. É para aí que devemos tender, é essa a visão que deve animar a nossa caminhada. A exemplo de São Paulo, talvez questionemos se é melhor “habitar no corpo” ou “exilar-se do corpo”. Não se trata de desprezá-lo ou fugir dele. Diferentemente dos gregos, para os quais o corpo era a prisão da alma, São Paulo valoriza o corpo como “morada do espírito” e “membro de Cristo”, reconhece sua fugacidade e afirma que o importante é procurarmos agradar ao Senhor vivendo nossa realidade corporal.

Peçamos a Deus a graça de “plantar o Reino de Deus”, como nosso exemplo, nossa palavra acertada, nossa prática de amor, justiça e solidariedade, confiança e misericórdia que a Trindade nos dá para lançar as sementes do Reino entre nós!

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