Artigos dos Bispos

1º de maio: Dia do trabalho. Dia de São José Operário Trabalhar não é uma vergonha, mas uma honra.

Dom João Bosco Óliver de Faria

Arcebispo Emérito de Diamantina - MG

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30/04/2018 - Atualizado em 30/04/2018 09h56

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“A palavra trabalho deriva do latim tripalium ou tripalus, uma ferramenta de três pernas que imobilizava cavalos e bois para serem ferrados. Curiosamente era também o nome de um instrumento de tortura usado contra escravos e presos, que originou o verbo tripaliare cujo primeiro significado era "torturar" [2] [3]. Os gregos e os latinos diferenciavam o trabalho criativo (dos artistas e elites) do trabalho braçal ou penoso (escravos)”.

Já no Antigo Império Egípcio o trabalho pesado, como a construção das pirâmides, era exigido dos prisioneiros de guerra, transformados em escravos. Isso se repetiu em Babilônia e mais tarde em Roma. O pesado era dado aos escravos.

Na colonização do Brasil ficou a mancha terrível da escravidão da população negra arrancada da África. Estraçalhavam as famílias: os pais eram aprisionados e os filhos abandonados. Transportados nos navios negreiros, como animais, muitos morriam na viagem. Sobreviviam os mais fortes. Soube de uma historiadora, que o tempo médio de vida de um escravo, no Brasil, era de cinco anos. Morriam ou de tuberculose ou de pneumonia. Era mais barato comprar um outro escravo que  tratá-lo em sua saúde. Havia, ainda, o açoite, o pelourinho. Leia-se Euclides da Cunha em “Os Sertões”, com informações mais tristes.

Hoje, em todas as minhas Missas e na oração do Santo Terço, rezo pelas almas dos escravos negros que morreram em nosso País.

Esses fatos deixaram uma herança triste no pensamento da sociedade brasileira: “trabalho é coisa de escravo”. Quantas vezes ouvi: “Eu não sou escravo para trabalhar!” E o sonho de muitos: aposentar-se cedo e parar de trabalhar.

Quando era jovem sacerdote, estudante em Roma, jantei, uma vez, com um senhor alemão, pai de família. Na guerra ele era desativador de minas, o que lhe fez perder as duas mãos. Ele tinha mãos mecânicas e jantava, com elegância, usando faca e garfo. Tinha sua aposentadoria de guerra. Mas fez questão de ter seu trabalho profissional, como expressão de seus valores humanos e para não se sentir de peso à sociedade. Entendera, muito bem, que o trabalho dignifica a pessoa.

Jesus ao assumir nossa natureza humana, ele resgata o homem do pecado e resgata a dignidade do trabalho. Seu pai, São José, era carpinteiro. E Ele, naturalmente ajudava Seu pai em sua oficina, até iniciar aos trinta anos Sua missão de anunciar o Evangelho. Suas mãos deveriam ter sido bem calosas.

O Papa São João Paulo II, com sua Encíclica: “Exercendo o Trabalho”, faz uma reviravolta na Doutrina Social da Igreja. O foco não é mais a propriedade privada, mas o trabalho com as relações capital e trabalho, condições dignas de trabalho, etc.  Apresenta o trabalho como a chave da questão social. O trabalho é feito para o homem e não o homem para o trabalho. Mostra como o trabalho é uma das expressões da dignidade da pessoa. A pessoa se realiza pelo trabalho.

Em nossa convivência social, quando nos apresentamos a alguém, com o nosso nome, dizemos, ou nos é perguntado, a profissão ou o trabalho que exercemos. As senhoras, ao mostrarem seus trabalhos de crochê ou tricô às amigas, sempre ficam felizes ao serem elogiadas pelos pontos apertados e bem feitos. Os pintores e escultores assinam suas obras, os compositores assinam suas músicas, os escritores assinam os seus livros e artigos. O homem se realiza pelo trabalho.

Trabalhar não é uma vergonha, mas uma honra.

Quando vou cumprimentar um pedreiro, servente ou mecânico que tem a mão marcada pelo seu trabalho e me apresenta o pulso para cumprimentar,  sempre respondo: “Trabalho não suja mão. Nem sempre as mãos `limpas´ são `limpas´”. Eles sorriem e estendem a mão.

É muito triste não ter um trabalho digno para garantir o sustento da própria vida e família. O Brasil vive um tempo muito triste. Nem mesmo o diploma de faculdade garante um emprego. Penso que há mais diplomados desempregados que os sem diploma...

Não podemos resolver todos os problemas do nosso País. Mas podemos ficar atentos e ajudar a arranjar trabalho para quem não o tem. Conheço uma pessoa humilde que tem essa habilidade.

Depois de entregar o governo da Arquidiocese de Diamantina, MG, por limite de idade, iniciei um outro trabalho em favor da sociedade como Provedor da Irmandade da Santa Casa de Curitiba, PN, aonde estou doando meu trabalho e o melhor de minha idade para levar saúde e curar os corações dos doentes e marginalizados.

Que São José que sofreu a falta de trabalho quando chegou ao Egito com sua família, ilumine nossos governantes na solução desse grave problema e ilumine o povo, neste ano eleitoral, a escolher melhor seus governantes e representantes.

São José, Rogai por nós!

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