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A dignidade do trabalho O trabalho é sublime: o trabalho não é uma penalidade, mas sim a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível (Catecismo da Igreja Católica, CIC § 378).

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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30/04/2018 - Atualizado em 30/04/2018 09h47

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Iniciamos o mês de maio. Neste mês em que celebramos a presença de Nossa Senhora na vida da Igreja o mês é inaugurado com a celebração de São José Operário, padroeiro de todos os trabalhadores e trabalhadoras, em que colocamos nas mãos do Carpinteiro de Nazaré todos os que, diuturnamente, enfrentam as jornadas de trabalho.

Gostaria, no início deste mês em que pedimos a proteção de Nossa Senhora, Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa Mãe, que tivéssemos presente de que é necessário rezar o terço diariamente. Quem já experimentou, em sua vida, a rezar o terço enquanto trabalha? Desde os meus tempos de seminário, quando eu ingressei na Congregação Mariana, rezo o terço que aprendi, ainda na simplicidade e santidade da vida de meus pais e irmãos. Já rezávamos o terço em casa, momento principal da nossa vida familiar, e continue durante toda a minha vida, particularmente enquanto executo algum trabalho, a unir-me a Cristo e a Virgem Maria meditando os mistérios da salvação.

O trabalho é sublime:  o trabalho não é uma penalidade, mas sim a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível (Catecismo da Igreja Católica, CIC § 378).

O trabalho é, pois, um dever: “Quem não quer trabalhar, também não há de comer” (2Ts 3,10). “O trabalho honra os dons do Criador e os talentos recebidos. Suportando a pena do trabalho unido a Jesus, o artesão de Nazaré e o crucificado do Calvário, o homem colabora de certa maneira com o Filho de Deus na Sua obra redentora” (CIC § 2427).

O Apóstolo São Paulo ensinou como devemos trabalhar: “Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Colossenses 3,17). Por isso devemos trabalhar alegres, agradecidos e felizes. Seja qual for o seu trabalho, manual, pesado ou sofisticado, de varrer a casa ou de varrer a rua, de tirar leite ou de trabalhar numa grande empresa, de cuidar dos doentes, na enfermaria ou como médico, como advogado ou no trabalho da evangelização, na cozinha ou nas fábricas, a graça de Deus se manifesta no trabalho que você desenvolve. Todos os trabalhos são indispensáveis e agradáveis a Deus.

São João Paulo II, na sua Encíclica Laborem Exercens ensina que: “É mediante o trabalho que o homem deve procurar-se o pão quotidiano e contribuir para o progresso contínuo das ciências e da técnica, e sobretudo para a incessante elevação cultural e moral da sociedade, na qual vive em comunidade com os próprios irmãos. E com a palavra trabalho é indicada toda a atividade realizada pelo mesmo homem, tanto manual como intelectual, independentemente das suas características e das circunstâncias, quer dizer toda a atividade humana que se pode e deve reconhecer como trabalho, no meio de toda aquela riqueza de atividades para as quais o homem tem capacidade e está predisposto pela própria natureza, em virtude da sua humanidade” inicia o discurso magisterial do Papa.

Peçamos a Nossa Senhora, neste mês que se inicia todo dedicado a ela, que possamos, como nos pede a Igreja e recorda sempre o Papa Francisco, a trabalhar e rezar. Se São Bento nos legou o “ora et labora”, ou seja, “o orar e trabalhar” façamos de nossas jornadas de diária um louvor contínuo a Deus e uma entrega da nossa vida, na espiritualidade do trabalho em favor da edificação da sociedade do amor e da nossa santificação pessoal.

Não vamos esquecer de agradecer a Deus o trabalho e o salário que temos. Deus seja louvado por esta dádiva. Mas, também, não vamos esquecer de rezar pelos que estão desempregados e que passam necessidades básicas para sobreviver. A estes vamos nos unir na oração e na, medida do possível, na ajuda material para que possam ser restabelecidos no mercado de trabalho.

Agradeçamos a Deus por tantas pessoas que trabalham para que em nossas mesas cheguem o nosso pão cotidiano. Deus os abençoe!

Faça a experiência, pelo menos um dia por semana, de na hora de seu almoço reunir no ambiente de seu trabalho seus colegas de serviço parra a reza do terço. Que Nossa Senhora de Fátima ilumine, abençoe e guarde a todos os trabalhadores e trabalhadoras, amém!

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