Artigos dos Bispos

O caminho da salvação! A Palavra de Deus garante aos batizados que a salvação passa por uma vida vivida na escuta atenta dos projetos de Deus e na doação total aos irmãos.

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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12/03/2018 - Atualizado em 12/03/2018 09h22

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Na liturgia do 5º Domingo Quaresmal ecoa, com insistência, a preocupação de Deus no sentido de apontar ao homem o caminho da salvação e da vida definitiva. A Palavra de Deus garante aos batizados que a salvação passa por uma vida vivida na escuta atenta dos projetos de Deus e na doação total aos irmãos.

Na primeira leitura (Jr 31,31-34), Deus apresenta a Israel a proposta de uma nova Aliança. Essa Aliança implica que Deus mude o coração do Povo, pois só com um coração transformado o homem será capaz de pensar, de decidir e de agir de acordo com as propostas de Deus. A profecia de Jeremias aponta para a Nova Aliança, que será estabelecida por Deus com o seu povo(Jr 31,31). Esta é a única vez em todo o Antigo Testamento em que aparece o termo “Nova Aliança”. A novidade desta Aliança que será estabelecida residirá no modo como o Senhor a realizará: infundindo a sua graça nos corações dos fiéis, a fim de que sejam capazes de corresponder ao seu chamado. Esta Nova Aliança, anunciada pelo profeta se realizou na plenitude dos tempos, na glorificação do Verbo Encarnado(Jo 12,23), por meio da sua Paixão Morte e Ressurreição.

A segunda leitura (Hb 5,7-9) apresenta-nos Jesus Cristo, o sumo-sacerdote a nova Aliança, que Se solidariza com os homens e lhes aponta o caminho da salvação. Esse caminho (e que é o mesmo caminho que Jesus seguiu) passa por viver no diálogo com Deus, na descoberta dos seus desafios e propostas, na obediência radical aos seus projetos.

O Evangelho (Jo 12,20-33) convida-nos a olhar para Jesus, a aprender com Ele, a segui-l’O no caminho do amor radical, do dom da vida, da entrega total a Deus e aos irmãos. O caminho da cruz parece, aos olhos do mundo, um caminho de fracasso e de morte; mas é desse caminho de amor e de doação que brota a vida verdadeira e eterna que Deus nos quer oferecer.

Jesus diz, no Evangelho de hoje: “Eu, quando for elevado na terra, atrairei todos a mim”(Jo 12,32). Esta atração, fruto do mistério da reconciliação que o Pai realizou por meio da morte e ressurreição de seu Filho em nosso favor, já começa a ser visibilizar no desejo dos gregos de ver Jesus. O desejo é despertado no coração dos pagãos “tementes a Deus”, isto é, os que simpatizavam com o judaísmo, apesar de não serem circuncidados(cf. At 10,2), porque chegou a hora de Jesus. A hora de realizar o plano de amor do Pai de salvar a todos: judeus e pagãos. Esta hora, anunciada nas Bodas de Caná(Jo 2,4) é da glorificação do Filho, que pela sua entrega “tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem”(Hb 5,9). No ato da morte do “grão de trigo”(Jo 12,24), isto é, no altar da cruz, Jesus “entregou o Espírito”(Jo 9,30), fim de que cada pessoa, batizada na sua morte(Rm 6,3), possa estar cheia do Espírito do Ressuscitado e, assim, não viver mais para si m esma, mas para o Senhor. A multidão dos resgatados pela morte e ressurreição de Jesus, que crescerá até a sua volta gloriosa, são os que aderiram a ele pela fé e pelo Batismo. Esta multidão é a grande frutuosidade produzida pelo grão de trigo que caiu na terra e morreu.

Em que colocas o teu coração? Com quem estabeleces relações? Fazer aliança com Deus e viver de acordo com o projeto divino faz com que as nossas relações sejam firmes e douradoras. Pois se trata de uma aliança que se assina com a vida, com aquilo que representa a centralidade da vida: o coração amoroso de Deus Pai. Ser infiel a esta Aliança é o mesmo que rasgar a vida, que desperdiçar a vida, que perder a vida, como diz Jesus no Evangelho: “quem quiser ganhar a vida, vai perdê-la”. Quem quiser colocar no seu coração outro projeto que não seja o de Deus, perde o sentido de viver. É por isso que antes de iniciar a celebração, fazemos o ato penitencial.

O maior exemplo e o modelo da fidelidade ao plano de Deus é Jesus. Mesmo angustiado diante da sua “hora”, ele se mantém fiel e faz de sua obediência a glorificação do Pai. Foi entregando sua vida que ele plantou o Reino de Deus e coloca a vida de Deus dentro de quem se faz discípulo seu. O Plano de Deus foi plenamente realizado por Jesus. Hoje, este plano continua a ser realizado no mundo pelos discípulos de Cristo que têm o Espírito de Deus em seus corações. Por aqueles que levam a sério a Aliança divina, assinada no dia do Batismo. Por aqueles que não são cristãos de nome, mas assumem a mentalidade do Evangelho e fazem dele o seu modo de viver, de agir. Concluo com uma pergunta: o que está no centro de sua vida interior; qual a coisa mais importante que está em seu coração? O Espírito de Deus ou uma outra mentalidade, ajustada a este mundo? Vamos pensar nisso durante essa semana para tomar uma decisão sincera sobre nosso modo de ser cristão, a partir da Semana Santa.

Você já se preparou para a Páscoa com uma boa confissão auricular? Quaresma é tempo de preparação para a Páscoa. Duas são as atitudes fundamentais deste tempo para ti e para mim: a conversão do coração e a solidariedade para com os necessitados, construindo um mundo novo de paz e de fraternidade!

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