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Artigos dos Bispos

Missão Libertadora Lutar contra as tribulações é próprio de nosso ser em busca de vencer as barreiras e nos realizarmos como seres humanos que têm um ideal elevado na vida.

Dom José Alberto Moura

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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31/01/2018 - Atualizado em 31/01/2018 12h08

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Nossa caminhada terrestre é cheia de desafios, dissabores e limites. No entanto, não há fragilidade que não possa ser vencida se tivermos as forças e os meios necessários para superá-la, ainda mais com união de esforços comuns para canalizarmos tudo em bem dessa causa. Ao contrário, mesmo tendo força para vencer e não a orientarmos para atingirmos o objetivo de superação dos limites, podemos sucumbir. Lutar contra as tribulações é próprio de nosso ser em busca de vencer as barreiras e nos realizarmos como seres humanos que têm um ideal elevado na vida.

Quando nosso ideal de vida é o mais elevado e somos convencidos de que a vida vale para buscá-lo ou realizá-lo, vamos a campo com entusiasmo, esperança e todo o empenho para conquistá-lo. Quantos, até com graves limites, mesmo físicos, conseguem superar-se e realizar o sonho na vida de conquista de posições e status que pareceriam impossíveis de atingir.

Estamos numa sociedade de limites e desafios não só pessoais, mas de modo abrangente, estruturais e sociais. A política, a economia e a tecnologia precisam ser melhor encaminhados para o benefício social e pessoal. Só com a consciência, a corresponsabilidade e a prática do altruísmo é que podemos vencer as barreiras dos problemas existentes. Por isso, a conjugação de esforços e a convicção de que tudo depende de cada um e de todos é que nos despertamos para mudar a realidade. Enquanto houver podridão ética e moral no tecido social e não houver a consciência da responsabilidade de todos para mudar não modificaremos o quadro social. O problema maior não está  na corrupção de certos políticos e outros agentes de responsabilidade social e sim no povo que elege e apoia essas pessoas com seus desmandos.  Precisamos formar a consciência da cidadania para arregaçarmos as mangas e trabalharmos realmente para o bem comum. O clientelismo político, a compra e a venda de votos corrompem mais ainda as relações de interesse social.

Precisamos formar a convicção de que só modificaremos o tecido social se mudarmos a nós mesmos, assumindo nossa missão de contribuir com a mudança da cultura do dar um “jeitinho” pessoal para cada um levar vantagem, trocando favores escusos em detrimento do bem moral e social de todos. Temos que formar a convicção de que é grande quem der de si pelo bem de todos e não quem sai ganhando material e socialmente a qualquer preço.

Para isso, é preciso fazermos uma ”frente” de missão libertadora de quem levanta a bandeira da divulgação e prática de valores da promoção do bem comum. Podemos aplicar as palavras de Paulo sobre o anúncio do evangelho: “Ai de mim se eu não pregar o evangelho”! (1 Coríntios 9,16). Assim também, ai de nós se não nos unirmos para propagarmos e ajudarmos a conscientizar a todos de que um mundo novo é possível. Mas isso só acontecerá se conjugarmos esforços para transformar a mentalidade perniciosa do egoísmo e cada um der de si para ajudar a implantar mais a doação pessoal. Então superaremos a corrupção e a insaciável fome do egoísmo que leva muitos a surripiarem o que é de benefício de todos!

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