Artigos dos Bispos

Jesus ensina com autoridade!

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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29/01/2018 - Atualizado em 29/01/2018 11h25

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A liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum garante-nos que Deus não se conforma com os projetos de egoísmo e de morte que desfeiam o mundo e que escravizam os homens e afirma que Ele encontra formas de vir ao encontro dos seus filhos para lhes propor um projeto de liberdade e de vida plena.

A primeira leitura(Cf. Dt 18,15-20) nos propõe – a partir da figura de Moisés – uma reflexão sobre a experiência profética. O profeta é alguém que Deus escolhe, que Deus chama e que Deus envia para ser a sua “palavra” viva no meio dos homens. Através dos profetas, Deus vem ao encontro dos homens e apresenta-lhes, de forma bem perceptível, as suas propostas. “Porei em sua boca as minhas palavras e ele lhes comunicará tudo o que eu lhe mandar”(cf. Dt 18,18). Mas, atenção ao que se segue: “Eu mesmo pedirei contas a quem não escutar as minhas palavras que ele pronunciar em meu nome”(Dt 18,19). Não aconteça, portanto, que digamos como o povo na primeira leitura: “Não quero mais escutar a voz do Senhor”(Dt 18,16), mas que expressemos como o profeta Jeremias: “Quando apareciam as vossas palavras, Senhor, eu tomava-as como alimento. A vossa palavra era encanto e a alegria do meu coração”(cf. Jr 15,16).

O Evangelho(cf Mc 1,21-28) mostra como Jesus, o Filho de Deus, cumprindo o projeto libertador do Pai, pela sua Palavra e pela sua ação, renova e transforma em homens livres todos aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte. Jesus ensina e todos ficam admirados como seu ensinamento: Ele não ensina como os mestres da Lei. Jesus expulsa os espíritos maus e todos ficam espantados com a sua autoridade. Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem. Donde vem, então, a autoridade de Jesus capaz de expulsar demônios? Donde vem o ensinamento de Jesus que não é como o dos mestres da Lei? É a assembleia do Evangelho que pergunta; é a assembleia aqui que também quer saber: Diga-nos, Jesus, de onde vem o teu poder: “as palavras que vos digo, não as digo por mim mesmo”(cf. Jo 14,10); “porque eu não falei por conta própria, m as o Pai que me enviou, ele é quem me ordenou o que devo dizer e falar.... e o que ele ordena é vida eterna(Jo 12,49ss). Por isso, “as palavras que vos falei são Espírito e são vida”(Jo 6,63) e, “quem escuta a minha palavra e crê naquele que me enviou possui a vida eterna(...), passou da morte para a vida(Jo 5,24).

No Evangelho de hoje o texto sagrado nos localiza. Estamos em Cafarnaum e num dia de Sábado. Ontem como hoje o sábado é o dia de muita bagunça. E para muitas preocupações mundanas, para muitos lugares geográficos diversos, acorre muita gente e inclusive estrangeiros em negócios pessoas ou simplesmente turistas e também por ser uma terra judia não podia faltar gente que fosse para rezar no templo. Até porque a cidade era portuária e então muita gente provavelmente estava lá para tomar a brisa suave do mar. É neste ambiente que Jesus como bom pedagogo e conhecedor do assunto aparece e começa a semear a Boa Nova do Reino. De repente uma voz: O que quer de nós, Jesus de Nazaré? Você veio para nos destruir? Sei muito bem quem é você: é o Santo que Deus enviou!  Um homem possuído pelo espírito mau, reconhecendo o poder e autoridade de Jesus. Aqui vejo taxativamente não só o reconhecimento do poder e autoridade de Jesus sobre os poderes do mal como também o poder de curar todo o tido de enfermidade que nos tira a nossa dignidade. Jesus fala e ensina com tanta autoridade ao ponto de até os espírito impuros lhe obedecerem. Diante esta autoridade como tenho obedecido à Sua palavra? O que ela tem para me dizer no dia de hoje? No mundo como o nosso, cheio de relacionamentos e atitudes como o de Cafarnaum, existem muitas atitudes libertadoras, fraternas, mas também, atitudes de dominação e poder. As guerras, as divisões, o não perdão, todo tipo de maldade representados neste homem com o espírito impuro, curado por Jesus hoje.Como este homem é preciso que eu erga a minha voz e diga cura-me Ó Pai! Dá-me forças para que jamais eu permita ao poder do mal prevalecer sobre mim. Seja o meu coração totalmente voltado para ti e para o teu Reino.

A segunda leitura(cf 1Cor 7,32-35) convida os batizados a repensarem as suas prioridades e a não deixarem que as realidades transitórias sejam impeditivas de um verdadeiro compromisso com o serviço de Deus e dos irmãos.

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