Artigos dos Bispos

Vem, Senhor Jesus!

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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22/12/2017 - Atualizado em 22/12/2017 08h53

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Estamos próximos do Natal, já que neste quarto domingo, à partir das 18hs, já são vésperas solenes de Natal, com a celebração da Missa da Noite de Natal. O Natal está próximo. Ainda é tempo de lembrar que devemos fazer uma boa confissão para bem celebrar o Natal do Senhor.

A liturgia deste último Domingo do Advento refere-se repetidamente ao projeto de vida plena e de salvação definitiva que Deus tem para oferecer aos homens. Esse projeto, anunciado já no Antigo Testamento, torna-se uma realidade concreta, tangível e plena com a Encarnação de Jesus.

A primeira leitura (2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16) apresenta a “promessa” de Deus a Davi. Deus anuncia, pela boca do profeta Natã, que nunca abandonará o seu Povo nem desistirá de o conduzir ao encontro da felicidade e da realização plenas. A “promessa” de Deus irá concretizar-se num “filho” de Davi, através do qual Deus oferecerá ao seu Povo a estabilidade, a segurança, a paz, a abundância, a fecundidade, a felicidade sem fim. A primeira leitura narra o diálogo entre o rei Davi e o profeta Natã. Esse diálogo serviu como ponto de referência para toda história posterior com o projeto de Davi, que queria construir um Templo, para reforçar a unidade do Reino de Israel. Porém, refletindo melhor, Natã convenceu-se que já eram demasiados os sacrifícios impostos ao povo e não era ocasião favorável para a construção do Templo. Natã comunicou essa revelação recebida de Deus ao rei Davi. Depois disso, Natã fez a Davi uma promessa inaudita: a casa de Deus mesmo vai construir uma casa estável, sólida e eterna. Um filho de Davi será confirmado na realeza. “Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de mim, e teu trono será firme para sempre”(cf. 2Sm 7,16). Casa, neste sentido, é dinastia, família e descendência. E esse reino eterno não é um reino deste mundo, mas é referência ao reinado de Deus, inaugurado por Jesus de Nazaré, Cristo de Deus.

A segunda leitura (Rm 16,25-27) chama a esse projeto de salvação, preparado por Deus desde sempre, o “mistério”; e, sobretudo, garante que esse projeto se manifestou, em Jesus, a todos os povos, a fim de que a humanidade inteira integre a família de Deus. São Paulo esclarece aos romanos o sentido de “mistério”. Ele o refere ao plano salvífico de Deus, em favor da humanidade. Esse mistério foi, por longos séculos, mantido em segredo e, agora, definitivamente revelado em Jesus Cristo, mediante sua morte e ressurreição. Tudo “foi levado ao conhecimento de todas as nações, para trazê-las à obediência da fé”.

O Evangelho (Lc 1,26-38) refere-se ao momento em que Jesus encarna na história dos homens, a fim de lhes trazer a salvação e a vida definitivas. Mostra como a concretização do projeto de Deus só é possível quando os homens e as mulheres que Ele chama aceitam dizer “sim” ao projeto de Deus, acolher Jesus e apresentá-l’O ao mundo. No Evangelho observamos que Nossa Senhora é virgem e não têm relações com José. Ela será mãe! Já o início da perícope enobrece Maria, ao anúncio do Arcanjo Gabriel: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” Interessante é considerar que normalmente os mensageiros dizem o nome da pessoa. No caso, foi usado o epíteto “Ave”. Isso denota a sua particular missão, a de Nossa Senhora ser a Mãe do Verbo Encarnado. Depois da saudação: “Eis que conceberás e darás à luz a um filho, a quem porás o nome de Jesus”(cf. Lc 1,31). “Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”(cf. Lc 1,33). Isso significa que, no Filho de Maria, a promessa feita a Davi se cumpre plenamente, pois ele é quem reinará eternamente. À dúvida de Maria, o Mensageiro lhe diz: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra(cf. Lc 2,35).

No Evangelho de hoje três aspectos me chamaram a atenção: a Fé de Maria que não questiona a vontade de Deus transmitida pelo anjo, o conteúdo da mensagem do anjo e a obediência expressa na resposta: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.”

Nossa Senhora recebeu o dom da divina maternidade porque teve fé e pela fé se torna felizarda. O nascimento de Jesus é obra da intervenção de Deus, pois Maria concebe sem conhecer homem algum. Aquele que vai iniciar nova história surge dentro da história de maneira totalmente inédita.

Chamar a Jesus de Filho de Deus, associado à ostentação de poder, foi atribuído aos faraós e a outros chefes de nações ou impérios, além de ao próprio rei Davi.  Muitos discípulos de Jesus se inclinaram a essa interpretação. Jesus, contudo, sempre se colocou em relação de filiação com o Deus Pai, misericordioso e todo amoroso. Filho de uma jovem pobre e de um carpinteiro, Jesus revela-se como o Filho de Deus humilde e solidário com os pobres e excluídos, aos quais deseja comunicar a vida divina.

Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. Palavras muito simples mais que atraem responsabilidade. Pois doravante aquela pobre menina vai ser depositária dos desígnios de Deus. Deus entra no tempo por meio do sim de Maria que se coloca como escreva ao serviço do seu senhor 24 horas por dia.

Maria Santíssima é um exemplo de humildade e obediência ao Pai. Devemos aprender com Maria a darmos sempre o sim a Deus acolhendo com humildade a Sua vontade sobre nós e nossas comunidades.         

Maria do Sim me ensina a dizer e viver o meu sim a Deus, por isso neste domingo próximo do Natal façamos uma bela preparação para que a noite santa que iremos celebrar seja um momento de ao adorarmos o Menino que nasceu para nos salvar, que a vinda do Salvador reanime a fé de todos os homens e mulheres de boa vontade, voltando para a ação missionária da Igreja e cantando com testemunho eloquente: Vinde, Senhor Jesus!

Não poderia deixar de elevar a Deus minha súplica em favor de todas as mães gestantes. Que, a exemplo de Maria, eles confiem os seus bebês à Divina Providência e que possam conceber, tranquilamente, seus filhos, destinando-os para o serviço de Deus e da Igreja, para que possamos sempre cantar, ó Senhor, o vosso amor! Feliz Natal a todos!

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