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Artigos dos Bispos

“Ele já está no meio de nós” Natal é Deus – criança que desperta e reveste de vida nova as pessoas que d’Ele vivem.

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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21/12/2017 - Atualizado em 21/12/2017 10h18

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Jesus Cristo nasceu em um ambiente simples e pobre, mas de caráter eminentemente nobre, porque Deus está aí, nas feições de uma criança. Na manjedoura o viram Nossa Senhora e São José. Ali o encontraram os pastores de Belém. Somos nós, hoje passados mais de 2000 anos, a ir ao seu encontro. Não apenas na manjedoura, mas sendo acolhido na manjedoura de nossa alma, em nosso ambiente de trabalho, no regaço sacrossanto de nosso lar e na nossa comunidade eclesial.

Celebramos a encarnação de Jesus, o Verbo que se fez carne para nos salvar. Ele é a “Palavra” que se fez pessoa e veio habitar no meio de nós, a fim de nos oferecer a vida em plenitude e nos elevar à dignidade de “filhos de Deus”.

A primeira leitura (cf. Is 52,7-10) anuncia a chegada do Deus libertador. Ele é o rei que traz a paz e a salvação, proporcionando ao seu Povo uma era de felicidade sem fim. O profeta convida, pois, a substituir a tristeza pela alegria, o desalento pela esperança. Transparece a leitura a alegria incontida dos mensageiros, que anunciam o regresso à Judéia. Até mesmo as ruínas de Jerusalém exultam de alegria. A razão dessa alegria jubilar é o regresso do Senhor, bem como o fim do exílio, da deportação. Depois de um longo silêncio de Deus, o povo eleito ouviu a sua voz. Mesmo provado no exílio, o povo não foi rejeitado por Deus. Agora se rejubila do amor de Deus. A alegria de Israel deve ser a nossa alegria, porque Deus veio morar entre nós, no mistério da Encarnação

A segunda leitura (cf. Hb 1,1-6) apresenta, em traços largos, o plano salvador de Deus. Insiste, sobretudo, que esse projeto alcança o seu ponto mais alto com o envio de Jesus, a “Palavra” de Deus que os homens devem escutar e acolher. Deus, ao revelar-se, falou muitas vezes e de muitos modos. Porém, nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho. É gratuita essa iniciativa da revelação divina, puro dom em favor da humanidade. Ao ser humano cabe, sim, o acolhimento disponível dessa revelação, aderindo incondicionalmente ao Filho, que nos foi dado, plenitude de toda a revelação, porque é o “esplendor da glória do Pai”.

O Evangelho (cf. Jo 1,1-18) desenvolve o tema esboçado na segunda leitura e apresenta a “Palavra” viva de Deus, tornada pessoa em Jesus. Sugere que a missão do Filho/”Palavra” é completar a criação primeira, eliminando tudo aquilo que se opõe à vida e criando condições para que nasça o Homem Novo, o homem da vida em plenitude, o homem que vive uma relação filial com Deus. João, no prólogo de seu Evangelho, compreende a Encarnação do Filho em relação à Trindade: “E a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus”. O centro do Evangelho é claro: “E a Palavra se fez carne e habitou entre nós”. Por isso Jesus tem autoridade para falar de Deus os homens e as mulheres, com autoridade e poder. Jesus é verdadeiramente Deus em nosso meio. Vamos acolhê-lo em nosso meio! A Palavra se fez carne. Deus não quer ficar longe de nós. Por isso a sua Palavra chegou mais perto ainda e se fez presente no meio de nós na pessoa de Jesus. Literalmente o texto diz: “A Palavra se fez carne e montou sua tenda no meio de nós!”. No tempo do Êxodo, lá no deserto, Deus vivia numa tenda, no meio do povo (Ex 25,8). Agora, a tenda onde Deus mora conosco é Jesus, “cheio de graça e de verdade”. Jesus veio revelar quem é este nosso Deus que está presente em tudo, desde o começo da criação.

Moisés deu a Lei, Jesus trouxe a Graça e a Verdade (Jo 1,15-17): Estes versículos resumem o testemunho de João Batista a respeito de Jesus: “Aquele que vinha antes de mim passou na minha frente porque existia antes de mim!” (Jo 1,15.30). Jesus nasceu depois de João, mas Ele já estava com Deus desde antes da Criação. Da plenitude dele todos nós recebemos, inclusive o próprio João Batista. Moisés, dando a Lei, nos manifestou a vontade de Deus. Jesus trouxe a Graça e a Verdade que nos ajudam a entender e a observar a Lei.

É como a chuva que lava. Este último versículo resume tudo. Ele evoca a profecia de Isaías segundo a qual a Palavra de Deus é como a chuva que vem do céu e para lá não volta sem ter realizado a sua missão aqui na terra (Is 55,10-11). Assim é a caminhada da Palavra de Deus. Ela veio de Deus e desceu entre nós na pessoa de Jesus. Através da obediência de Jesus ela realizou sua missão aqui na terra. Na hora de morrer, Jesus entregou o Espírito e voltou para o Pai. Cumpriu a missão que tinha recebido.

Recordemos que Natal é contemplar Deus-criança, que nos busca, já está conosco e é presença. É Deus feito nossa humanidade e fragilidade.  Natal é Deus – criança que desperta e reveste de vida nova as pessoas que d’Ele vivem.

Prostrados diante da criança-Deus, somos irmãos e irmãs.

Que sejamos abençoados em todos os dias do Ano 2018.

Com meu abraço fraterno, 
Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora, MG

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